Capítulo 4 Companheiros de Infância
沈 Qingyi ficou momentaneamente atônita, logo ouvindo-o dizer: “Prometi ao professor que cuidaria bem de você!”
Ela sorriu, irônica consigo mesma; já sabia que seria assim, e, ainda assim, há pouco, sentira um fio de expectativa. Baixou os olhos e, em tom sereno, declarou: “Sou plenamente capaz de cuidar de mim e de An’an. Entre nós, não há sentimentos; portanto, não há razão para você se sacrificar.”
O olhar de Lu Yan escureceu, sua mão sobre o joelho vacilou por um instante. “Não há sacrifício algum. Se realmente não quiser mais estar comigo, espere até encontrar alguém adequado e então conversamos sobre isso.”
“Está bem!” Qingyi não desejava prolongar o impasse, afinal, encontrar alguém adequado dependia apenas dela; respondeu prontamente: “Se algum dia você tiver um tempo livre, traga um comprovante, assim poderei registrar An’an no cartório.”
Lu Yan assentiu, lançou um último olhar a An’an, pousou a xícara de chá sobre a mesa, aproximou-se do menino e se agachou diante dele, pronto para falar. Contudo, An’an lhe lançou um olhar severo e escondeu-se atrás de Qingyi.
Ele era, afinal, o pai—um homem mau que os abandonara, a ele e à mãe, durante quatro anos, sem uma palavra. E pensar que há instantes An’an até gostara um pouco dele.
Lu Yan permaneceu imóvel, só após um longo silêncio ergueu-se e disse a An’an: “Papai virá te ver da próxima vez.”
An’an hesitou, olhou para Qingyi, mas não respondeu.
Lu Yan suspirou levemente, como se se despedisse de Qingyi: “Amanhã começo no novo emprego, só terei tempo à tarde para vir.”
“Entendido.”
Lu Yan retirou do bolso um pequeno robô, aproximou-se de An’an: “Papai preparou um brinquedo para você. Quer vir ver?”
Os olhos escuros de An’an cintilaram; ele segurou a mão de Qingyi, não se moveu, tampouco disse palavra.
Lu Yan não demonstrou contrariedade; deixou o brinquedo sobre a mesa e, novamente, dirigiu-se a An’an: “Papai virá te ver amanhã.”
Somente após Lu Yan sair, An’an soltou a mão de Qingyi, e com cautela explicou: “Só vou olhar, não vou brincar!”
Qingyi acariciou a cabeça do filho: “Se quiser brincar, vá lá!”
Lu Yan retornou, desolado, ao alojamento dos funcionários.
Mal chegara à porta, ouviu risos vindos de dentro da casa.
Ao entrar, todos os olhares se voltaram para ele.
Lu Yan viu Chen Haixia cercada pela família no centro da sala, acenou-lhe levemente com a cabeça, como um cumprimento.
Qian Guihua, ao vê-lo tão apático, puxou-o para sentar-se ao seu lado: “Onde esteve tão cedo? Haixia esperou por você um bom tempo, venha sentar-se.”
Chen Haixia sorriu: “Tia, vim especialmente vê-los, quem disse que estou esperando por ele?”
Qian Guihua franziu o cenho: “Eu já tenho idade, não há nada de interessante em mim. Mas você e Lu Yan saíram do mesmo vilarejo, embora não tenham ingressado na mesma universidade, agora trabalham no mesmo órgão e vieram juntos para cá. Não é mesmo um destino auspicioso?”
Apesar de não ser sensível às questões entre homens e mulheres, Lu Yan percebeu o excesso nas palavras de Qian Guihua e advertiu, sério: “Mãe, não fale assim. Se prejudicar a reputação de Haixia, será lamentável.”
Chen Haixia apressou-se a amenizar: “Lu Yan, tia Qian está apenas brincando, não me importo.”
Lu Yan silenciou, prestes a se retirar para o quarto, mas foi novamente detido por Qian Guihua: “Raramente você volta, não pode sentar e conversar um pouco com a mãe? Que falta de atenção.”
Lu Yan acomodou-se numa cadeira, com expressão grave: “Sobre o que quer conversar?”
Seu ânimo não era dos melhores.
“Você saiu cedo hoje, encontrou aquela moça?”
A pergunta fez Chen Haixia endireitar-se, atenta.
Lu Yan respondeu com indiferença: “Encontrei.”
Qian Guihua prosseguiu: “Como foi a conversa?”
“An’an é meu filho. Assim que eu preparar a documentação e registrá-lo, trarei mãe e filho para cá.”
A declaração ressoou como um trovão nos ouvidos de todos.
Especialmente para Chen Haixia, que pensara que o objetivo era pedir o divórcio; como poderia resultar nisso? Olhou incrédula para Qian Guihua.
Qian Guihua também ficou aflita: “Lu Yan, será que os estudos te deixaram tolo? Sei que o professor Shen foi bondoso com você, mas você já retribuiu; se entregar a sua vida por isso, não vale a pena.”
Não é à toa que dizem que quem estuda demais vira um tolo; ele realmente parecia um.
“Retribuí de que maneira?” Lu Yan questionou, de súbito, em tom grave; ao lembrar que a mãe, em sua ausência, expulsara sua esposa, se não fosse por respeito aos presentes, teria exigido imediatamente que arrumassem as malas e partissem.
Qian Guihua hesitou antes de responder: “Se não fosse pelo seu nome, como ela poderia viver tão bem por aqui?”
Lu Yan percebeu que a mãe não demonstrava nenhum arrependimento em relação a Shen Qingyi; uma sombra de decepção passou por seu rosto, e, de expressão fechada, entrou no quarto.
Deixou Chen Haixia, constrangida, por um longo tempo, sem conseguir retomar o ânimo.
Lu Yan, com essa atitude, não estaria pensando em Shen Qingyi?
Logo, porém, ela negou em seu íntimo; crescera ao lado dele, estudara junto, conhecia bem seu caráter.
Era alguém que só sabia estudar, completamente alheio às questões entre homens e mulheres.
Lembrava-se do ensino médio, quando diversas garotas demonstravam interesse e ele ficava incomodado; ela sugeriu que dissesse ter uma namorada de infância e se ofereceu como escudo. Lu Yan aceitou a ideia e a pôs em prática.
Vendo que funcionava, até lhe agradeceu.
Chen Haixia nunca foi ingênua ao ponto de pensar que Lu Yan gostava dela; se ela ousasse incomodá-lo, ele se irritaria igualmente, indiferente como com qualquer outra.
Temia que, ao ingressar na universidade, ele mudasse de ideia, mas ele continuava usando o mesmo pretexto.
Até que, um dia, ela não pôde evitar e insinuou: “Que tipo de pessoa você pretende se casar no futuro?”
Lu Yan respondeu algo que ela nunca esqueceu: “Alguém que seja normal, em todos os aspectos, basta.”
“Já pensou em quando vai se casar?”
Na época, recém-ingressado no partido, ele refletiu um instante: “Depende das exigências da organização.”
Diante de tal Lu Yan, ela sentia-se segura; afinal, dentre todas as garotas com quem ele convivera, era com ela que mais conversava.
Ninguém imaginava que, pouco após a graduação, Shen Qingyi apareceria e tomaria-lhe a dianteira.
Apesar da mágoa, consolava-se: Lu Yan não a escolhera por amor.
Mas hoje, pela primeira vez, viu Lu Yan defender uma mulher. Sentiu uma pontada de amargura.
Pensando nisso, seu rosto ficou constrangido; apressou-se a levantar: “Tia, lembrei de um compromisso em casa, vou partir.”
“Está bem! Vá com calma, volte outra vez.”
Assim que Chen Haixia saiu, Qian Guihua começou a contar os presentes recém-recebidos: um pote de leite maltado, um pacote de tâmaras vermelhas. Vendo aquilo, toda a irritação causada por Lu Yan dissipou-se completamente.
Ao deixar a casa, o semblante de Chen Haixia desabou; sentia-se inquieta e aborrecida, decidiu ir ao armazém para espairecer.
Ultimamente, admirava alguns modelos recém-chegados à seção de roupas do segundo andar, planejava experimentar antes de adquirir, quando recebesse o salário.
Chegando ao segundo andar, avistou uma figura familiar.
“Senhorita Shen, sua escolha é mesmo refinada! As três peças que acaba de experimentar são as mais procuradas desta temporada, muito populares,” a atendente lhe apresentou com entusiasmo.
E, observando seu traje, qualquer um percebia que era cliente frequente dali.