7. Camarão contra camarão

Desa Nelayan Emas Selongsong Peluru Logam Penuh 2418kata 2026-03-15 14:45:05

Ao Mu Yang assobiou, e o General recolheu o pelo eriçado e voltou correndo, não sem antes lançar um olhar fulminante ao jovem de rosto marcado por espinhas — o aviso em seu olhar era inequívoco.

— Bom cachorro! — alguém elogiou prontamente ao lado.

Ao Mu Yang também percebeu que o General era, de fato, um bom cão. Talvez fosse influência do núcleo demoníaco; ele era surpreendentemente obediente e inteligente, e seu aspecto melhorava a cada dia — hoje, parecia até mais vigoroso do que ontem.

Chegou um freguês, e o jovem de rosto acneico, esquecendo-se da disputa com Ao Mu Yang, apressou-se a sorrir:

— Ora, Senhor Song, veio pessoalmente ao mercado? Vai levar lagosta? Veja só, só lagostas de primeira, recém-pescadas do alto-mar. E o tamanho? Não é de impressionar?

O rechonchudo Senhor Song estalou os lábios:

— O tamanho está razoável, mas essa lagosta-jóia você diz que veio do alto-mar? Não criaram vocês mesmos?

O jovem das espinhas riu:

— Está brincando, Senhor Song. O senhor entende do ramo, sabe que essa espécie não pode ser criada em cativeiro, por isso mesmo é tão cara.

Na banca, havia muitas lagostas, em sua maioria lagostas australianas ou americanas de Maine; as lagostas-jóia eram apenas duas ou três, expostas no ponto mais alto como se fossem relíquias sagradas.

O Senhor Song, as mãos cruzadas nas costas, examinou as lagostas-jóia e, ao fim, balançou a cabeça:

— São pequenas demais.

O jovem acneico esfregou as mãos:

— O senhor quer um exemplar maior? Pois bem, vou tirar a joia da coroa da loja!

Virando-se, chamou alguém, e logo um ajudante trouxe, com todo o cuidado, um aquário de dentro do galpão coberto de aço. Dentro, repousava uma lagosta-jóia com mais de trinta centímetros.

Ao verem tal exemplar, os vendedores vizinhos não contiveram a excitação:

— Ora, ora, o Xiao Wang ainda guarda uma mercadoria dessas?

— Puxa, essa sim é uma raridade, este ano ainda não vi lagosta-jóia desse tamanho!

— Quanto custa? Que lagosta, hein! Diz aí o preço, patrão!

Logo, vários interessados se aglomeraram, e os pedidos de preço se sucediam sem cessar.

Os olhos do Senhor Song brilharam:

— Quanto custa essa lagosta?

O jovem acneico ergueu um dedo:

— Nem mais, nem menos: dez mil!

Diante desse valor, os que se aproximavam não esconderam o espanto:

— Dez mil? Está maluco!

— Vai roubar, é? Uma lagosta dessas por dez mil?

O Senhor Song também meneou a cabeça:

— Esse preço é surreal; no ano passado comprei uma quase do mesmo tamanho por cinco mil.

Diante das dúvidas e protestos, o jovem manteve-se impassível:

— Pois é, Senhor Song, mas o senhor mesmo disse: cinco mil era o preço do ano passado. Este ano, não se fala mais nisso.

E, olhando ao redor, continuou:

— Dez mil está barato. Vocês viram as notícias? Em Minnan, pegaram uma lagosta de três quilos e meio, venderam por seiscentos mil!

Alguém logo zombou:

— Aquela, além de gigantesca, tinha um padrão de carapaça que nunca se viu: um céu estrelado de cores, coisa de uma em um milhão. Essas suas são lagostas comuns, por favor!

O debate acalorado atraía mais e mais curiosos.

Percebendo o interesse geral, Ao Mu Yang também se animou. Dirigiu-se a um homem de meia-idade, ostentando corrente de ouro e cinto Hermès:

— O senhor procura por lagostas grandes?

O jovem acneico, todo vaidoso, ouviu e caiu na risada:

— Aqui, todos querem lagostas grandes. E você tem? Ah, é verdade, na Vila Longtou tem fama de lagostas grandes. Ano passado mesmo, as lagostas das plantações de arroz de lá ficaram famosas no mercado.

Alguns riram ao ouvir isso.

Era um episódio vergonhoso, como Ao Fugui lhe contara no dia anterior.

Lagostas dividem-se em grandes e pequenas; apesar da semelhança nos nomes, são espécies distintas, como o pargo-amarelo grande e o pequeno. Por maior que cresça, a lagosta pequena jamais se tornará uma lagosta grande, assim como o peixinho amarelo não vira pargo.

Contudo, como suas aparências também são semelhantes, muitos leigos não sabem diferenciá-las. Assim, houve quem, de má índole, criasse lagostas pequenas nos arrozais, escolhesse as maiores e as vendesse como se fossem jovens lagostas grandes. Afinal, em alta temporada, a pequena mal passava de dez ou quinze a libra, enquanto a grande alcançava setenta ou oitenta.

No fim, a fraude foi descoberta e denunciada. Vários moradores da Vila Longtou foram flagrados pelo departamento de comércio.

Na verdade, os verdadeiros mentores do golpe eram da Vila Wang e alguns grandes negociantes, mas, por terem poder e influência, escaparam ilesos, e coube aos pescadores de Longtou servirem de bodes expiatórios.

De uma forma ou de outra, a razão não estava do lado dos de Longtou. Ao Mu Yang, sem se dar ao laborioso bate-boca, voltou-se para o homem do Hermès:

— O senhor quer lagostas de que tamanho?

O jovem acneico, ainda ressentido por ter perdido o debate anterior, vendo Ao Mu Yang calado, julgou que ele estava intimidado e decidiu aproveitar para humilhá-lo.

Apontando para Ao Mu Yang, declarou com falsa retidão:

— Ora, rapaz da Vila Longtou, não tente aprontar na minha frente. Pegue suas lagostinhas e suma daqui!

Ao Mu Yang lançou-lhe um olhar de soslaio:

— Quem disse que trago lagostinhas? Tenho lagostas grandes, maiores que as suas.

Sua fala, contudo, soou hesitante, e o jovem acneico nem cogitou acreditar. Sabia, por Wang Dongliang, que Ao Mu Yang havia regressado de fora apenas ontem, sem barco, sem apetrechos de pesca; podia garantir que ele não teria como capturar, nos dias de hoje, lagostas grandes raríssimas nas águas costeiras.

Por isso, ao ouvi-lo, rosnou com desdém:

— Ora, não desiste nunca, hein? Se você trouxer lagostas grandes, entrego todas as minhas para você…

Antes que terminasse, Ao Mu Yang, cansado de parlapatices, ergueu a tampa da caixa de isopor.

Diante de todos, surgiram duas lagostas de mais de quarenta centímetros, carapaças multicoloridas, longos bigodes ainda vibrando com vigor — exemplares cheios de vida!

No instante em que apareceram, o murmúrio que se seguiu ressoou alto pela rua, como pneus de caminhão esvaziando de repente.

Alguns não creram no que viam, e esfregaram os olhos:

— Por todos os deuses! Não estou vendo demais? Lagosta gigante de meio metro? Pesco há vinte anos, nunca vi coisa igual!

Após um instante de estupefação, o mercado entrou em ebulição.

Os que cercavam o jovem acneico correram para Ao Mu Yang, disparando perguntas:

— De onde vieram essas lagostas? Por quanto vende?

— Quero aquela à esquerda! Quanto custa?

— Isso dava para pôr em aquário, coisa rara! Deixa eu tirar uma foto para postar!

Ao Mu Yang ignorou os questionamentos. Ordenou ao General que vigiasse as lagostas e foi até o jovem acneico para recolher suas lagostas.

O rapaz, enfurecido, berrou:

— Filho da mãe, o que está fazendo…?

Ao Mu Yang detestava ouvir ofensas à sua família. E, sem hesitar, desferiu um soco, vociferando:

— Modere suas palavras! E lembre-se: entre homens, palavra dada é compromisso firmado. Não foi você quem disse? Agora, todas as suas lagostas são minhas!

O jovem cambaleou para trás, gritando de dor, enquanto seus comparsas se acercavam, hostis.

Ao Mu Yang, destemido, encarou-os:

— O quê? Vão dar para trás? Seus pais nunca lhes ensinaram que, nos negócios, a honestidade é o mais sagrado dos princípios? Renegam até a própria palavra?