Capítulo Seis: As Monjas do Templo do Trovão

Aku Membesarkan Dewa di Tokyo Hamba ingin menikmati hidangan hotpot. 2949kata 2026-03-14 14:41:04

        Cinco horas da tarde, distrito de Shinjuku, rua comercial.

        Shiraki Toshin vestia um traje esportivo leve, chegando ao local combinado dez minutos antes do horário marcado.

        Poderia ter optado por algo mais formal, como o traje cerimonial de um sacerdote, símbolo de sua função, mas não viu necessidade nisso.

        Claro, não era por sentir-se indigno das vestes de sacerdote, considerando que ainda não havia alcançado tal posto.

        Era simplesmente pelo calor.

        — Shiraki-kun?

        A voz melodiosa ressoou próxima, atrás dele, e Toshin se virou, encontrando o rosto de quem o chamava.

        Era uma jovem de cabelos negros, longos e lisos, vestindo um hábito budista cinza-claro e ostentando no pulso direito um rosário de contas de sândalo.

        Tinha idade semelhante à de Toshin; a pele exposta era de uma brancura delicada, e o olhar, límpido e luminoso.

        Seu rosto fresco e encantador, junto com a silhueta bem delineada que nem o hábito largo conseguia ocultar, atraía o olhar de muitos transeuntes.

        Naquele instante, a jovem budista de aparência serena curvou-se levemente, saudando-o com elegância.

        — Você é Shiraki Toshin, não é?

        Toshin prontamente respondeu.

        — Yagawa-san.

        Aquela era a jovem com quem acabara de conversar ao telefone.

        Durante o contato, ela já havia lhe dito seu nome: Yagawa Ran.

        — Muito prazer em conhecê-lo. Espero que possamos cooperar — Yagawa Ran saudou com cortesia, abaixando a cabeça.

        No breve instante em que se curvou, fora do campo de visão de Toshin, um lampejo de surpresa cruzou-lhe o rosto.

        Era esse o sacerdote do qual falara o gerente da cafeteria, aquele que purificara o espírito errante?

        Olhando para ele, não parecia ter o porte de um sacerdote.

        Mas, era inegavelmente atraente.

        Seria apenas um homem comum?

        Yagawa Ran franziu levemente o cenho.

        Ela já visitara o beco mencionado na solicitação, onde supostamente residia o espírito errante, mas nada encontrara.

        Depois, indagou aos comerciantes locais, e soube que, na noite anterior, um sacerdote chamado Shiraki passara por ali apressado e logo partira.

        Fenômenos sobrenaturais não costumam ser resolvidos tão rapidamente.

        Há algo estranho, definitivamente estranho!

        Ao encontrar Toshin, Yagawa Ran tornou-se ainda mais convencida de sua hipótese.

        Sim.

        O espírito errante não foi exorcizado; ele se apoderou do sacerdote!

        Este Shiraki Toshin era um impostor, ostentando o título de sacerdote, que acabou por se deparar com um verdadeiro fenômeno sobrenatural — um azarado.

        Felizmente, ela estava ali; caso contrário, seria mais uma tragédia...

        — Yagawa-san, você mencionou ao telefone que precisava me ver por algum motivo. Poderia agora dizer do que se trata? — Toshin perguntou no momento oportuno.

        Yagawa Ran assentiu com leveza.

        — Claro, mas peço que me acompanhe. Vamos a algum lugar mais reservado para conversarmos tranquilamente.

        Como sempre colocava o cliente em primeiro lugar, Toshin não se opôs.

        — Para onde vamos, então, Yagawa-san?

        Yagawa Ran hesitou por um instante, apontando instintivamente.

        — Por ali.

        O gesto tinha apenas o propósito de relaxar a vigilância do espírito errante.

        Segundo sua intenção, bastava dar algumas voltas, retornando ao cenário original, para então expulsá-lo.

        A expulsão de um espírito errante não era tarefa difícil: bastava recitar dez vezes o Sutra do Diamante, dez vezes o Sutra da Perfeição da Sabedoria, dez vezes o Sutra da Flor de Lótus e, por fim, três vezes o Sutra do Voto Fundamental de Ksitigarbha — e a purificação estaria concluída.

        Em menos de três horas, ela terminaria o ritual.

        Yagawa Ran planejava tudo minuciosamente.

        Toshin olhou na direção indicada por Yagawa Ran.

        Como bairro de luz vermelha, Kabukicho, em Shinjuku, sofria inevitavelmente a influência dos costumes locais, preenchendo as calçadas com todo tipo de estabelecimentos de descanso.

        E a direção indicada por Yagawa Ran era justamente um deles.

        O coração desenhado na fachada denunciava o tipo de hotel.

        Hotel para casais.

        Hm?

        Toshin tornou-se cauteloso.

        Será que essa jovem budista tinha intenções ocultas ao chamá-lo?

        — Shiraki-kun, venha logo! — Yagawa Ran já se afastava, mas ao perceber que Toshin permanecia parado, voltou, sorrindo suavemente.

        Ao notar um certo nervosismo oculto sob o sorriso de Yagawa Ran, Toshin consolidou ainda mais sua suspeita.

        Não pôde evitar um suspiro interno.

        Quão vulgar, demasiadamente vulgar.

        Pensara que poderia receber mais um pedido de exorcismo e aumentar seus ganhos, mas a intenção da jovem era outra.

        Com esse tempo, seria muito melhor aprimorar sua força espiritual junto aos deuses.

        Apesar da decepção, Toshin recusou com firmeza.

        — Yagawa-san, por favor, retorne. Esse tipo de solicitação, seja qual for o pagamento, não aceitarei.

        Ehm?

        Yagawa Ran ficou perplexa.

        Por que ele não compreendia seus esforços?

        Ela insistiu:

        — Shiraki-kun, talvez você não saiba, mas sua situação é perigosíssima.

        — Não se preocupe, deixe tudo comigo. Você só precisa tirar uma soneca; quando acordar, tudo estará como antes.

        — Ah, claro, é gratuito, não cobramos nada...

        Toshin interrompeu Yagawa Ran com um gesto, os delicados olhos franzidos.

        — Yagawa-san, peço-lhe que se respeite.

        — Pronunciar tais palavras, é digno do hábito que veste?

        Yagawa Ran ficou atônita.

        Dissera algo estranho?

        — Permita-me retirar-me — Toshin curvou-se em despedida, voltando-se para partir.

        — Espere!

        Ao ver Toshin prestes a partir, Yagawa Ran, aflita, não hesitou e agarrou-lhe o pulso.

        — Espere, Shiraki-kun. Antes que eu consiga expulsá-lo, você não pode partir —

        — Ao menos, permita-me confirmar uma coisa, só uma, por favor! — vendo a falta de colaboração, Yagawa Ran baixou a voz, recorrendo ao último recurso.

        — Espírito errante.

        Yagawa Ran fitou o rosto de Toshin com nervosismo, como se algo pudesse emergir a qualquer instante.

        Revelar diretamente a presença do sobrenatural era arriscado, podendo provocar uma reação violenta e consequências indesejadas, mas não havia alternativa melhor no momento.

        Ela já começava a recitar mentalmente o Sutra do Diamante, preparando-se, fortalecida pelo poder do texto sagrado, para agir a qualquer instante.

        Porém—

        Nada aconteceu.

        Ehm?

        Onde está o espírito errante?

        Yagawa Ran ficou ainda mais confusa.

        Ao contrário, Toshin parou, observando-a com interesse.

        — Como Yagawa-san soube da existência daquele espírito errante?

        No momento da expulsão, Toshin estava seguro de que não havia outra pessoa presente.

        Como ela soube da presença daquele espírito?

        Ainda sem compreender totalmente a situação, Yagawa Ran soltou o pulso de Toshin e curvou-se, juntando as mãos em sinal de respeito.

        — Perdoe-me por não me apresentar antes. Sou bhikuni do Templo Raimei, Yagawa Ran.

        Raimei?

        Toshin lembrava-se vagamente; era um antigo templo no distrito de Taito, que outrora rivalizava em reputação com o famoso Templo de Asakusa.

        Mas, nos últimos anos, declinara.

        Contudo...

        Quando o Templo Raimei passou a aceitar monjas?

        — Três dias atrás, o presidente desta rua comercial visitou nosso templo, relatando distúrbios sobrenaturais nas proximidades. O abade incumbiu-me de exorcizar, tendo como alvo aquele espírito errante.

        — Porém, ao chegar aqui de madrugada, percebi que o espírito já não se encontrava no local. Receei que tivesse se apegado a alguém, por isso...

        Yagawa Ran explicou longamente.

        Ao ouvir tudo, um sorriso voltou a surgir nos lábios de Toshin.

        Um equívoco, apenas um equívoco.

        Pensara demais; ela era, afinal, uma monja bastante dedicada.

        Ele sorriu ao responder:

        — Yagawa-san, não se preocupe. O espírito errante foi de fato exorcizado por mim.

        — Shiraki-kun, fala sério? Embora não seja difícil expulsar um espírito errante, é preciso cautela. Entre os sacerdotes, o mais seguro é usar talismãs específicos ou kagura para exorcismo. Assim é mais garantido — Yagawa Ran acariciou suavemente o peito, aliviada.

        Embora estivesse confiante, recitar sutras por três horas consecutivas não era tarefa fácil; poupar esforços era sempre bem-vindo.

        Talismãs e kagura específicos para exorcismo?

        O que seria isso?

        O rosto de Toshin expressava total perplexidade.

        Tudo o que recebera dos deuses era simplesmente poder espiritual...