Exemplo Cinco e Seis: As Virtuosas Causas e Efeitos, o Irmão que Pereceu de Morte Súbita
Exemplo V: A Virtude do Carma (Agradecimentos a Shi Zhenhe pela colaboração)
Nasci no vigésimo dia do quarto mês bissexto; naquele ano, houve, de fato, um quarto mês a mais no calendário lunar, e só celebro meu aniversário lunar a cada muitos anos. Meu corpo, ao vir ao mundo, era de uma debilidade extrema.
Quando nasci, sequer sabia chorar; minha pele tinha o mesmo tom pálido e desolado das paredes – uma brancura cadavérica. Mal conseguia respirar, ou, nas palavras de minha avó, eu estava sufocado, sem cor no rosto. Ao nascer, pesava pouco mais de dois quilos. Os mais velhos diziam que assim são aqueles que "furtam o nascimento", ou seja, que cruzam furtivamente o umbral da vida. Gente de destino duro, marcada por grandes sofrimentos.
Tristemente, eu não sabia mamar; não compreendia o seio materno, e nos primeiros sete dias de vida sobrevivi alimentando-me apenas de água açucarada.
Depois, as adversidades se multiplicaram: chorava dia e noite, e se porventura houvesse um só intervalo de dez minutos sem choro, todos se alegravam imensamente. Minha família recorreu a métodos populares, como afixar amuletos nos postes de eletricidade, mas nada surtiu efeito.
Mais tarde, trouxeram um "grande médium" para tomar-me o pulso. Diziam que este possuía verdadeira sabedoria e afirmou que, em vida passada, eu fora um rapaz que atava cavalos no Céu, e que desci à Terra furtivamente, contrariando as leis celestiais. O médium negociava com os superiores celestes; segundo meus pais, a atmosfera era aterradora, como se duas vozes se alternassem, ininteligíveis.
Disse o médium que, por transgredir os preceitos superiores, teria de queimar um substituto em meu lugar, pois meu destino era de provações, e que, aos três anos, uma cicatriz deveria marcar meu olho.
Assim foi feito: queimaram o substituto, e desde então cessei o choro.
Aos três anos, ao brincar com um carrinho de madeira, realmente acabei por ferir a pálpebra; carrego, até hoje, uma cicatriz profunda. Minha saúde, porém, permaneceu frágil, sempre entre hospitais, acometido de toda sorte de enfermidades – coqueluche, prolapso retal, febres que chegaram a 42 graus – mas, de algum modo, sempre escapava das garras do destino.
Diversos adivinhos diziam o mesmo: que, no mundo invisível, tudo já está selado, cada acontecimento tem sua razão e medida. Se desafias as leis do destino, deves sofrer as devidas consequências. Assim foi quando, em criança, cobicei e comi, às escondidas, alimentos destinados a oferendas: tive uma diarreia tão intensa que cheguei à desidratação.
Os anciãos costumam dizer: cada pessoa traz, ao nascer, os desígnios que lhe cabem. Tudo é fruto do carma! Se alguém deseja modificar sua sorte, só há um caminho: praticar o bem. Quem cultiva o bem jamais será abandonado pelo Céu e, no fim, colherá a ventura!
Portanto, a vós que ledes estas linhas, se vossa sorte foi adversa desde o início, crede no poder do carma e apressai-vos em praticar o bem, transformando, assim, o rumo de vossas vidas.
Permitam-me relatar ainda um outro episódio, jamais antes confidenciado. Até hoje, não sei discernir se foi sonho ou realidade; se sonho, por que tão vívido? Se real, por que sem consequências tangíveis?
Aconteceu quando eu mal começara a falar. Dormia sempre entre meus pais, na casa em que vivíamos, de arquitetura semelhante às antigas moradias laterais. Na parede, havia um grande relógio de pêndulo, e eu, criança, sempre pressentia algo estranho naquela direção, embora não pudesse afirmar com certeza, sentindo apenas um temor difuso.
Certa noite, já adormecido, despertei sobressaltado. Na escuridão, percebi algo descendo do relógio: uma figura negra, que parecia sentada em alguma coisa. No início, era pequena e permaneceu junto à janela; depois, por razões que desconheço, aproximou-se de mim e tocou minha coxa com uma mão peluda. Após algum tempo, desapareceu. O susto foi tão grande que não ousei sequer respirar; quis pedir ajuda aos meus pais, mas estava paralisado, incapaz de mover um músculo sequer.
Nunca contei esse episódio, mas agora, ao recordar, registro-o aqui. Não me trouxe sequelas, mas, devido à minha fragilidade, sempre atraía essas ocorrências: ora me assustava, ora adoecia. Nesses momentos, minha mãe recorria a envelopes contendo talismãs para aprisionar as almas errantes; queimava-os, e então eu melhorava.
Lembro-me de tudo, pois minha memória remonta à primeira infância. Ainda hoje, ao recordar, sinto certo temor. Com o passar dos anos, tais episódios não voltaram a acontecer.
Os mais velhos sempre diziam: enquanto o coração for reto, mesmo que o corpo seja frágil, nenhum espírito ousará aproximar-se. Um fantasma jamais se aproxima sem motivo; se o faz, é porque há alguma dívida, ou porque deseja que se cumpra alguma tarefa em seu nome.
Talvez, ao ler este relato, alguns sintam que seu desfecho destoa do início. Contudo, o amigo Shi Zhenhe, ao compartilhar estas histórias, deseja apenas incitar à prática do bem, a fazer o máximo de boas ações, e nada mais.
Exemplo VI: O Irmão que Morreu Tragicamente (Agradecimentos a Shi Zhenhe pela colaboração)
Foi no ano de 2007. Meu primo, filho da minha tia, por razões desconhecidas, atirou-se do alto de um edifício, pondo fim à própria vida de modo terrível – dizem que seu crânio se partiu na queda.
Como na época eu morava longe e não tinha celular, minha família não conseguiu avisar-me a tempo, e perdi o funeral. Esse fato ficou como uma ferida em meu coração; sentia-me em falta com meu primo, que fora meu melhor companheiro de infância, pois, sendo de natureza reservada, nunca fui afeito a grandes círculos de amizades.
Desde sua partida, parece que tudo começou a dar errado para mim: fracassos constantes no trabalho, infortúnios de toda espécie, a ponto de cuspir e sujar minha própria roupa. Restava-me apenas resignar-me, sentindo saudades de meu primo, imaginando como seria tê-lo ao meu lado para enfrentar as adversidades, ao invés de suportar a solidão e não ter a quem desabafar.
Nos últimos dois anos, passei a sonhar repetidamente com ele, sempre no meio da noite. Os sonhos eram tão vívidos que me despertavam, e ao olhar o relógio, invariavelmente eram duas ou três da manhã.
Numa dessas noites, vi meu primo com nitidez: ele viera brincar comigo, parecia estar diante de um computador. Disse-me: "Irmão, vim te ver. Minha alma ainda está presa à escola, não posso sair facilmente." Respondi: "Quer que eu faça um ritual para libertar-te?" Ele respondeu: "Não precisa, irmão, estou bem assim, posso vir brincar contigo todos os dias." Então, despertei abruptamente.
A partir desse momento, comecei a temer. Somando-se aos infortúnios diurnos, decidi que não podia mais suportar sozinho e resolvi conversar com minha mãe.
Ao amanhecer, relatei-lhe os sonhos e os infortúnios que me afligiam. Ela chamou minha tia – uma médium de prestígio – que me disse: "Sobrinho, ele está sempre à tua frente, bloqueando teu caminho. Por ter morrido de morte trágica, não pôde reencarnar e te segue constantemente."
Ao ouvir tais palavras, senti um frio cortante, como se mergulhasse num abismo de gelo.
Minha tia, então, ensinou minha mãe um ritual de libertação: deveriam ir a uma encruzilhada, de frente para o oeste, queimar certos objetos específicos, sem olhar para trás e sem nada dizer, retornando direto para casa; ao entrar, bater os pés três vezes e assim concluir o ritual.
Meu pai e minha mãe, às pressas, compraram todos os itens necessários numa loja funerária, e, em plena luz do dia, realizaram a cerimônia. Minha tia não permitiu que eu acompanhasse, então fui tratar de outros afazeres.
Logo após o ritual, senti-me estranho: pedalava para entregar algo a um colega e, de repente, uma fraqueza tomou conta de meu corpo, suores frios irromperam e, já tonto, consegui bater à sua porta antes de desmaiar, caindo ao solo sem sentidos.
Meu amigo assustou-se sobremaneira, ligou imediatamente para minha família. Felizmente, foi minha tia quem atendeu, tranquilizando-o: bastava que eu repousasse um pouco, pois logo viriam buscar-me. Aliviado, disse que quase chamara uma ambulância.
Meia hora depois, recuperei-me por completo, sentindo a mente mais clara. Minha tia explicou: esse mal-estar era resultado do ritual; ao libertar o espírito de meu primo, aquilo que me oprimia se foi de súbito, tornando o corpo vulnerável – um fenômeno esperado, superado com repouso.
Desde então, nunca mais sonhei com meu primo! Espero, de coração, que ele possa, enfim, dissolver seu ressentimento e renascer em breve.
Minha condição financeira não permite rituais maiores em seu favor; o que posso fazer é, quando vou ao templo, lembrar-me dele nas orações durante as cerimônias.
Assim concluo este relato, agradecendo sinceramente ao amigo Shi Zhenhe por compartilhar sua experiência. Por não ter conseguido dialogar com ele em detalhes, talvez meu relato careça de precisão; peço a compreensão de todos!
Dica amiga de Shi Zhenhe: Não carregue no coração constante saudade dos que partiram, pois isso pode atraí-los para junto de si, tornando a vida turva e repleta de infortúnios! Não busque, desnecessariamente, médiuns para atravessar o mundo dos mortos apenas para rever entes queridos. Vida, velhice, doença e morte são partes do ciclo do carma e da reencarnação. Basta, de tempos em tempos, honrá-los com pequenas oferendas. Invocar os mortos desgasta tanto o espírito do ritualista quanto o do consulente, e o resultado não compensa. Mesmo que alguém deseje trazer de volta o espírito de um ente querido, o custo é altíssimo – e, se a alma já reencarnou, tudo será em vão. Para quê, então, insistir?