Capítulo 005: Cooperação (Peço que adicionem aos favoritos~ Peço votos~)

Penyelidikan Melintasi Ruang dan Waktu Salju bersalah. 5029kata 2026-03-13 14:47:09

Não se sabe quanto tempo se passou naquele torpor indistinto, mas, por fim, Xu Can abriu lentamente as pálpebras pesadas, deitado sobre o leito da cela de detenção do Departamento de Anomalias. Para lá das grades de ferro, o sol resplandecia em seu auge; era pleno meio-dia, indício de que Xu Can dormira por mais de dez horas.

No exato instante em que despertou, um aroma convidativo de macarrão instantâneo invadiu-lhe as narinas.

“Meu caro, finalmente acordou.”

“Pensei que tivesse morrido dormindo!”

A voz familiar soava-lhe ao ouvido. Xu Can massageou as têmporas, apoiou-se e sentou-se na cama, deparando-se com Jiang Shen, que engolia avidamente o macarrão fumegante. O estômago de Xu Can, privado de alimento por tantas horas, rugiu de imediato.

Instintivamente, Xu Can perscrutou o recinto: ainda se encontrava na cela do Departamento de Anomalias, um lugar de mobiliário espartano, contendo apenas uma pequena mesa para refeições e escrita, e a cama. No dia anterior, após ser conduzido por Lu Kai, o investigador, adormecera profundamente, só despertando agora.

“Chamaram você para depor?”

*Slurp—*

Após tudo o que sucedera na véspera, Xu Can mostrava-se notavelmente mais calmo; ergueu-se e, sem hesitar, arrancou das mãos de Jiang Shen o recipiente do macarrão, sorvendo um par de bocados com avidez.

“Você virou suspeito de crime, é claro que me chamaram.”

“Ontem quase me urinei de medo, pensei mesmo que fosse um assassino em série. Faltou só acender dois incensos, agradecendo por não me matar.”

Jiang Shen, interrompendo o discurso, tateou instintivamente o bolso, só então percebendo que esquecera os pirulitos, praguejando:

“Droga! Saí tão apressado que não trouxe pirulitos.”

Xu Can, enquanto devorava o macarrão, revirou os olhos, pensando quão impróprio era brincar naquela situação. Contudo, Jiang Shen sempre fora assim: apesar de três anos mais velho que Xu Can, jamais aparentou tal maturidade.

“O que você disse ontem à noite?”

Jiang Shen deu de ombros, sentado à beira da cama, e respondeu:

“Você não é o culpado, então falei a verdade, claro. Mas, afinal, qual é a situação? Ouvi dizer que você foi visto na cena do crime — confirmaram que era mesmo você?”

Xu Can ergueu o olhar, recordando as cenas do dia anterior, e assentiu com gravidade:

“Sim, era eu. Nem troquei de roupa, estava exatamente assim.”

Diante da confirmação, Jiang Shen refletiu por alguns segundos e, então, riu baixinho:

“Ah... Nesse caso, é provável que o Departamento venha até você em breve.”

Xu Can terminou o último fio de macarrão, olhou para Jiang Shen e perguntou:

“Você acha que o S.C.I. vai me convocar para resolver o caso diretamente na cena do crime?”

A expressão de Jiang Shen tornou-se gradualmente séria:

“Quase certeza que sim. Ou então, explique-me por que estava lá. E, a bem da verdade, só assim você poderá limpar seu nome. Se o Departamento não encontrar outra pista, você será o principal suspeito, com provas irrefutáveis.”

“Vulcão, você bem sabe...”

Xu Can percebeu o olhar de Jiang Shen e sentiu um peso no peito, pois compreendia perfeitamente o que o outro queria dizer. Nada sabiam sobre os métodos do Departamento de Anomalias. Só por esse indício já seria suficiente para sentenciá-lo à morte e acalmar a opinião pública. Xu Can poderia gritar mil vezes sua inocência; diante de provas irrefutáveis e da manipulação da mídia, quem haveria de acreditar nele?

Casos de crimes envolvendo habilidades sobrenaturais diferem, em essência, dos crimes comuns: as provas servem apenas como referência parcial.

“Se o Departamento pedir minha colaboração, certamente colaborarei.”

Jiang Shen demonstrou certa apreensão:

“Você aguenta?”

Xu Can sorriu amargamente:

“Se não aguentar, terei de aguentar.”

Jiang Shen conhecia bem a habilidade de Xu Can — viajar no tempo e espaço. Quanto mais distante o tempo, mais longo ele poderia permanecer no passado, com maior estabilidade na travessia temporal e menor o efeito colateral sobre sua mente. Mas, se precisasse retornar há poucos dias, como três ou cinco, sua habilidade não suportaria por muito tempo e a exaustão mental seria extrema, por motivos que Xu Can ainda não compreendia por completo. Por isso, ao aceitar missões sob o codinome "Profeta" nos sites de paranormais, Jiang Shen era extremamente criterioso, e a frequência dos trabalhos caíra drasticamente.

...

No gabinete do chefe, Li Wu caminhava vagarosamente, absorto na análise do caso.

De súbito, a porta se abriu.

— Clac.

“Chefe, está tudo pronto.”

Lu Kai, trazendo um maço de documentos, entrou e reportou-se a Li Wu. Jovem investigador talentoso e de confiança, Lu Kai trazia ainda o legado do pai, que fora antes agente do S.C.I.

Li Wu assentiu levemente, e então indagou:

“Houve progresso na investigação?”

Lu Kai abriu os arquivos e passou a relatar:

“Sim. Confirmamos que Chen Lei, Jiang Mingyue e Zheng Ying, as três vítimas, destruíram lares alheios.”

O semblante de Li Wu tornou-se ainda mais severo:

“Continue.”

“Chen Lei era secretária do grupo Luhua. Descobrimos que mantinha um caso ilícito com o gerente geral, Qian Ning, e o imóvel em seu nome foi presente dele.

A segunda vítima, Jiang Mingyue, universitária do segundo ano, também era sustentada por um homem — o diretor Yao Yueqiang, da Universidade Jianghai.

A terceira vítima, Zheng Ying, frequentava bares habitualmente, de vida dissoluta.”

Li Wu, apoiando-se à mesa, acendeu um cigarro enquanto ouvia o relatório.

“Investigamos e interrogamos Qian Ning, Yao Yueqiang e seus familiares. Praticamente descartamos a hipótese de crime por encomenda, não encontramos indícios.

Sobre a terceira vítima, Zheng Ying, sua vida é tão desregrada que a equipe de Fang ainda está investigando, mas será difícil obter resultados imediatos.

Chefe, acredito que, mais uma vez, o assassino atua como um ‘Justiceiro’, talvez motivado por vingança após ter seu lar destruído.”

A alcunha “Justiceiro” designava, naquele tempo, indivíduos dotados de habilidades sobrenaturais que, descrentes da justiça, assumiam para si o papel de punir os maus por meios próprios. O surgimento dos poderes especiais desestabilizara a ordem urbana, tornando difícil para cidadãos comuns enfrentarem tais indivíduos. Por um lado, estes justiceiros aumentavam o custo dos crimes para o homem comum.

Exemplo disso foi o célebre “Caso Justiceiro”, em que um notório criminoso, recém-liberto após cumprir longa pena, foi assassinado por um misterioso justiceiro, gerando debates calorosos na internet. Parte dos internautas celebrou o acontecimento, pois o criminoso não demonstrava arrependimento. Outros, contudo, condenaram tal ação, por violar o Pacto dos Paranormais.

De qualquer modo, o surgimento desses indivíduos reduziu drasticamente o índice de delitos cometidos por pessoas comuns.

Trriiim, trriiim—

Ao tentar dizer algo, Li Wu foi interrompido pelo toque do telefone em sua mesa.

Vendo o número, atendeu imediatamente, assumindo expressão grave:

“Alô? Tio Kang, novidades?”

Do outro lado, era Chen Jikang, subchefe do Sétimo Grupo Paranormal, homem de mais de quarenta anos, um dos decanos do setor. Estava no quartel-general, pleiteando prazos para solução dos casos do distrito de Luohe, que atraíam máxima atenção da central do S.C.I.

“Sim... sim... Entendi. Obrigado.”

Li Wu respondeu repetidamente e, ao desligar, permaneceu com a mão crispada.

“Chefe, o que disse Tio Kang?”

Li Wu franziu o cenho:

“No máximo, cinco dias.”

Chen Jikang empenhara sua reputação para garantir ao grupo cinco dias para desvendar o caso. Mas Luohe não era um bairro abastado repleto de câmeras; investigar ali era árduo, ainda mais diante de um assassino astuto, com alta consciência anti-investigativa.

“E Xu Can?”

“Já despertou, ainda na cela.”

“Traga-o para falar comigo.”

“Sim, senhor.”

...

De qualquer perspectiva, a palavra de Xu Can não bastava para inocentá-lo. O Sétimo Grupo Paranormal sempre pautou-se pelo princípio de “não condenar um inocente, nem poupar um culpado”; jamais sentenciariam Xu Can apenas para aplacar a opinião pública, pois isso seria deixar o verdadeiro criminoso impune, correndo o risco de novos crimes e desmoralizando o próprio grupo.

Após uma conversa reservada com Luo Dongyang, Li Wu estava ainda mais convencido da inocência de Xu Can. Se o destino o conduzia de volta à cena do crime, e isso podia ajudar diretamente a investigação, Li Wu não via razão para opor-se.

“Chefe, ele está aqui.”

“Certo.”

A porta do gabinete se abriu e Xu Can entrou, ainda com o colar inibidor de poderes, mas sem surpresa no olhar.

“Sente-se, não precisa de formalidades.”

Li Wu serviu-lhe água e apontou para a cadeira diante da mesa.

Xu Can acomodou-se e Li Wu deslizou um dossiê, contendo todos os detalhes do assassinato.

“Xu Can, o Departamento deseja sua colaboração.”

“Para capturar o verdadeiro culpado e limpar sua reputação.”

Li Wu foi direto.

“De acordo. O que devo fazer?”

Xu Can sequer hesitou; ainda na cela, sabia não haver outra escolha senão cooperar.

“Leia primeiro o material do caso.”

Xu Can inspirou fundo, lutando contra o cansaço mental, e folheou os arquivos repletos de imagens sangrentas e análises do crime.

Era a primeira vez que se deparava com imagens de cadáveres em condições tão brutais, o que lhe provocou náusea física.

Página após página, Xu Can começou a compreender o todo das três ocorrências.

“Então é assim...”

Ao analisar os locais dos crimes e a geografia ao redor, Xu Can pôde deduzir por que escolhera a cena do terceiro assassinato, o de Zheng Ying, para realizar a travessia temporal.

Vendo-o terminar a leitura, Li Wu indagou:

“Antes de traçarmos um plano, quero entender melhor sua habilidade.”

“Sinta-se à vontade para perguntar.”

“A história é inexorável?”

“Por exemplo, se o Departamento decidir não cooperar com você, você ainda apareceria na cena do crime?”

Diante da dúvida, Xu Can balançou a cabeça, resignado:

“Não sei. Pelo que entendo, talvez sim.”

Li Wu, ao perceber a falta de certeza, não insistiu e prosseguiu:

“Há tabus na travessia temporal?”

“É impossível transportar objetos?”

Xu Can refletiu:

“Tabus... Não há restrições, mas quanto mais próximo o tempo de agora, maior o desgaste para mim.”

Ao ouvir isso, Li Wu lembrou-se de como Xu Can, ao comprovar sua habilidade, evitara mostrar fotos recentes do celular, preferindo uma imagem de oito meses atrás; pensou consigo mesmo: “Agora entendo.”

“Quanto a objetos... Fora minhas roupas, nada mais pode atravessar.”

Xu Can lembrou de tentativas anteriores e sacudiu a cabeça. Nem celular, nem qualquer coisa — nada podia ser levado ao passado. Sobre as roupas, jamais compreendera o motivo; Jiang Shen costumava brincar que era uma regra temporal contra a nudez!

O mesmo valia para trazer objetos do passado. Quanto ao futuro, Xu Can ainda não descobrira meio de viajar: ele dependia de imagens estáticas, e não havia como possuir fotos do futuro.

“Entendo...”

Li Wu assentiu, um tanto lamentando. Se ao menos pudesse levar câmeras ao passado, instalar algumas perto da cena do crime, tudo se resolveria com provas irrefutáveis.

Li Wu confirmou:

“Se for visto pelo assassino na cena, corre perigo?”

Xu Can respondeu com a cabeça:

“Acredito que não; posso retornar a qualquer momento.”

Quanto a alterar o curso da história, Li Wu preferiu não aprofundar; Xu Can tampouco compreendia plenamente.

Diante de tal habilidade, Li Wu sabia que teria de reportar à central do S.C.I. assim que o caso fosse encerrado.

“Muito bem. Preciso que retorne à cena do crime de Zheng Ying!”

...

Do lado de fora do gabinete, Jiang Shen e Lu Kai estavam sentados, conversando sobre as habilidades de Xu Can.

Após constatarem que ele não poderia ser o criminoso, Lu Kai deixara de lado qualquer hostilidade, substituída agora por curiosidade acerca de seus poderes.

A porta do gabinete tornou a se abrir, e Li Wu e Xu Can apareceram lado a lado. Agora, o colar inibidor fora removido do pescoço de Xu Can, que reassumira sua condição normal.

Li Wu atirou as chaves do carro a Lu Kai:

“Lu Kai, dirija até a cena do crime.”

“Sim, senhor!”

Ágil, Lu Kai entendeu de imediato que Xu Can colaborava com o Departamento. Ir ao local, sem dúvida, o ajudaria a familiarizar-se com o terreno.

“E eu?”

Jiang Shen apontou para si, os olhos ansiosos.

“Enquanto o caso não terminar, acompanha-nos.”

Para alguém que conhecia todos os segredos de Xu Can, Li Wu não cogitou dispensá-lo. Além disso, os registros apontavam para um jovem de múltiplos talentos: um prodígio da computação.

Após minuciosa discussão com Xu Can, Li Wu sabia que ele não poderia permanecer muito tempo no local, nem realizar travessias consecutivas. Assim, a escolha do momento, do ponto e do alvo tornava-se ainda mais crítica.

*Bi-bi!*

Ao sair do Departamento, acompanhando Li Wu, Xu Can viu Lu Kai já com o carro à porta. Li Wu tomou o assento do passageiro, Xu Can e Jiang Shen acomodaram-se atrás, e partiram em disparada rumo à cena do crime de Zheng Ying.