Capítulo Cinco: Gênio ou Demônio
Lá fora, havia quem aguardasse ansioso por um espetáculo, e outros que tramavam em segredo. No entanto, neste momento, Ye Yu não tinha conhecimento de nada disso.
Seu corpo estava ligado a alguns fios que pareciam cabos elétricos.
— Só vou dizer uma vez, preste atenção. — A voz firme ecoou.
— O aparelho de monitoramento do qi e do sangue aqui dentro é diferente do do lado de fora. Daqui a pouco, siga minhas instruções para liberar sua energia. Não faça nada além do que eu mandar.
O responsável pela avaliação, um homem com um pequeno dispositivo de monitoramento nas mãos, falava enquanto escaneava o corpo de Ye Yu.
— Quando entrar na cápsula de monitoramento, coloque o capacete de realidade virtual. Siga as instruções e ataque as criaturas que aparecerem na tela, seja com os punhos, as pernas, ou até mesmo com a cabeça, se quiser.
— O teste irá medir o valor médio de qi e sangue que você consegue liberar.
— Entre na cápsula. Quando estiver pronto, avise.
Após as palavras do avaliador, ele abriu uma cápsula de testes de quatro a cinco metros quadrados.
Ye Yu acenou com a cabeça e, arrastando os fios, entrou. As extremidades dos cabos estavam conectadas aos aparelhos dentro da cápsula.
Respirou fundo, colocou o capacete virtual e, num instante, uma paisagem desolada surgiu diante de seus olhos.
Era um oceano sem fim; ao longe, uma pequena ilha onde um vulcão expelia jorros de magma. A cena inteira era tingida de tons cinzentos, exceto pela lava escarlate que brotava do vulcão, conferindo ao quadro um ar de inquietante estranheza.
Ye Yu sabia: aquela paisagem devia corresponder a algum recanto do oceano, e as criaturas que surgiriam em breve provavelmente seriam “feras aberrantes”.
Passou alguns minutos se adaptando e acalmando o coração ligeiramente agitado, então, avisou que estava pronto.
O homem lançou-lhe um olhar de soslaio e pressionou um botão ao lado com descaso — não depositava esperanças em Ye Yu.
Afinal, seu corpo parecia frágil e esguio, nada lembrando alguém de vigor abundante. Alunos assim já tinham sido testados naquele dia, nenhum sequer se aproximara do padrão exigido.
O aprimoramento do qi e do sangue, em geral, só era possível por dois métodos: ou domínio de técnicas avançadas de fortalecimento corporal, ou o consumo de carne de “feras aberrantes” e raríssimos remédios preciosos.
Ambos inacessíveis à maioria dos mortais, reservados aos grandes clãs e potências.
— Observe a contagem regressiva na tela virtual. Quando zerar, pode começar — instruiu o homem, direcionando o olhar ao monitor de dados na parede.
Ye Yu inspirou profundamente, fitou os números decrescentes e cerrando os punhos, preparou-se.
No exato instante em que a contagem regressiva se extinguiu, viu um raio de luz vermelha disparar da cratera do vulcão em sua direção.
— Liberte trezentos pontos de qi e sangue! — ordenou a voz do avaliador, soando em seus ouvidos.
Este teste não media apenas a quantidade de qi e sangue, mas também o controle sobre sua liberação.
Para Ye Yu, tal desafio não representava dificuldade alguma. Após tantas batalhas, dominava com precisão a intensidade de sua própria energia.
Quando a corrente escarlate se aproximou, seu punho direito já estava em movimento.
Um estrondo abafado ressoou.
A luz vermelha dispersou-se, mas a máquina permaneceu imóvel; na tela do capacete, uma sequência de números surgiu.
O marcador começou em um, subindo rapidamente, chegando a duzentos e cinquenta num piscar de olhos.
Do lado de fora, o homem acompanhava impassível os dados no monitor.
Para estudantes de constituição fraca, atingir seiscentos já seria digno de nota; dificilmente seriam necessárias mais de duas tentativas para encerrar o teste.
Contudo, naquele breve instante, o marcador alcançou trezentos, estabilizando-se em trezentos e dois.
O homem ficou surpreso — não pelo valor em si, mas pela precisão do controle.
O desvio era menor que dez pontos, feito raro.
Um golpe de sorte!, pensou, e ordenou em tom firme: — Prepare-se, mais uma vez!
— Quinhentos pontos de qi e sangue!
Mal terminara a frase e Ye Yu já desferira outro soco; o número no monitor logo estacionou em quinhentos e dois.
— Hm! — Os olhos do avaliador se arregalaram, sua expressão alterando-se.
De novo, um desvio mínimo!
— Setecentos pontos!
O marcador parou em setecentos e dois.
— Novecentos pontos!
O monitor registrou novecentos e dois.
— Mil pontos!
E o valor exibido foi mil e três.
— Ataque livre e contínuo, sem limite de qi e sangue! — O avaliador, já quase aos gritos, anunciou.
Aquele estudante de aparência frágil não só ultrapassara mil pontos, mas ainda controlava o erro com precisão impressionante.
O responsável pelo monitoramento sabia estar diante de um prodígio.
Mas não imaginava: aquilo era apenas o início.
Dentro da cápsula, Ye Yu sentia sua vontade de combate atingir o auge; a energia vibrava sob sua pele, tingindo-a de um leve rubor.
Decidiu, então, abandonar todas as reservas e lutar com tudo o que tinha.
— Wei Chen, converta mil pontos de qi e sangue! — ordenou, baixando o olhar para o peito, dirigindo-se ao núcleo de sua inteligência artificial, e lançou mais um golpe.
A explosão de energia acima dos mil pontos trouxe uma sensação de exultante plenitude.
A fera aberrante reapareceu na tela, novamente envolta numa torrente escarlate, maior do que as anteriores.
Do lado de fora, o avaliador aproximou-se ainda mais do monitor, vidrado, sem ousar piscar.
Mesmo após mil pontos, o crescimento dos números não dava sinal de parar.
O monitor registrou: 1002.
Depois: 1103.
1305.
1519.
1600.
1637.
1760.
…
Por fim, o marcador atingiu dois mil — o valor máximo previamente estabelecido.
— O que é isto… — O homem do lado de fora da cápsula fitava o monitor, sem saber o que dizer.
— Um gênio… um verdadeiro prodígio!
Ao contemplar Ye Yu, um sentimento de inveja brotou-lhe no peito.
Segundo os registros, aquele estudante tinha apenas dezoito anos.
Apenas dezoito!
E já exibia uma força de explosão de qi e sangue comparável à de um piloto de mecha de segunda ordem.
O padrão da Aliança para pilotos de segunda ordem era de dois mil e quinhentos pontos; pelo desempenho de Ye Yu, dois mil claramente não eram seu limite.
Seria possível que já tivesse ultrapassado o segundo grau, alcançado o terceiro — ou até mais?
O avaliador não ousava ir além em suas conjecturas; seus olhos ardiam, tomados de fervor.
Ele próprio, aos vinte e seis anos, mal havia tocado a soleira do terceiro grau.
Ye Yu, alheio ao espanto do homem do lado de fora, contemplava a pequena ilha na tela virtual, sentindo que ainda não estava satisfeito, que sua vontade de lutar permanecia insatisfeita.
Seu valor de qi e sangue estava em dois mil duzentos e trinta e três; ansiava por acrescentar mais trezentos, experimentar plenamente o estado de explosão de um piloto de segunda ordem.
Além disso, sequer tivera tempo de ver o rosto das feras aberrantes: todas eram envoltas em luz escarlate, invisíveis aos seus olhos.
— Hm? — Nesse instante, Ye Yu recordou que, ao dissipar a última corrente de luz, precisou de quatro socos; foi nesse momento que a inteligência artificial proferiu uma frase:
— Proporção de desperdício de qi e sangue: oitenta por cento!
Agora, refletindo sobre as palavras do núcleo, Ye Yu percebeu algo errado.
Desperdiçar oitenta por cento significava que, ao liberar mil pontos, apenas duzentos eram realmente eficazes.
Um problema que poderia ser resolvido num único golpe obrigava-o, agora, a repetir o esforço cinco vezes ou mais.
Se não houvesse esse desperdício, bastaria um só soco para dissipar a última torrente de luz.
Que desperdício, de fato!
Ye Yu olhou para o peito, pronto para consultar a inteligência artificial.
Afinal, se ela mencionara o problema, certamente teria também a solução.