Capítulo Cinco: Mais uma vez trouxe vida e vigor a todos

Aku Membesarkan Dewa di Tokyo Hamba ingin menikmati hidangan hotpot. 4075kata 2026-03-13 14:43:16

Ao alvorecer, sob a tênue luz das estrelas dispersas no céu e a névoa suave que repousava sobre o Monte Hirayasu, Shiroki Jun iniciava a rotina diária do santuário.
Varreu o caminho dos fiéis, limpou o chōzuya, dispôs as placas ema, abriu o escritório do santuário...
Somente após concluir tais afazeres, seguiu a trilha de volta ao edifício principal.
O Santuário Tenju estava, naquela manhã, mais movimentado do que de costume.
Além de um maior fluxo de devotos, havia ainda uma razão especial:
Hoje era um raro dia de trabalho para a divindade.
Durante toda a jornada, a deusa deveria redigir os omikuji, abençoar os amuletos, rezar sobre as placas ema...
Um dia deveras atarefado.
Naturalmente, Shiroki Jun sabia que tais ações não eram fruto de um súbito zelo espiritual.
Muito provavelmente, era apenas porque o dinheirinho dela havia acabado.
Por isso empenhava-se tanto na confecção dos artigos do santuário, com o único intuito de vendê-los.
Ainda que tal conduta não fosse a mais digna perante os fiéis, se a divindade decidia agir assim, cabia ao sacerdote apenas acompanhá-la.
No altar, a deusa já trajava outra indumentária.
Um manto alvo como a lua nova envolvia-lhe o corpo; uma faixa larga cingia-lhe a cintura; os cabelos, longos e lustrosos, deslizavam até os tornozelos finos e translúcidos; o semblante mostrava-se absorto.
Entre os dedos alvos, ela segurava um delicado saquinho de brocado.
Estava confeccionando um amuleto.
Shiroki Jun também se sentou, retirou um rolo de pergaminho e começou a ler com interesse.
À primeira vista, parecia estar estudando.
Na verdade, estava cultivando seu poder espiritual.
Era o pequeno segredo que Shiroki Jun descobrira.
Sempre que se aproximava da deusa, a menos de dez metros, seu poder interior entrava numa cadência misteriosa e começava a aumentar espontaneamente.
Sim, cultivação automática.
A taxa de incremento era de aproximadamente um ponto por hora.
Mais da metade do poder espiritual de Shiroki Jun fora adquirida desse modo, e não diretamente da divindade.
Contudo, esse método quase trapaceiro não o tornava arrogante, pelo contrário, tornava-o ainda mais cauteloso.
Trapaceando?
Não era isso.
Era, ao que tudo indicava, uma forma comum de cultivo entre os sacerdotes deste mundo; ele apenas a havia descoberto por acaso.
Em três anos, Shiroki Jun já acumulava mais de vinte e oito mil pontos de poder espiritual.
Enquanto isso, os antigos sacerdotes dos grandes santuários ou os veneráveis abades dos templos, com décadas de prática, acumulavam um poder verdadeiramente aterrador.
Ele próprio ainda era demasiadamente fraco.
Sentindo o fluxo crescente de energia em seu corpo, Shiroki Jun serenou o ânimo e debruçou-se com afinco sobre o livro em mãos.
O tomo que lia chamava-se “Kojiki” e narrava inúmeros mitos e lendas do Japão.
Grande parte de seu conhecimento sobre espíritos e demônios vinha dessa obra, sua leitura de iniciação.
Naquele instante, buscava identificar a divindade de seu santuário com alguma das descritas ali.
Tarefa hercúlea.
Afinal, os deuses nipônicos são inumeráveis.
Desde o primeiro deus nascido entre os juncos até Izanami e Izanagi e sua prole, passando pelos Amatsukami das alturas e os Kunitsukami da terra — são incontáveis.
Fala-se, de fato, em oito milhões de deuses.
No salão principal, uma deidade e um homem; um acima, outro abaixo.
A manhã escoou-se. Alguns fiéis vieram orar, balançando as cordas diante do altar, fazendo soar os sinos e batendo palmas em prece devota.
Tal gesto serve para avisar a divindade da visita e pedir-lhe atenção às preces.
O som cristalino dos sinos do vestíbulo ecoava até o interior do santuário.
Lá dentro, a deusa ergueu o rosto, contrariada, franzindo o cenho na direção de onde vinha o som.
— Ai, ai, ai, que irritante! Não podem fazer menos barulho?
— Senhora Divindade, cuidado com suas palavras — advertiu-lhe Shiroki Jun, sempre imerso na leitura.
Uma divindade que não respeita os fiéis e não se importa com eles está fadada ao esquecimento; tal erro fundamental, Shiroki Jun não deixaria passar.
— Não é o sino, é o desejo daquela pessoa. Humpf, que prazer mesquinho em querer algo sem esforço algum.
A deusa explicou.
Ela abriu a palma direita, e uma pequena moeda dourada surgiu girando no ar, caindo com um estalido em sua mão.
Era uma moeda de cinco ienes, reluzente.
No Japão, a maioria dos visitantes dos santuários ou templos oferece uma moeda de cinco ienes, pois seu nome, “go-en”, soa como “conexão”, simbolizando o desejo de laços auspiciosos e proteção divina.
Brincando com a moeda, a deusa resmungou:
— Ora essa, acha que só porque lançou uma moedinha de cinco ienes pode pedir para ganhar meio bilhão na loteria?!
— Se eu pudesse atender tal pedido, jogaria moedas para mim mesma todos os dias. Para quê servir deusa, então?!
A deusa indignava-se.
Estava, mais uma vez, aborrecida.
Mas, de fato, havia certa razão em suas palavras.
Shiroki Jun sorriu e nada mais disse, tornando a mergulhar no “Kojiki”.
Outro tilintar de sinos soou.
— Hum, este desejo... — O olhar da deusa mudou, outra moeda caiu-lhe na mão.
— Deseja completar a coleção no próximo evento de gacha do jogo de celular?
— Hah, o pedido até que é simpático, mas que tolice.
— Se nem ao menos deixa ID e servidor, como espera que esta deusa o abençoe?
Ao ouvir isso, Shiroki Jun folheou o índice do livro, procurando nos anais alguma divindade famosa por suas tiradas sarcásticas.
Hein?
De repente, percebeu algo.
— Senhora Divindade, tal desejo é mesmo realizável?
— Ah, nesse nível, talvez cause algum efeito — respondeu a deusa, sem grande interesse.
— Mas com tão pouca energia de desejo, está longe de ser suficiente para que eu interceda a favor dele.
O “poder do desejo” a que a deusa se referia era uma força gerada quando os fiéis fazem seus pedidos, reflexo de sua vontade e devoção.
Embora ela não explicasse muito, Shiroki Jun intuía que tal energia estava relacionada ao poder das divindades.
— Se ele fosse mais sincero, eu até poderia ajudá-lo, mas há tantos como ele... Como poderia atender a todos? — disse a deusa, um tanto embaraçada.
Tantos?
Ao escutar tal observação, os olhos de Shiroki Jun brilharam.
O Santuário Tenju não carecia, justamente, de público?
Uma ideia lhe acudiu.
Sim.
Ao invés de mirar fiéis devotos, por que não adaptar o foco, atraindo pessoas com necessidades específicas...?
Por exemplo, o quanto se gasta em jogos de celular no Japão é notório; uma única compra custa dez mil ienes e, frequentemente, mais de uma não garante resultados.
Na vida passada, Shiroki Jun também se deixara levar um tempo e bem conhecia aquela sensação de ter de economizar mês após mês.
Mas se houvesse um santuário onde, ao simplesmente rezar, pudesse-se concluir todos os eventos e completar as coleções...
O Monte Hirayasu ficaria abarrotado de visitantes, não?
— Senhora Divindade, quantos desses pedidos consegue atender por dia?
A deusa inclinou a cabeça, pensou, e ergueu três dedos para Shiroki Jun.
— Três vezes ao dia? — perguntou ele, surpreso.
Se pudesse atender três pedidos diários, centenas disputariam tais oportunidades.
Não imaginava que sua deusa, apesar de um pouco preguiçosa, se mostrasse tão útil em momentos cruciais...
— Não — replicou ela, balançando a cabeça.
— Três vezes ao ano. Muitas preces exaurem esta deusa.
Isso era muito pouco.
O ânimo de Shiroki Jun arrefeceu.
Assim, era impossível criar fama de milagres no santuário, quanto mais atrair multidões.
— Shiroki, preocupa-se com o santuário? — indagou a deusa, piscando.
Ela percebera o desânimo do sacerdote.
Ora, só a ameaça de fechamento do santuário poderia preocupá-lo assim.
— Sim — respondeu ele, tamborilando os dedos na mesa, absorto em pensamentos. — Estou a matutar um modo de atrair mais visitantes.

— Hum, hum, esta deusa compreende. Na verdade, também carrego parte da responsabilidade e já concebi algumas soluções.
— Após muita reflexão, decidi —
Nos olhos da deusa cintilou um lampejo resoluto; ergueu o braço esguio como a comandar exércitos.
— Lançar-me como idol para salvar o santuário!
Ao ouvi-la, Shiroki Jun apenas suspirou.
Balançou a cabeça e prosseguiu na leitura.
Ignorada, a deusa ficou sem reação, permanecendo ali em constrangimento.
Cerrou o punho junto à boca, simulando uma tosse:
— Cof, cof, Shiroki, isto é uma experiência de sucesso dos antecessores. Poderia pelo menos demonstrar algum respeito...?
— Hum.
Shiroki Jun virou a página com concentração, levantou os olhos e sorriu gentilmente à deusa.
Respeito? Respeito coisa nenhuma!
Por acaso esta deusa não tem dignidade?
Irritada, a deusa inflou as bochechas e ajoelhou-se, ressentida.
Continuou a encher os saquinhos com talismãs, enquanto praguejava em seu íntimo:
Saco de sacerdote, esta deusa vai rogar por você!
Que não consigas jamais uma namorada!
Pouco depois, uma nova ideia passou-lhe pela mente e ele indagou:
— Senhora Divindade, e se, em vez de realizar diretamente o desejo, selássemos o poder num amuleto, teria o mesmo efeito?
— Claro! Não subestime esta deusa! — respondeu ela, impaciente.
Assim, era possível!
No coração de Shiroki Jun acendeu-se a esperança.
Se não podia satisfazer a todos, bastava selecionar alguns sortudos; quem adquirisse tais amuletos seria o primeiro a se beneficiar.
Se desse certo, o santuário se encheria de gente ávida por adquiri-los.
Já até batizara os amuletos em sua mente.
Amuleto da Foca.
Quase podia ver os felizes compradores exibindo nas redes sociais seus resultados de sorte.
“Primeira vez jogando, saiu tudo isso; mestres, o que acham?”
“Voltei agora, já posso me considerar graduado?”
“O quê? Consegui só com bilhete grátis, nem precisei gastar dinheiro!”
Sim, tinha futuro.
Ao imaginar tal cena, Shiroki Jun sorriu.
Mais uma vez, trazia vitalidade ao santuário.
Se o efeito fosse notável, os “focas” seriam a melhor publicidade do Santuário Tenju, atraindo multidões de fiéis.
Além disso, reza a tradição que, após um ano, os amuletos perdem o efeito, poluídos pela energia do mundo, e devem ser devolvidos ao santuário numa cerimônia.
Assim, garantiria um fluxo contínuo de visitantes.
Mais importante ainda, como se trata apenas de amuletos, o próprio sacerdote pode confeccioná-los.
Se Shiroki Jun se dedicasse a aprimorá-los, quem sabe não obteria resultados ainda melhores...
De súbito, a tela do telefone sobre a mesa acendeu-se, vibrando suavemente.
Shiroki Jun lançou um olhar ao visor: número desconhecido.
Saiu do salão principal e atendeu.
— Alô.
— Alô, falo com o sacerdote Shiroki? — soou do outro lado uma voz doce e afável.
— Sim, em que posso ajudar? — respondeu ele, sério.
— Sacerdote Shiroki, tem tempo hoje? Gostaria de vê-lo.