Capítulo 5: O Poder dos Nove Tigres
Neste momento, Qin Yan assemelhava-se a um louco desvairado, tomado por uma obsessão insana, em que cada movimento realizado era impregnado de inaudita dor.
Dilacerante, lancinante, como se mil lâminas o retalhassem, e nada parecia mais atroz.
Bang!
De súbito, uma explosão de energia irrompeu, deixando Qin Yan profundamente surpreso.
Atônito, olhou para o próprio punho, tomado por um breve estupor.
— Ora!
— A força deste meu soco, não se limita a nove bois; sinto que, no mínimo, atinge o poder de três tigres.
— Isso...
— Como pode ser possível?
Por um instante, Qin Yan ficou completamente estupefato.
Em condições normais, alguém no primeiro nível do Reino da Têmpera Corporal alcança a força de um boi; a cada avanço de nível, soma-se a força de mais um boi.
Até alcançar o nono nível, quando se atinge a força de nove bois.
Ainda que alguém possua um dom extraordinário, acima da média, o máximo seria dez bois de força.
Acima disso, jamais se ouvira falar.
E dez bois equivalem a um tigre; ao romper para o primeiro nível do Reino da Condução do Qi, pode-se possuir a força de um tigre. A cada novo avanço, soma-se mais um tigre de força.
Tal como Qin Mingyuan, que estava no primeiro nível do Reino da Condução do Qi e detinha a força de um tigre.
Por isso, Qin Mingyuan jamais considerou Qin Yan como ameaça.
Três tigres de força — teoricamente, apenas alguém no terceiro nível do Reino da Condução do Qi poderia ostentar tal poder.
Ainda que houvesse circunstâncias especiais, ao menos seria necessário alcançar o segundo nível.
Um cultivador no nono nível do Reino da Têmpera Corporal possuir a força de três tigres?
Isso é algo inaudito, que desafia toda compreensão.
Que mistério é este?
Afinal, Qin Yan sabia que não havia avançado de estágio, permanecia no Reino da Têmpera Corporal.
Era insólito, absolutamente contrário à razão.
— Será por eu ter cultivado a ‘Técnica do Corpo Soberano do Imperador’? —
Após muita reflexão, Qin Yan só conseguiu conceber tal hipótese — e somente ela.
Deixando tais considerações de lado, decidiu prosseguir com o cultivo.
A ‘Técnica do Corpo Soberano do Imperador’ faz jus à fama de ser o primeiro método de refinamento corporal de todos os céus e mundos; em tão breve lapso, fez com que sua força saltasse de nove bois para quase quatro tigres.
Um aumento tão colossal, se divulgado, certamente faria tremer até os gênios mais prodigiosos.
Qin Yan levara um ano inteiro para elevar sua força de nove bois até três tigres.
Contudo, agora, não passara sequer uma hora.
Ou seja, uma hora de cultivo da ‘Técnica do Corpo Soberano do Imperador’ equivalia, para ele, a todo um ano anterior.
Era algo deveras aterrador.
De fato, Qin Yan sentiu-se abalado.
Por outro lado —
Isso apenas reacendeu a esperança em seu peito; se conseguisse manter tal ritmo de progresso, durante o Grande Ritual dos Qin, dali a dois dias, certamente destroçaria as ambições lupinas de Qin Dinghui e seu filho.
Continuou a cultivar.
Logo, mais de um dia se passou.
Qin Yan, finalmente, conseguiu executar todos os oitenta e um movimentos do primeiro estágio da ‘Técnica do Corpo Soberano do Imperador’, e o progresso obtido era verdadeiramente assombroso.
Sua força disparou, crescendo de forma vertiginosa, até alcançar a potência de nove tigres.
Nove tigres — equivalente ao nono nível do Reino da Condução do Qi.
Contudo, em termos de cultivo, Qin Yan permanecia imóvel, ainda no nono nível do Reino da Têmpera Corporal.
Além disso, para seu espanto, percebia claramente que seu corpo estava longe de atingir o limite; ainda havia vasto potencial a ser explorado.
Era realmente algo além de toda imaginação.
— Ufa...
— Apesar de não ter absorvido Qi e atingido o Reino da Condução do Qi, minha força já não deve nada a um cultivador do nono nível desse reino — e, por conseguinte, tampouco minha capacidade de combate, certo? —
Qin Yan exalou longamente, ponderando em silêncio.
Nesse instante, a porta do quarto foi subitamente aberta, e Qin Yan apressou-se em deitar-se na cama, fingindo repouso.
Sua mãe, trazendo uma caixa de comida, entrou, lançando-lhe um olhar de ternura e preocupação, logo disfarçado, e disse suavemente:
— Filho, levante-se, venha comer.
Na verdade, Xiao já ouvira o alvoroço no interior do quarto; com sua inteligência, como não adivinhar que Qin Yan cultivava em segredo?
Mas, para alguém com os meridianos totalmente rompidos, que sentido haveria em cultivar?
Seria apenas esforço vão, sofrimento inútil.
Mesmo assim, Xiao sabia que Qin Yan era alguém de extrema força de vontade, que jamais se renderia facilmente, nem temia as adversidades desde a infância.
Ciente da impossibilidade, ainda assim insistia — eis a loucura dos obstinados.
O coração de Xiao transbordava de dor, mas como poderia ela dissuadi-lo?
Resta-lhe apenas suspirar, resignada.
Ó céus, quão injustos sois!
Qin Yan ergueu-se da cama, ciente de que sua mãe há muito descobrira seu cultivo secreto, apenas não o revelara em palavras.
Ele próprio não desejava ocultar-lhe tal fato, mas sabia que aquilo ultrapassava sua compreensão.
Por isso, para poupar-lhe preocupações, decidiu nada contar, ao menos por ora.
Quando chegasse o Grande Ritual dos Qin, dar-lhe-ia, então, uma surpresa.
Xiao dispôs sobre a mesa diversos pratos suculentos e trouxe consigo uma garrafa de vinho.
Serviu uma taça para Qin Yan, outra para si, e, com um olhar transbordante de ternura, disse:
— Venha, filho, hoje a mãe beberá contigo. Estes são os seus pratos prediletos — coma bastante.
— Mãe, a senhora jamais toca em álcool... — Qin Yan olhou-a, intrigado.
Xiao sorriu docemente, o olhar inundado de carinho:
— É nossa última refeição juntos, permito-me este pequeno desvario.
Última refeição?
Qin Yan percebeu, com clareza, toda a dor contida nessas palavras.
Sobressaía nelas, sobretudo, resignação e amargura.
Sua mãe, julgando que ambos estavam condenados à morte no dia seguinte, decidira transformar aquela noite no último jantar, preparando todos os seus pratos prediletos, permitindo-se até mesmo beber consigo — quanta ternura havia nisso!
— Mãe...
Uma onda de angústia subiu-lhe à garganta, embargando sua voz.
Ao mesmo tempo, uma fúria dolorosa e indomável irrompeu em seu peito, traduzindo-se em um ódio feroz que lampejou em seu olhar, ocultando-se no íntimo do coração.
Xiao conteve as lágrimas com grande esforço, fitando-o com desvelo:
— Não tema, filho. Enquanto estivermos juntos, pouco importa se amanhã descermos juntos ao submundo; ao menos reencontraremos teu pai.
— Se este é o desígnio do Céu, aceitemos.
O destino é mesmo assim?
Que destino ignóbil!
Ainda que o mundo inteiro se resignasse, Qin Yan jamais o faria.
Amanhã, ele reagiria com todas as forças, destruiria os planos e as ambições de Qin Dinghui e seu filho.
O que lhe pertence, ninguém tomará — nem mesmo os céus.
Quem ousar humilhá-lo ou oprimi-lo, pagará com a morte!
A raiva fervia em seu coração, os punhos cerrados em silêncio.
No grande ritual da família Qin, no dia seguinte, ele mudaria todo o curso dos acontecimentos.
— Filho... — ao ver a fúria refletida no rosto de Qin Yan, Xiao chamou-o, sentida, com doçura.
Ela bem sabia que ele não queria se resignar.
Mas, o que mais poderia fazer?
Com os meridianos destruídos, sem qualquer cultivo, como se opor a Qin Dinghui e seu filho?
Seria como lançar um ovo contra uma rocha — haveria outro desfecho?
Ai de mim!
Ela não temia a morte, mas seu filho, Qin Yan...
Destino, este é o destino!
Subitamente, Qin Yan olhou para Xiao com uma sinceridade profunda:
— Mãe, não se preocupe. Nada nos acontecerá.