Capítulo 4: O dote fui eu quem pagou, portanto, a bela dama naturalmente me pertence.
No entanto, para a decepção de Chen Yanzi, Lin Fan sequer lhe dirigiu o olhar; seus olhos repousavam apenas sobre Gu Qingcheng, a quem sorriu com inefável ternura: “Querida, você vai se atrasar para o trabalho, precisamos nos apressar.”
“Ah! Já quase são nove horas, não podemos mais perder tempo. Amor, vamos logo.”
Gu Qingcheng, com um charme delicado, enlaçou o braço de Lin Fan, manhosa, num gesto de tal graciosidade que fez os olhos de Chen Wei, ali ao lado, ficarem completamente absortos.
Ao ver Gu Qingcheng seduzindo tão descaradamente o homem que julgava seu, uma onda de ira represada invadiu o peito de Chen Yanzi. Ela recolheu o semblante de piedade e, tomada pela revolta, estava prestes a correr até Lin Fan para tirar satisfações.
Contudo, antes mesmo que pudesse mover-se, foi surpreendida pela fumaça do escapamento do carro de luxo de Lin Fan; e, num piscar de olhos, tudo o que restava era o vulto distante daquele automóvel.
“Mana, para de olhar, o carro já sumiu faz tempo.”
Chen Wei, vendo Chen Yanzi estática como uma pedra à beira do caminho, não conteve o sarcasmo: “Agora bateu o arrependimento? Por que não pensou nisso antes?”
“Você ainda tem coragem de falar! Se não fosse para preparar sua maldita cerimônia de noivado, eu e Lin Fan jamais teríamos chegado a esse ponto!”
Chen Yanzi lançou-lhe um olhar fulminante e, depois de um breve silêncio, disse: “Chama um carro, vamos atrás deles. Hoje, de qualquer forma, eu vou exigir de volta o dinheiro do meu dote!”
“Está bem, mana, faço tudo que você mandar!”
Ao ouvir falar do próprio dote, Chen Wei calou-se, tornando-se, de súbito, resoluto e diligente.
…
Os dois carros estacionaram em fila no parque do departamento de vendas.
Dentro do carro de luxo, Gu Qingcheng enlaçou o pescoço de Lin Fan e lhe ofertou um beijo perfumado; permaneceram assim, entrelaçados em doçuras, até que, após combinarem que à noite ela mesma prepararia o jantar, Gu Qingcheng, satisfeita, partiu para o trabalho.
Lin Fan contemplou a silhueta dela, sentindo uma ternura há muito esquecida. Mal teve tempo de saborear esse sentimento quando, como uma sombra persistente, Chen Yanzi irrompeu, enfiando-se à força no banco do passageiro.
A aparição de Chen Yanzi surpreendeu Lin Fan, que, franzindo o cenho, a examinou dos pés à cabeça, a voz gélida como lâmina de gelo: “Desça.”
“Lin Fan, meu querido…”
Chen Yanzi piscou os olhos, fitando-o com ar de indefesa, como costumava fazer quando queria que ele lhe comprasse algo ou gastasse dinheiro.
Afinal, essa manha sempre surtira efeito; por isso, Chen Yanzi acreditava que, desta vez, também conseguiria reconquistar o coração de Lin Fan.
Mas estava fadada à decepção.
Lin Fan não apenas permaneceu impassível, como, aborrecido, voltou a franzir o cenho: “Quem te mandou subir? Saia.”
Tamanha frieza quase fez Chen Yanzi perder a compostura; mas ela logo se lembrou do verdadeiro propósito daquele dia — agradar Lin Fan, convencê-lo a entregar os cinquenta mil do dote para que Chen Wei pudesse enfim noivar.
Com isso em mente, Chen Yanzi mordeu o lábio e, lágrimas prontas, começou a chorar: “Lin Fan, você ainda está zangado por causa de ontem, não é? Minha mãe só queria testar teus sentimentos por mim, mais nada…”
“Ah, então parabéns à sua mãe, ela conseguiu o que queria.”
Lin Fan riu friamente por dentro, respondendo com indiferença, os olhos já absortos no celular, sem pressa.
Não que fosse viciado em telefone, mas simplesmente não tinha interesse em servir de motorista para Chen Yanzi, que agora se entrincheirava em seu carro.
As palavras de Lin Fan deixaram Chen Yanzi engasgada. Ela forçou um sorriso e, ousando mais, segurou a manga dele:
“Lin Fan, não faz assim. Eu sei que você me ama. Já expliquei tudo para minha mãe, ela não vai repetir esse erro. Não podemos, afinal, nos casar como planejado?”
“Casar como planejado?”
Lin Fan ergueu o olhar, fitando-a com intensidade: “Então não dou mais os cinquenta mil do dote?”
“De jeito nenhum!”
Chen Yanzi respondeu de pronto, sem sequer pensar, mas logo se deu conta e forçou um sorriso diante de Lin Fan: “Você vai desistir das promessas que me fez?”
Lin Fan: “……”
Diante do silêncio dele, Chen Yanzi voltou a chorar baixinho: “Lin Fan, você não pode fazer isso. Você prometeu os cinquenta mil! Se não me der, de onde vou tirar os trinta e oito mil e oitocentos do dote do meu irmão?”
“……”
Palavras tão descaradas quase fizeram Lin Fan rir de desdém. Ele estava prestes a ironizá-la, quando se recordou das regras impostas pelo sistema.
Mudando de tom, Lin Fan sorriu de lado: “Posso dar o dinheiro, mas quero entregá-lo pessoalmente à noiva do seu irmão, para que todos saibam de onde veio.”
“Tudo bem!”
Conseguir que Lin Fan aceitasse pagar já era um golpe de sorte; Chen Yanzi não ousou exigir mais, temendo que ele mudasse de ideia de última hora. “Vamos agora? Meu irmão e os outros já estão esperando por você.”
“Hum.”
…
No salão do noivado, entre brindes e risos, Lin Fan caminhava de mãos nos bolsos, ao lado de Chen Yanzi, seguido por um homem carregando uma maleta.
Chen Wei e os demais estavam à beira do desespero por causa do dote, mas ao avistarem Lin Fan, sentiram-se salvos, correndo a bajulá-lo — com exceção de Chen Wei.
Chen Wei sequer lhe dirigiu um olhar, mantendo-se colado à irmã: “Mana…”
“O que está esperando? Vai agradecer seu cunhado.”
Chen Yanzi lançou-lhe um olhar de censura e, logo, agarrou o braço de Lin Fan, colando-se a ele e lançando-lhe loas.
Lin Fan, impassível diante dos elogios, apenas fez um gesto com a cabeça para o carregador: “Entregue àquela mulher.”
“Pois não!”
O homem dirigiu-se até a noiva de Chen Wei, vestida em trajes de festa, depositou a maleta diante dela e, conforme instruído, abriu-a, revelando o vermelho do dinheiro empilhado.
“Trinta e oito mil e oitocentos. Conte e veja se está correto.”
Lin Fan havia se aproximado sem que ninguém percebesse. Apontando para a maleta sobre a mesa, fitou a bela mulher.
Aquele gesto deixou todos ao redor boquiabertos; por um instante, o salão mergulhou num silêncio absoluto, como se todos tivessem esquecido onde estavam, fixando o olhar na maleta repleta de dinheiro, atônitos.
Após um longo silêncio, alguém murmurou: “Mas não era Chen Wei que ia se noivar com Xiao Xue hoje? Quem é esse? Veio para tomar a noiva?”
“Não é? A cerimônia já está quase no fim e a família Chen ainda não apresentou o dote. Aposto que esse homem veio tomar a noiva.”
“Será que esse dinheiro é falso? São trinta e oito mil e oitocentos! O dote de Xiao Xue está alto…”
Os comentários ao redor fizeram o rosto de Chen Wei corar de raiva. Cerrou os punhos, pronto para retrucar, mas antes que pudesse abrir a boca, Chen Yanzi o segurou pelo braço.
Era o seu próprio noivado, mas o centro das atenções era Lin Fan; e sua própria irmã o impedia de falar. Chen Wei sentiu, pela primeira vez em mais de vinte anos, uma humilhação amarga e indizível.