Capítulo 8: Uma Introdução à Ciência da Eletricidade
“‘Quando se oferece um presente, certamente há algo a ser pedido’—este antigo dito aponta de maneira bastante clara a essência do ato de presentear. Contudo, mesmo assim, o ‘presente’ mencionado aqui, em termos gerais, refere-se apenas a dádivas relativamente valiosas. Presentes de peso, como o de Yu Weijun, que de uma só vez oferece uma luxuosa mansão, são realmente raros de se ver.
De certo modo, isso também denota as grandes ambições que Yu Weijun nutre em relação a Zhou Ze.
Zhou Ze ficou levemente surpreso, mas sorriu suavemente e disse: ‘Não se recebe salário sem mérito. Se o Jovem Yu deseja me oferecer esta casa... gostaria de saber, afinal, o que espera de mim?’
Desde o momento em que manifestara a intenção de presentear Zhou Ze com a mansão, Yu Weijun não tirara os olhos de suas reações. Para sua surpresa, Zhou Ze não demonstrou exuberante alegria ao aceitar o presente, tampouco recusou-o com temor reverente; pelo contrário, devolveu a questão com uma tranquilidade serena.
‘Hahahaha!’ Yu Weijun soltou uma gargalhada, dizendo: ‘O senhor Zhou, de fato, não é uma pessoa comum! Sendo assim, serei direto... Venham, tragam o que pedi!’
Na verdade, Yu Weijun sentia que o convívio harmonioso com Zhou Ze nos últimos tempos já justificava revelar suas intenções. Por isso, viera preparado; apenas não esperava que fosse Zhou Ze quem puxasse o assunto.
Logo, um dos assistentes de Yu Weijun trouxe uma mochila.
Ao avistá-la, um lampejo brilhou imediatamente nos olhos de Zhou Ze, que semicerraram num gesto instintivo... Era justamente a mochila que trouxera de casa. Diante dela, Zhou Ze já conseguia intuir o motivo do fascínio de Yu Weijun por sua pessoa.
De fato, Yu Weijun abriu a mochila e, sorrindo levemente, justificou-se: ‘Me perdoe, senhor Zhou! Examinei sua mochila sem sua permissão e nela encontrei muitas coisas interessantes. Na verdade, já deveria tê-las devolvido, mas o conteúdo era tão intrigante que não resisti a brincar com ele por mais alguns dias...’
Zhou Ze sorriu com indiferença: ‘Não há problema. Se o jovem Yu gostou, pode ficar com elas. Não valem grande coisa...’
‘Oh?’
Yu Weijun, diante das palavras de Zhou Ze, teve o olhar iluminado e retirou da mochila uma lanterna de choque elétrico, pressionando o botão de descarga.
Faíscas azuis estalaram com um som seco, e nos olhos de Yu Weijun surgiu um desejo intenso. Com voz grave, ele indagou: ‘Senhor Zhou, que artefato é este? Por que libera tamanha energia sem necessidade de força espiritual alguma...?’
‘Bem... isto é um bastão de choque. Essa energia a que se refere... chama-se energia elétrica’, Zhou Ze respondeu após breve hesitação.
‘Energia elétrica?’ repetiu Yu Weijun, visivelmente confuso.
Zhou Ze refletiu e explicou: ‘O jovem Yu já deve ter presenciado tempestades, trovões cortando as nuvens nos céus... aquilo é energia elétrica!’
‘Ah... aquilo é energia elétrica!?’ Com a explicação, Yu Weijun abriu a boca, olhos ardendo de entusiasmo, o rubor nas faces traindo-lhe o estado de espírito.
Observando-o, Zhou Ze já intuía o que se passava. Sorrindo, disse: ‘A eletricidade é uma energia prodigiosa, nascida do próprio Céu e Terra, manifestando-se com força avassaladora, mas efêmera, desaparecendo num instante... Sempre nos maravilhamos com seu poder, mas jamais conseguimos dominá-la. É um pesar, sem dúvida!’
‘Mas... mas esse seu bastão de choque...’, Yu Weijun titubeou, sem encontrar palavras adequadas.
Zhou Ze assentiu com calma: ‘Sim, domino uma técnica que permite controlar a eletricidade com facilidade. Este bastão de choque que vê é, na verdade, um uso bastante trivial. Observe...’
Enquanto falava, tomou a lanterna de choque e acendeu a luz. Embora fosse dia, a intensidade do LED fez Yu Weijun instintivamente levantar a mão para proteger os olhos, ao que Zhou Ze, sorrindo, desligou-a.
‘Se fosse noite, essa luz bastaria para dissipar as trevas. Tanto em interiores quanto ao ar livre, usa-se a eletricidade para iluminar...’, Zhou Ze continuou, dessa vez explodindo numa torrente de palavras, elencando todos os usos da energia elétrica—mover automóveis, aquecer ambientes... força motriz, iluminação, metalurgia, química, têxteis, telecomunicações, rádio, e muitos outros—, enquanto Yu Weijun ouvia, absorto e encantado.
Sem que percebessem, a explicação de Zhou Ze sobre eletricidade já atraíra Jiang Qiaozhi, Ling Yun e Fang Haohui para junto deles.
‘A eletricidade possui aplicações vastíssimas, e seu custo de desenvolvimento, comparado ao dos cristais imortais, é muito menor... Pode-se gerar eletricidade pelo vento, pelo fogo, pela água!’
Ao ouvir isso, Yu Weijun não conseguiu mais conter sua ansiedade: segurou Zhou Ze pela mão, exclamando: ‘Senhor Zhou, pode me ajudar a desenvolver a energia elétrica? Se... se conseguirmos transformar isso em um negócio, poderemos dominar o mundo!’
A reação de Yu Weijun já era esperada por Zhou Ze; não à toa recebera ele tamanho presente—o objetivo era exatamente esse. O que Yu Weijun não contava era que Zhou Ze lhe mostraria um panorama tão grandioso, acabando por prendê-lo em sua própria armadilha.
Zhou Ze ponderou por um instante, assentiu e disse: ‘É possível... mas gostaria de saber, como o jovem Yu pretende cooperar comigo?’
Cooperar?
Ao ouvir a palavra, Yu Weijun ficou perplexo...
Logo, Zhou Ze, Yu Weijun e Fang Haohui recolheram-se ao escritório, restringindo as negociações apenas aos três. A reunião estendeu-se por toda a tarde, e só ao cair da noite Yu Weijun e Fang Haohui se despediram.
Durante todo o trajeto de volta, Yu Weijun permaneceu em silêncio. Fang Haohui, hesitante, quebrou por fim o clima tenso no interior do automóvel:
‘Primo, esse tal Zhou é mesmo insensato... Chegou ao ponto de exigir igualdade contigo!’ Havia um brilho gélido nos olhos de Fang Haohui, mas, vendo Yu Weijun impassível, não pôde evitar a dúvida: ‘Por que concordar com isso? Ainda por cima, ceder-lhe 40% das ações? Se fosse eu...’
‘Se fosse você, o capturaria, torturaria até arrancar-lhe todos os segredos... não é isso?’ Yu Weijun lançou ao primo, de físico robusto e mente simples, um olhar gélido, e resmungou: ‘Acha que Zhou Ze se parece com alguém que perdeu a memória?’
Fang Haohui refletiu e balançou a cabeça.
Yu Weijun sorriu com desdém: ‘Todos conhecem Kunxu, Mozhou, Ziming, Guanghan... e, claro, nossa Kunlun. Mas há ainda um reino secreto chamado Huaxia, sobre o qual poucos sabem! Se não me engano, Zhou Ze veio de Huaxia!’