Capítulo 007: Quem não alcança as uvas, diz que estão verdes

Istri Tercintaku adalah Sang Maharani Qingfeng Sang Penjelmaan Tua 2179kata 2026-03-15 14:43:10

Ao romper da aurora, assim que o céu se fez claro, Lin Xiao lavou-se, ajeitou-se e saiu de casa. Antes de partir, deixou cem yuan sobre a mesa, então cruzou a soleira e fechou a porta atrás de si.

Ao descer as escadas, uma brisa suave soprou-lhe no rosto; Lin Xiao ajeitou a gola da jaqueta, e num ágil movimento montou em sua motocicleta. Na véspera, já telefonara para Xu Pangzi, e este lhe dissera que o patrão aprovara sua entrada. O que Lin Xiao não esperava era que o caminho até a empresa de Xu Pangzi estaria tão congestionado, de modo que, ao chegar, encontrou-o já de pé diante da porta, ansioso e impaciente.

— Ora, você veio mesmo! Eu já achava que havia caído no leito da tentação e não conseguiria se levantar — zombou Xu Pangzi assim que o viu.

Era o típico caso de quem desdenha o que não pode ter.

— Deixe de brincadeira. O patrão já chegou? — Lin Xiao, impassível diante da provocação, apenas esticou o pescoço para espreitar o interior da empresa.

Era apenas uma firma de entregas, mas chegar atrasado nunca era bom — sobretudo no primeiro dia.

— Linzão, você tem certeza disso? Vai mesmo trabalhar nessa firma de recados? — Xu Pangzi assumiu um ar sério, dissipando o sorriso.

Lin Xiao era um dos melhores alunos da Faculdade de Medicina; abandonar a profissão parecia, a Xu Pangzi, um imenso desperdício.

— Sim, pensei bem.

Embora Yangjia fosse uma cidade relativamente grande, não passava de um vilarejo. Depois de ter espancado Zhang Heng duas vezes seguidas, não havia como ele esperar que Zhang Heng permitisse que ainda arranjasse trabalho como médico ali.

Além disso, Lin Xiao precisava urgentemente de dinheiro, e a firma pagava a cada três dias — suficiente para garantir que voltasse para casa no Festival do Barco-Dragão.

Quanto ao futuro, se voltaria ou não a exercer a medicina, restava apenas deixar que o tempo respondesse.

— Pois bem, desde que esteja decidido, como teu irmão, apoio-te em tudo. Venha, vou apresentá-lo — disse Xu Pangzi, tomando a dianteira, com Lin Xiao logo atrás.

A empresa era pequena, o interior desordenado, bem diferente do que Lin Xiao imaginara, mas nada disso abatia sua determinação.

— Senhor Zhang — Xu Pangzi abriu a porta do escritório com um sorriso largo e introduziu Lin Xiao.

— Sente-se — disse o patrão, pousando os papéis e fitando Lin Xiao. — Ouvi do Xu Hang que você era médico. Por que abandonou tão de repente?

O senhor Zhang, homem de mais de quarenta anos, trajava um terno preto e branco, impecável, denotando uma postura severa e meticulosa.

— Ah, houve um pequeno incidente, mas já passou — Lin Xiao não esperava que Xu Pangzi tivesse contado sobre seu passado ao patrão e, sem saber como responder, limitou-se a uma resposta evasiva.

— Não sou homem de grandes virtudes, mas tampouco me considero um canalha. Por consideração ao Xu Hang, não vou me aprofundar. Mas já que está aqui, cumpra as regras da casa e não me arrume confusão — disse o patrão, tirando duas folhas em branco de um dossiê azul. — Se acha que pode seguir, assine o contrato.

— Não se preocupe, senhor Zhang. Eu, Xu Hang, garanto: Lin Xiao não é homem de arranjar encrenca — apressou-se Xu Hang, sorridente, indo receber as folhas A4 e entregando-as a Lin Xiao. — Está tudo em ordem, assine logo.

— Obrigado, senhor Zhang — disse Lin Xiao, apanhando uma caneta e, sem hesitar, traçou seu nome com letra firme e resoluta, deixando o escritório em seguida, acompanhado por Xu Pangzi.

— Ei, novato, venha cá um instante — chamou-lhe uma jovem assim que chegaram à porta.

Devia ter uns vinte anos, o rosto arredondado e olhos grandes e encantadores; vestia uma camiseta vermelha de decote em V, uma saia jeans justa e tênis branco de lona. Seu corpo era levemente rechonchudo, conferindo-lhe um ar vivaz e adorável.

A bem da verdade, muitos homens apreciam mulheres assim, de formas suaves, por motivos que só eles sabem.

— Você é Lin Xiao, certo? Este pedido é para você — disse a moça, entregando-lhe um papel.

— Para mim? — Lin Xiao olhou, surpreso, para a folha, onde se alinhavam endereço, item a ser entregue e valor do serviço.

— Claro. O que foi? Não quer entregar? — replicou a jovem, mãos às costas e olhos cintilantes fixos em Lin Xiao, enquanto os calcanhares se erguiam em ritmo compassado.

— Não, vou agora mesmo — Lin Xiao sorriu levemente e foi procurar Xu Pangzi.

— Ah! Homem bonito é outra coisa... Se eu tivesse metade do charme desse rapaz, já teria feito fama aqui — comentou Xu Pangzi, resignado.

Afinal, era um pedido de trezentos yuan, fácil de resolver em uma manhã — sorte de principiante para Lin Xiao.

Mas quem mandou ser bonito?

Montaram no triciclo elétrico da firma e partiram apressados para Hongwa. Assim que entraram na aldeia, viram um grupo de pessoas reunidas, comentando animadamente.

Movido pela curiosidade, Lin Xiao saltou do veículo e, ao deparar-se com a cena, ficou atônito.

À beira do precipício, no alto da encosta, um Mercedes preto estava suspenso.

— O que estão esperando? Vão salvar quem está lá! — gritou Lin Xiao, impelido pelo instinto médico.

— Rapaz, preste atenção! O carro está pendurado no abismo — advertiu um homem de trinta e poucos anos.

— Enquanto o carro não cair, ainda temos chance! — Lin Xiao lançou-lhe um olhar impaciente e avançou, mas uma mulher de cinquenta anos segurou-o pelo braço:

— Não seja imprudente, meu filho. Espere os bombeiros chegarem — aconselhou.

— Que besteira! Quando eles chegarem, o carro já terá caído! — Lin Xiao não conteve a irritação, sentindo o peso da indiferença humana.

— O veículo está suspenso, sustentado apenas por uma árvore presa à porta. Se mexer, pode ser fatal — explicou a mulher, apesar do desagrado.

Lin Xiao ergueu os olhos e, de fato, o Mercedes estava todo no ar; não fosse pelas árvores dos lados, já teria rolado encosta abaixo.

Mas ficar ali parado não resolveria nada. Determinado, ignorou os conselhos e avançou em direção ao precipício, com Xu Pangzi logo atrás.

— Linzão, isso não é brincadeira. Melhor esperarmos um pouco mais — murmurou Xu Pangzi, aflito.

Se conseguissem salvar, ótimo; do contrário, Lin Xiao poderia ser acusado de homicídio.