Capítulo Sete: Já foi enterrado em paz

Aku Membesarkan Dewa di Tokyo Hamba ingin menikmati hidangan hotpot. 2691kata 2026-03-15 14:47:28

Olhando para a expressão de Jun Shiraki, Arashi Hanekawa pressentiu de imediato que algo não ia bem. Inquieta, insistiu na pergunta:

— Shiraki-kun, como conseguiu expulsar aquele espírito funesto?

Como o expulsou?

Com minhas próprias mãos laboriosas, xiu, pá...

Evidentemente, Jun Shiraki jamais poderia responder assim.

Apontando para o solo, respondeu com gentileza:

— Hanekawa-san, não precisa se preocupar. Aquele espírito funesto já encontrou repouso sob a terra.

Arashi Hanekawa ficou completamente atônita.

Repouso sob a terra?

Que método inusitado de exorcismo seria esse?

Seria possível...?

Um calafrio percorreu-lhe a espinha. Recordou-se, de súbito, dos filmes de yakuza que assistira em sua infância.

Será que esse gentil sacerdote que parecia tão afável havia transformado o espírito num bloco de concreto, atirando-o nas profundezas da Baía de Tóquio?

Isso...

Seria uma crueldade extrema, não?

De todo modo, uma vez confirmado que o espírito fora de fato exorcizado, ela já não precisava mais se preocupar.

Com um leve giro de pulso, as catorze contas do seu rosário estremeceram discretamente. Ela se curvou e disse:

— Shiraki-kun, como não fui eu a exorcizar o espírito, preciso voltar e devolver o adiantamento ao cliente.

— Sendo assim, poderia me acompanhar? Talvez seja necessário que você comprove o ocorrido.

— Hã? Devolver o dinheiro? — Jun Shiraki arregalou os olhos, surpreso.

Tecnicamente, Hanekawa Arashi recebera a incumbência antes dele; de certo modo, ele havia lhe tomado o trabalho.

Ao pensar nisso, Jun Shiraki sentiu uma ponta de culpa.

Enfiou a mão no bolso.

Ali ainda guardava as dez mil ienes que recebera do senhor Mitsui no dia anterior.

— Quanto precisa devolver? Tem dinheiro suficiente consigo? Se faltar, posso lhe emprestar um pouco.

— Ah, não é necessário se preocupar, Shiraki-kun, o adiantamento não foi grande coisa — respondeu Arashi, sorrindo e gesticulando com a mão.

— Apenas cem mil ienes.

Jun Shiraki ficou boquiaberto.

Como assim, apenas cem mil?

Será que ela não compreende o valor de cem mil ienes?

Isso equivale à sua renda de um mês inteiro na baixa temporada!

Lentamente, Jun Shiraki baixou os olhos, fitando os belos olhos de Arashi Hanekawa com expressão grave e concentrada.

— Hanekawa-san, permita-me fazer-lhe uma pergunta.

— Pois não, Shiraki-kun — respondeu Arashi, um tanto surpresa por vê-lo tão sério de súbito.

Será que algo que dissera ofendera aquele sacerdote?

— No Templo Raimyo, quanto se cobra por um exorcismo?

— Bem... normalmente, entre trezentos mil e quinhentos mil ienes, aproximadamente. Por quê? — respondeu Arashi cautelosamente.

Seria porque os exorcismos no templo são baratos demais, bagunçando os preços do mercado e incomodando Shiraki-kun? Preciso sugerir ao abade que aumente as tarifas quando voltar!

Trezentos mil a quinhentos mil ienes...

Jun Shiraki sentiu o som do dinheiro escoando como um riacho cristalino aos seus ouvidos.

Pelo mesmo serviço de exorcismo, ele cobrava apenas oito mil ienes!

Mesmo considerando o valor mais baixo, a diferença era de quarenta vezes!

Isso seria o prestígio do Templo Raimyo?

Ah, como gostaria de fazer parte!

Pensando nisso, Jun Shiraki perguntou com sinceridade:

— Hanekawa-san, será que falta um braço forte no seu templo?

Hein?

Arashi Hanekawa olhou para Jun Shiraki, perplexa.

No instante seguinte, não pôde conter uma risada.

— Shiraki-san, pretende converter-se ao budismo?

— Hanekawa-san, está enganada. Refiro-me a um braço forte apenas no sentido físico; eu, naturalmente, continuo fiel às divindades do meu santuário — este é o limite de um sacerdote... — Jun Shiraki tentava explicar-se.

Mas quanto mais se justificava, mais Arashi Hanekawa se divertia.

Que sacerdote curioso!

O céu começava a escurecer. Arashi Hanekawa respirou fundo, buscando refrear o riso, e propôs:

— Shiraki-kun, você tem algum compromisso agora? Conheço um restaurante de tempurá delicioso aqui perto. Como compensação, quando resolvermos o assunto, deixe-me oferecer-lhe um jantar.

Jun Shiraki não fez cerimônia e acenou afirmativamente.

Considerou que assim, ao menos, recuperaria o dinheiro gasto com a passagem de trem.

— Perfeito!

O rosto de Arashi Hanekawa iluminou-se com um sorriso radiante, mas quando se preparava para partir, uma melodia suave de celular soou de repente.

Ela tirou o telefone do bolso; ao atender, sua expressão foi ficando séria, o sorriso desaparecendo.

— Comissário Yamato, entendi. Sim, irei imediatamente... Sim, compreendo.

Ao desligar, voltou-se para Jun Shiraki, o semblante pleno de desculpas:

— Me perdoe, surgiu um imprevisto que requer minha atenção imediata. Precisarei ir agora. O jantar ficará para uma próxima vez.

— Compreendo, Hanekawa-san. O dever vem sempre primeiro.

Jun Shiraki mostrou-se solidário.

Para ser honesto, sentia uma pontinha de inveja.

Outro trabalho a lhe bater à porta!

No mínimo, trinta mil ienes a mais na conta.

Negócios prósperos.

Contudo, foi apenas uma pequena inveja.

Afinal, o Templo Raimyo, com séculos de tradição, produziu monges ilustres ao longo de gerações, e seus honorários condizem com o reconhecimento da população.

Ele próprio, um simples sacerdote de um santuário obscuro como o Tenju, jamais poderia se comparar a quem carrega a experiência de séculos de exorcismos.

Além disso, para esses antigos templos, a renda dos exorcismos talvez seja apenas uma parte insignificante; monges virtuosos buscam propósitos mais elevados.

Proteger o povo, conduzi-lo à iluminação.

Era isso o que Jun Shiraki verdadeiramente respeitava.

Ainda assim, não pôde deixar de sentir certa pena.

Perdera um jantar.

Despediu-se de Arashi Hanekawa e já se preparava para ir embora.

Nesse momento, outro toque de celular ressoou.

Agora era o telefone de Jun Shiraki.

Atendeu.

— Alô?

Após um breve silêncio, uma voz suave e hesitante soou do outro lado.

— É... o Shiraki-san?

— Sim, quem fala? — indagou Jun Shiraki, intrigado.

— Eu... sou Rena Kokonoe, lembra de mim? Fomos colegas na Escola Secundária Shuunoin...

A voz do outro lado foi ficando cada vez mais baixa.

— Ah, a Kokonoe-san da penúltima fileira, junto à janela? — Jun Shiraki recordou-se.

— Isso mesmo! — respondeu Rena Kokonoe, surpresa e contente.

O Shiraki-kun lembrou-se de mim!

Agora posso morrer sem arrependimentos...

Flutuando em êxtase, quase esqueceu o motivo do telefonema.

— Shiraki-san, lembra-se da minha amiga? Yuuri Takanashi, uma garota muito animada, também de nossa classe. Estávamos sempre juntas.

— Sim, lembro-me — Jun Shiraki assentiu.

Devia tratar-se da Takanashi Yuuri, terceira fila, quarta carteira. Jun Shiraki memorizara todos os colegas de escola pela disposição das carteiras.

— Bem... então... — Rena Kokonoe começou a vacilar.

— Kokonoe-san, pode falar abertamente. Se eu puder ajudar, certamente o farei — garantiu Jun Shiraki.

Quando se trata de colegas, sempre vale a pena ajudar. Assim se constroem belas amizades.

Exceto, claro, se for para apresentar-lhe uma namorada — nesse caso, melhor não. Este sacerdote, por ora, dedica-se inteiramente aos estudos.

Do outro lado da linha, Rena Kokonoe respirou fundo, fez uma reverência de noventa graus e exclamou em voz alta:

— Sumimasen!

— Não deveríamos ter seguido você ontem, nem descoberto sua verdadeira identidade!

— Mas prometo que manteremos segredo, não contaremos a ninguém!

— Portanto, por favor, Shiraki-san, seja generoso... e solte a Yuuri-chan!