Capítulo Seis: A Chegada da Crise
— Microdust, que método pode evitar o desperdício de energia vital?
— Deixe para depois, falaremos lá fora.
De súbito, Ye Yu percebeu que aquele local não era apropriado para dialogar com a inteligência artificial.
— Técnica de refinamento corporal.
A voz do computador ressoou, e Ye Yu viu um fio tênue de luz azul emergir de seu peito, penetrando discretamente num canto do compartimento de testes.
— O sistema de monitoramento foi modificado.
A inteligência artificial disse, de forma abrupta e lacônica.
— Então, ninguém poderá ouvir nossa conversa agora? — Ye Yu sentiu-se excitado; ainda subestimava aquela máquina.
— Sim.
A resposta foi concisa.
— Você pode controlar todos os dispositivos eletrônicos?
— Tenho uma ideia…
Ye Yu, ansioso por confirmar suas conjecturas, indagou se a IA seria capaz de controlar os sistemas de outros mechas durante um combate. Chegou, inclusive, a tocar em questões delicadas:
— Poderia abrir o cofre de algum lugar?
— Nível insuficiente, precisa de atualização.
Essa foi a resposta para todas as perguntas.
Uma única frase desfez, por ora, as fantasias de Ye Yu.
Há pouco, ele ainda ponderava sobre como aproveitar as funções da IA.
— Atualizar? Como posso permitir sua atualização? — Ye Yu insistiu.
— Devorar… Metal!
A resposta veio vaga, imprecisa.
— Então, você pode devorar metal para aumentar de nível. Entendi.
Apesar da ambiguidade, Ye Yu compreendeu. A conversa revelou que a IA e ele compartilhavam o mesmo nível: o primeiro estágio.
Porém, Ye Yu era um mecha de nível um da Aliança. E a IA? Na Aliança não havia classificação para inteligências artificiais, apenas os rótulos de inicial, intermediária, avançada e super; não existia essa nomenclatura de estágios.
Sobre tal questão, a IA respondeu que Ye Yu não possuía permissão suficiente.
— Você tem a técnica de refinamento corporal?
Não tendo esclarecido a dúvida sobre o nível, Ye Yu lembrou-se do que realmente queria saber.
A IA respondeu de pronto: não possuía tal técnica, caberia a Ye Yu encontrá-la por si mesmo.
Assim, Ye Yu entendeu que aquela máquina não era onipotente.
Sentiu uma ligeira decepção, mas não se deteve nisso.
Se fosse onipotente, talvez fosse algo aterrador.
— Ye Yu, pode sair agora.
Quando Ye Yu pensava em perguntar mais, a voz de um homem chegou do exterior do compartimento.
— Professor, posso realizar o teste novamente? Acabei de compreender algo, quero experimentar.
Ye Yu não retirou o capacete; de fato, uma súbita inspiração o tomou.
Ainda sem a técnica de refinamento corporal, resolveu testar: se concentrasse intensamente sua mente num ponto e, então, liberasse sua energia vital, poderia talvez reduzir o desperdício.
A ideia surgiu como um lampejo, recordando-se das proezas de mestres das artes marciais nos filmes.
— Sem problema! Se precisar de algo, peça; tenho essa autoridade.
O homem respondeu com presteza, reconhecendo ali uma chance de conquistar o jovem prodígio.
— Obrigado, professor.
— Repita o teste anterior.
Ye Yu não se deteve em formalidades.
Sabia, pelo próprio desempenho, mais ou menos o que o homem imaginava.
Tudo pronto.
— Vamos ver se minha hipótese é correta!
Ye Yu inspirou fundo, olhos fixos na tela virtual.
Num piscar de olhos, uma luz vermelha irrompeu do vulcão da ilha.
Ye Yu permaneceu imóvel, atento àquela luz, o coração tranquilo.
Dez metros.
Cinco metros.
Um metro.
Explosão de energia vital!
O punho de Ye Yu disparou num instante, veloz e impetuoso.
Bang!
Após um estrondo, a luz vermelha se dissipou.
— Proporção de desperdício de energia: 79%!
Bang, bang, bang!
— Proporção de desperdício: 79%!
— Proporção de desperdício: 78%!
— Proporção de desperdício: 78%!
O estrondo repetiu-se, a luz se dispersava, e a voz da IA ecoava incessantemente.
Ye Yu golpeava sem cessar, enquanto os olhos do homem do lado de fora só enxergavam os números.
Ao ver Ye Yu lançar o último golpe, surpreendeu-se novamente.
— Da última vez, ele precisou de quatro golpes para dissipar a última luz, desta vez foram apenas três.
— Três golpes?
Que progresso!
Será que foi isso que ele compreendeu?
— Afinal, foram três ou quatro?
Mesmo quando Ye Yu saiu do compartimento, o homem ainda se debatia com o dilema.
— Professor? — Ye Yu chamou o homem absorto.
— Ah, estou aqui. Ye Yu, bom trabalho.
O homem sorriu, olhando os dados na parede.
Mais uma vez, o limite de 2000!
Superando 2000 de força vital, não havia dúvidas: o jovem diante dele possuía, ao menos, o vigor de um mecha de segundo estágio.
Ye Yu saiu do compartimento sem sequer perder o fôlego.
Era inimaginável que um corpo tão franzino abrigasse tamanha explosão de força.
O homem estava certo de que aquele jovem seria o centro das atenções entre os novos alunos.
E, pensava, como seria sua performance vestindo um mecha?
Levou meio minuto para recuperar-se da impressão.
— Parabéns, Ye Yu, pela aprovação no teste de energia vital.
— Sou Wang Tong, dou aulas de manutenção de mechas na academia.
— Sempre que precisar de algo, pode vir falar comigo, sem cerimônia.
O homem estendeu a mão com calorosa cordialidade.
— Obrigado, professor Wang, se tiver dúvidas, certamente o procurarei.
Ye Yu fingiu surpresa e gratidão.
Nesse momento, o comunicador no ouvido de Wang Tong transmitiu a voz de Wu Tian.
— Wang Tong, já tem os resultados de Ye Yu? Qual é o número?
Wu Tian foi direto ao ponto.
Wang Tong, ao ouvir Wu Tian, não ousou vacilar:
— Diretor Wu, Ye Yu é excelente, sua energia vital atingiu…
— Não importa quanto, você só viu o valor 400.
— Entendeu?
A voz de Wu Tian era fria, cortando a fala de Wang Tong.
— Diretor Wu…
Wang Tong ficou confuso, querendo saber o motivo.
— Não se prolongue! É assim mesmo! Eu alterarei os registros, apenas siga minhas instruções.
Wu Tian interrompeu-o novamente, cortando a comunicação sem chance de resposta.
Desligada a comunicação, Wang Tong ficou pálido.
Wu Tian era extremamente autoritário na academia; se não obedecesse, Wang Tong não poderia permanecer ali.
Não sabia como aquele jovem teria desagradado alguém como Wu Tian.
Que desperdício…
— Ai…
Wang Tong suspirou, esforçando-se para sorrir a Ye Yu.
— Ye Yu, pode preparar-se para o próximo exame.
Wang Tong abriu a porta da sala.
— Obrigado, professor Wang.
Ye Yu fez uma reverência e saiu.
Ouviu Wang Tong chamar Wu Tian de “diretor”, mas não deu maior atenção.
Na entrada da academia, lembrava-se de que suas palavras talvez tivessem aborrecido Wu Tian, mas acreditava que um diretor não se incomodaria por tão pouco.
Naquele momento, Ye Yu estava contente, alheio à iminente tempestade.