Capítulo 3 An An é seu filho

Tahun 80-an Mengasuh Anak: Si Cantik Dingin Disayang Habis-habisan oleh Jenius Ilmuwan! Jeruk Abao 3201kata 2026-03-11 14:39:37

— Shen Ping’an? — Lu Yan ficou surpreso.

Shen Qingyi, porém, não demonstrou qualquer temor em sua voz: — Quem deveria pedir desculpas é o Wang Doudou de vocês, não? Foi ele quem tomou à força o amanteigado de An’an primeiro.

Wang Doudou, chorando, negou: — Não foi! Eu só queria ser amigo dele e pedi um pedaço do amanteigado, mas ele não quis me dar e ainda jogou no granulhado do chão e pisoteou até despedaçar.

Crianças normalmente não mentem. Quando Wang Doudou voltou para casa aos prantos e contou o motivo à avó, até ela achou que o neto estava errado. Porém, à noite, ao saber da história, a mãe do menino se enfureceu. Na sua visão, Shen Qingyi e seu filho deveriam portar-se humildemente, buscando agradar vizinhos de toda sorte. Por algumas bolachas, ousaram levantar a mão para seu filho?

Assim, naquela mesma noite, ensinou o filho a mentir. Afinal, após o escândalo da família Shen, havia muitos indignados no bairro. Bastava que Wang Doudou tivesse um fiapo de razão e mãe e filho Shen seriam soterrados em cusparadas e desprezo.

Mal terminou de ouvir, An’an virou a cabecinha e contestou em voz alta: — Você está mentindo!

— Mentindo em quê? Olha o amanteigado que você pisoteou ainda aí no chão! — apontou Doudou para o piso.

Todos voltaram o olhar na direção que ele indicava, e de fato ali estavam migalhas do amanteigado esfacelado.

Imediatamente, cochichos se espalharam:

— Que criança malcriada!

— Tão pequeno e já assim, prefere destruir do que dividir com os outros...

O rostinho de An’an corou de raiva, desejava retrucar, mas diante de tanta gente, não sabia a quem responder primeiro. O homem que o carregava sentiu o corpo frágil tremer, afagou-lhe os cabelos para acalmá-lo.

Shen Qingyi permanecia serena, e declarou, tranquila: — O amanteigado era do meu filho. Se ele quer jogar fora ou dividir, é direito dele. Por que ninguém pergunta por que ele preferiu jogar fora a dar para Doudou?

— E por quê? — alguém questionou.

— Porque Wang Doudou não só tomou à força o que era do meu filho, como ainda o xingou de bastardo. — Ao pronunciar tais palavras, Shen Qingyi sentiu um aperto no troco, mas continuou: — Então, afinal, quem é o malcriado aqui?

A mãe de Doudou não esperava tamanha firmeza de Shen Qingyi. Com veneno na voz, zombou:

— Ora, se nem a família Lu reconhece, não é mesmo um bastardo? Nem se divorciaram e já traz homem para casa. Quer falar de socieducação conosco? Meu Doudou é filho legítimo, tem mãe e pai, sabe o que deve e o que não deve fazer.

Queria, de fato, insultar também o homem que carregava An’an, mas, ao notar sua postura distinta, as roupas, o relógio no pulso, o automóvel ao fundo — tudo a indicar origem incomum — preferiu voltar-se contra viperinamente Shen Qingyi, insinuando que seu filho teria mãe, mas não pai.

Crueldade, nada menos.

Xia Xiyue franziu o cenho, apertou An’an em seus braços e, voltando-se para a mãe de Doudou, replicou:

— Minha senhora, cuidado com as palavras. Tem provas de que este “estranho” é alguém indigno? Ou será que, na sua casa, todos, exceto seu marido, são “estranhos” quando passam por sua cama? Se insistir em, difamar, irei procurar seu chefe para resolvermos.

A mãe de Doudou bufou, espumando de raiva. Mas que atrevimento desse homem! Berrou:

— Se An’an não fosse bastardo, a família Lu teria posto mãe e filho na rua? Todo o bairro sabe! Se houvesse mal-entendido, o pai já teria vindo explicar, não precisava esse estranho defendê-los.

— Quem disse que An’an é bastardo? Ele é meu filho. — Uma voz grave e gélida soou, abrindo alvoroço entre os presentes.

Lu Yan lançou um olhar a Xia Xiyue, que segurava An’an, e pousou o olhar frio sobre a mãe de Doudou:

— Eu sou Lu Yan, o pai de An’an!

Shen Qingyi, ao ouvir a voz familiar e tal declaração, ficou imóvel. Ao erguer os olhos, viu apenas suas costas.

Naquele pátio, poucos haviam visto Lu Yan, mas todos conheciam o nome: campeão estadual, engenheiro-chefe de um projeto nacional. Com ele próprio se declarando, ninguém ousou duvidar.

Aproveitando o breve silêncio da multidão, Lu Yan tirou do bolso alguns caramelos Da Bai Tu, aproximou-se de Doudou, agachou-se e, com tapinha gentil, propôs:

— Se você contar a verdade, Doudou, peço à tia que não cobre explicações e ainda lhe dou esses doces.

Uma criança de quatro anos não resistiria a tal tentação. Olhando para o elegante e afável “tio”, Doudou confessou de imediato: — Fui eu que tomei o amanteigado do An’an! E xinguei ele também...

A confissão reacendeu os rumores entre os presentes. Lu Yan depositou os caramelos nas mãos do menino.

Os doces ele comprara especialmente, antes de vir, junto de um brinquedinho, planejando presentear na primeira visita.

Doudou agarrou os doces, mas, ao cruzar o olhar assassino da mãe, escapuliu e sumiu pela multidão.

— Meu Deus, tão pequeno já mente assim...

— Xingamento desse tipo, só pode ter ouvido dos adultos!

— Que absurdo!

— Quem diria, An’an é mesmo filho do Lu Yan.

— Que injustiça da família Lu, expulsar mãe e filho por um motivo tão vil...

— Primeira vez que vejo Lu Yan. E não é que o menino se parece mesmo, boca avermelhada, dentes brancos, muito bonito...

Tudo sucedeu tão rápido que a mãe de Doudou mal teve tempo de reagir; o filho a desmascarou sem piedade.

Com o rosto alternando entre rubor e palidez, forçou um sorriso para Shen Qingyi:

— Perdão, não imaginei que o menino fosse capaz de me enganar. Vou corrigi-lo em casa.

E saiu correndo, sem olhar para trás.

Todos olhavam agora curiosos para Lu Yan.

Ao se virar, Shen Qingyi finalmente o viu. O macacão azul realçava sua figura esguia e imponente, traços belos como outrora.

Shen Qingyi, por sua vez, já não era a mesma jovem ingênua de quatro anos atrás. O rosto pequeno perdera o ar infantil, o queixo tornara-se ainda mais delicado, beleza translúcida. Ao vê-lo, seus grandes olhos amendoados se arregalaram por um instante, logo retornando à calma.

O vento desfez algumas mechas junto à fronte, uma delas roçou seus lábios rubros e fartos. Shen Qingyi, num gesto gracioso, recolheu o cabelo atrás da cena e, com frieza cortês, convidou:

— Entremos para conversar.

O homem que segurava An’an foi surpreendido pela cena, mas logo pousou o menino no chão e disse a Shen Qingyi:

— Conversem. Eu me despeço por aqui.

E a An’an: — O tio Xia volta para te ver outro dia.

Shen Qingyi assentiu, e An’an acenou docilmente.

Olhou ainda para Lu Yan; aquele tio lhe parecia tão afável e inteligente — bastou uma palavra para que Wang Doudou admitisse o erro. Contudo, a mamãe parecia pouco contente ao vê-lo. Só lhe lançou um sorriso disfarçado, antes de correr para junto de Shen Qingyi e pegar-lhe a mão.

Já dentro de casa, Shen Qingyi convidou Lu Yan a sentar-se, e ela própria retirou-se ao quintal.

Lu Yan sentou-se, algo constrangido, numa cadeira de madeira recém-pintada de branco.

Ergueu os olhos e percebeu que a sala de estar mudara desde os tempos em que o professor vivia ali: antes, simples e austera, agora exalava calor e delicadeza.

Sobre o móvel verde-claro repousava uma televisão preta-e-branca de quatorze polegadas; na mesinha de centro, uma toalha xadrez azul e branca e um vaso de vidro transparente.

No vaso, uma pequena haste de hortênsias azul-claras.

A mesa de jantar branca reluzia de limpeza; a luz do sol filtrava-se pela sensa, criando uma atmosfera de serenidade e conforto.

Lu Yan sentiu um alívio discreto; ao menos, soube, Shen Qingyi vivera relativamente bem nos últimos anos.

Quando ela retornou, trazia um copo d’água nas mãos. Estendeu-o a Lu Yan:

— Não há chá em casa, aceite isso por ora.

Ele recebeu:

— Obrigado.

Shen Qingyi, já antevendo o motivo da visita, hesitou e então disse:

— Quero pedir desculpas pela decisão de meu pai à época. Fomos egoístas. Agradeço por hoje reconhecer An’an.

A voz era suave, mas impregnada de distância e frieza.

Lu Yan recordava-se: naquela noite, ela não era assim. Por um instante, tivera a impressão de que ela o amava.

— Qingyi, quem deve desculpas sou eu. Desde o primeiro instante em que vi An’an, soube que era meu filho. Foram anos de sofrimento para você e para ele. — Lu Yan tremia ao dizer tais palavras.

Shen Qingyi baixou as pestanas e, só após longa pausa, murmurou:

— Isso tudo já passou.

De fato, entre eles não havia muito que dizer. Antes, quando Lu Yan visitava sua casa, era para refeições rápidas ou discussões acadêmicas com o pai — com ela, mal trocara palavras.

O ambiente pouco a pouco tornou-se constrangedor, até que, por fim, Lu Yan falou:

— Em nome dos meus pais, peço desculpas. Assim que eu me estabilizar no trabalho, trarei meus pais de volta. Você e An’an podem retornar, e nunca mais permitirei que algo assim aconteça.

Compreendia perfeitamente a atitude de Shen Qingyi; ele era o culpado.

Ela, atravessada por todo tipo de humilhação, tivera seu orgulho e dignidade destroçados, e o coração já se encontrava polido pelo tempo.

— Na verdade, agora está bom assim. Não devemos nada um ao outro. Que tal deixarmos o passado para trás? An’an logo irá para o jardim de infância; assim que resolvermos o registro, poderemos nos divorciar. — Sua voz era calma, até com certo tom de negociação.

Ao ouvir isso, Lu Yan sentiu um peso esmagar-lhe o peito, quase sem ar.

Olhou para An’an, que espreitava-o por trás da porta, e, tomado por um impulso, disse:

— Inclua An’an no meu registro. Assim ele pode estudar de graça no jardim de infância do instituto.

Shen Qingyi sorriu, gentil, mas a voz foi firme:

— An’an se chama Shen.

Lu Yan silenciou. De fato, não tinha direito de exigir que o filho carregasse seu sobrenome. Jamais cuidara um dia sequer dele; sequer sabia de seu nascimento. Assim, acenou com a cabeça:

— Está bem. Mas não concordo com o divórcio.