Capítulo 3 — Uma Brecha de Esperança
Qin Yan ergueu-se abruptamente do leito, a consciência retornando por completo à realidade.
Dois homens, cheios de arrogância e vileza, intimidavam sua mãe, a senhora Xiao. Qin Yan reconheceu de imediato aqueles rostos lascivos: eram Qin Wu e Qin Mingyuan. Ambos exímios aduladores, verdadeiros canalhas de alma traiçoeira. Outrora, diante de sua família, não passavam de cães subservientes, abanando o rabo em busca de migalhas.
Agora, com a ausência do pai, essas duas bestas ousavam voltar-se contra sua mãe? Que atrevimento mortal!
— Ora, ora, não é o antigo Jovem Mestre Qin Yan? — zombou Qin Mingyuan, com um sorriso carregado de escárnio. — Até que você é resistente... ainda consegue se levantar da cama? Mas não passa de um moribundo, não viverá mais que três dias.
Quantas vezes Qin Mingyuan não se curvou diante de Qin Yan, bajulando-o com vozes mais doces do que aquelas dirigidas aos próprios pais? Bastou uma reviravolta do destino para que o cão se tornasse lobo raivoso. Assim é a vida: cruel e implacavelmente irônica.
Com a morte do pai, restava à sua mãe, a senhora Xiao, o único laço de sangue de Qin Yan, seu mais intocável ponto vital. Uma fúria incontrolável ardia-lhe no peito, inflamando-lhe os olhos, transbordando de desejo assassino.
Qin Mingyuan, com desdém jocoso, prosseguiu:
— Eu gosto mesmo é de ver essa sua expressão de impotência, sem poder fazer nada contra mim. Aquele velho teimoso, Qin Dingtian, já morreu, e você, Qin Yan, tornou-se um inútil. Aposto que não tem forças nem para esmagar uma formiga. Vê-se que não aprendeu a lição; talvez ontem meu irmão e eu tenhamos sido brandos demais ao te espancar.
— Eu vou te matar! — bradou Qin Yan, subitamente tomado de loucura, lançando-se sobre Qin Mingyuan como um cão enraivecido.
Qin Mingyuan, contudo, não se intimidou. Embora seu poder fosse modesto — apenas o primeiro estágio do Cultivo do Qi —, para enfrentar alguém com os meridianos destruídos, era mais que suficiente. Vendo Qin Yan ousar atacá-lo, Qin Mingyuan riu, escarnecendo:
— Sabia que você era um miserável impaciente por morrer. Como poderia eu não atender ao seu desejo?
A senhora Xiao, em pânico, gritou em lágrimas:
— Yan’er, não! Por favor! Qin Mingyuan, eu te imploro, poupe meu filho, poupe-o!
Mal as súplicas findaram, Qin Yan já havia alcançado Qin Mingyuan e, antes que este pudesse sequer reagir, um soco certeiro e devastador acertou-lhe o peito, atirando-o ao chão com violência.
A cena deixou a senhora Xiao e Qin Wu paralisados de espanto. Olhav