Capítulo Um: O Fim da Vida Universitária

Catatan Dewa yang Berduka Keajaiban Serigala Angin Kencang 4016kata 2026-03-15 14:47:57

Prólogo

À noite, a luz do dormitório 403 dos estudantes da Huáqīng brilhava como de costume, mas faltava-lhe o burburinho habitual dos jovens discutindo animadamente sobre o jogo online Yitèlāmǔ. Alguns se entretinham a fumar, inertes, sobre as cadeiras; outros, deitados nas camas, folheavam livros ao acaso.

A porta rangeu suavemente ao se abrir, som que, naquela quietude, soou mais alto que o normal.

Wang expressou surpresa: "Li?! Não tinhas ido para casa?"

"Vocês viram as palavras no céu agora há pouco, não foi? Ficaram assustados, não é?" A voz de Lao Zhu soou do beliche no canto. "Todo mundo aqui sabe, tu acreditas em fantasmas."

Li, após largar a mochila, olhou os colegas e balançou a cabeça: "Olhem para as vossas caras. Não tem um sequer que não acredite naquelas palavras, e ainda me acusam... Bah!"

Wang e Liang mantiveram-se em silêncio; embora fossem normalmente os mais faladores e gostassem de zombar dos outros, agora quedavam-se mudos. Por essas brincadeiras, haviam até conquistado um apelido: os Dois Anciãos de Huáshān! Só Lao Zhu respondeu: "Eu não acredito, não! Amanhã cedo vou para o estágio, nem tempo tenho."

"Ah! E quem é o idiota que está revisando o guia de Yitèlāmǔ?" Um leve sorriso surgiu nos lábios de Li, mas era forçado, longe da naturalidade de outros tempos — talvez pelo peso do exame de transferência para a licenciatura, talvez por outros motivos...

Lao Zhu abaixou-se e olhou as próprias mãos; sem se dar conta, apertava com força o Guia Oficial de Yitèlāmǔ, livro já decorado por todos do quarto. O mais estranho era que segurava-o de cabeça para baixo... Quando tentou explicar-se, notou que todos se preparavam para dormir.

Às 21h30, as luzes do dormitório 403 apagaram-se... Para aqueles jovens notívagos, era cedo demais para dormir. A noite inteira foi de uma quietude sepulcral, sem as antigas algazarras, sem os resmungos sonâmbulos de Lao Zhu. O gotejar do banheiro soava alto e insistente...

O Fim da Vida Universitária

Na manhã seguinte, o quarto 403 ecoava conversas simultâneas, cada voz absorta em sua própria ligação telefônica, como se todos discassem ao mesmo tempo.

"Alô! Lao B, fala mais baixo, não consigo ouvir minha mãe!"

"Seu desgraçado, não podia ligar depois? Ah? Mãe, não estou te xingando... Alô? Mãe, não desliga!"

"Alô, mãe! Hoje não volto. Ainda não terminei a tese, só poderei ir em alguns dias..."

Os quatro ligaram para suas famílias, dizendo mais ou menos as mesmas mentiras. Não eram bons em enganar, mas os pais fingiam acreditar. Em dois anos e meio de universidade, já contaram essas balelas incontáveis vezes. As famílias, de tanto ouvir, já nem se davam ao trabalho de desmascará-los. Afinal, quem pode realmente enganar pai e mãe?

Lembravam-se de dois anos antes, ao ingressarem na Universidade de Tecnologia de H. Após os sofridos anos do ensino fundamental e médio, a universidade era para eles um paraíso lendário — tempo de gozo e liberdade. Li era o mais frustrado: estudara em uma escola de destaque em Pudong, mas acabou entrando apenas em curso técnico. Por isso, chegara à universidade com grandes ambições: estudar mais, divertir-se menos, sonhando com um futuro promissor. Pequeno, ossudo, com apenas um metro e setenta, parecia subnutrido. Sem boas aparências, restava-lhe compensar pelas virtudes. Mas teria ele conseguido?

Wang, também de Pudong, era seu oposto, sempre brincalhão. Na recepção aos calouros, já dizia: "Meu maior hobby é brincar!". Liang, de Chongming, também era seu parceiro inseparável, ambos argutos e irreverentes, formando a dupla "Os Dois Anciãos de Huáshān". Lao Xiang, do sul de Hui, parecia tímido à primeira vista, mas logo mostrava seu lado travesso e inquieto, sempre apressado, deixando os outros sufocados com sua impaciência.

O quarto ainda contava com Chun Ge e Li Liang, cada qual com suas peculiaridades, mas ambos ausentes, provavelmente atarefados com estágios e teses.

Hao e Jie Ge, do dormitório 404 em frente, tornaram-se amigos pela proximidade e por serem colegas de classe. Moravam em Yangpu, sempre voltando juntos para casa. Hao se destacava pelo cabelo, tingido não por vaidade, mas por insistência da mãe. Sua lábia era superior à de Wang e Liang, sempre disposto a ajudar e aconselhar, sendo considerado o conselheiro do grupo. Jie Ge era notável pela altura — um metro e oitenta e oito, e ainda crescendo! Magro demais, com um ar delicado que o fazia parecer um rapaz gentil aos olhos das garotas. Era afável, discreto e querido por todos.

No primeiro semestre, ainda eram contidos, lendo nos dormitórios. Os rapazes do 403 tinham até um ritual: uma faxina completa semanal, sem poupar nenhum móvel. Por isso, ganharam a "Bandeira Vermelha da Limpeza", raro entre dormitórios masculinos notórios pela desordem!

Mas, com o tempo, a natureza brincalhona de Lao Zhu, Wang e Liang aflorou. Largaram os estudos, passaram a frequentar pistas de patinação, fliperamas — onde jogavam "Romance dos Três Reinos" —, e os livros só acumulavam poeira. Logo migraram para as lan houses, jogando "Diablo" e "Counter-Strike", entregando-se ao frenesi dos jogos. Li, que resistira até então, acabou cedendo, e os sonhos de estudar foram esquecidos.

Hao e Jie Ge, do 404, também se cansaram da rotina monótona e aderiram ao grupo, iniciando, enfim, uma autêntica vida universitária.

No segundo semestre, a empresa coreana W lançou o jogo online Yitèlāmǔ, operado por uma famosa empresa chinesa, logo se tornando febre nacional. Li, Wang e Hao, convidados por amigos, foram os primeiros a ingressar no mundo de Yitèlāmǔ, escolhendo o servidor 2, sala 5, ficando fascinados pelos gráficos, jogando sem parar. Lao Zhu, Liang e Jie Ge, após dois meses, também sucumbiram e juntaram-se ao exército de Yitèlāmǔ. A vida nas lan houses tornou-se parte indispensável dos dias universitários, com faltas às aulas e matérias reprovadas frequentes — exceto para os estudiosos Li e Jie Ge. Miojo e pratos do restaurante do campus eram a dieta, noites em claro tornaram-se rotina. O outrora imaculado dormitório 403 agora estava repleto de bitucas e imundície; a bela Bandeira da Limpeza servia de guardanapo para Lao Zhu — um triste fim.

Após um ano de intensa dedicação, passaram de novatos a jogadores experientes, formando laços com muitos veteranos, inclusive grandes mestres do servidor. A busca desenfreada por níveis e tesouros os exauria, mas o prazer do jogo os fazia esquecer do cansaço. Sentiam-se, enfim, felizes na universidade!

Porém, logo veio o inesperado... Cheats! Programas de trapaça invadiram Yitèlāmǔ. A incompetência da empresa operadora permitiu a proliferação dos cheats, levando antigos jogadores a abandonarem, enquanto os restantes passaram a usá-los em massa. O jogo perdeu seu brilho, caindo nos rankings de popularidade.

Lao Zhu, Wang e Liang, após terem contas roubadas e bloqueadas, migraram do servidor 2, sala 5, para o novo 16, sala 1, logo tornando-se veteranos e fazendo novos amigos. Lao Zhu virou até um dos grandes mestres, admirado por muitos. Li, Hao e Jie Ge permaneceram no servidor original, perseverando junto com os poucos antigos que restaram.

O tempo voou, e logo chegou o último semestre. Estágios e teses pesavam sobre eles, e o desafio de buscar trabalho se avizinhava. O fardo tornou-se pesado. Já não havia a despreocupação dos primeiros anos, apenas a correria. Nos primeiros semestres, nada além dos estudos preocupava; mas, ao se aproximarem da formatura, tudo mudava. Tinham de iniciar uma nova vida, enfrentar o mundo, seus desafios e pressões nunca antes experimentadas. Não é à toa que todos dizem: a vida universitária é a época mais feliz da existência...

Por causa dos estágios e da tese, o tempo juntos tornou-se escasso. Consequentemente, as horas em Yitèlāmǔ diminuíram. Ainda assim, quando conseguiam, reuniam-se para batalhar nas lan houses. Não abandonaram o jogo quando os cheats surgiram, nem o fariam agora. No jogo, encontravam um refúgio menos cruel que o mundo real. Talvez por isso hesitassem em deixar a universidade, em ingressar tão rápido na sociedade. Pois aquela felicidade estava fadada a desaparecer para sempre, irremediavelmente...

...

Como de costume, os rapazes do 403 foram ao cybercafé Huáqīng, todos com olheiras profundas. Encontraram uma fileira de computadores vagos, sentaram-se desanimados, pegaram o mouse e iniciaram o ritual de conexão ao Yitèlāmǔ. Era um movimento mecânico, repetido incontáveis vezes. Mas, naquele dia, em que não havia manutenção programada, a janela de login exibiu a mensagem: “Conexão ao servidor interrompida”.

O mais afetado foi, naturalmente, Lao Zhu! Atirou o mouse na mesa, praguejando: "Porra! Por que manutenção agora? Hoje não é dia disso! Será problema do cybercafé? Dono! Não, melhor: administrador!"

Liang logo o conteve: "Calma, Lao B... Não pode ser problema do cyber. Olha, todo mundo ao redor está navegando normalmente." Apontou para os demais clientes, alegres diante das telas.

Wang também interveio: "É isso, Lao B. E tenta se controlar, por favor. Olha, assustaste a garota ali atrás..."

Lao Zhu voltou-se e viu, ao fundo, uma jovem paralisada diante do computador, mãos tapando a boca, olhos arregalados e úmidos, tremendo de medo ao fitá-lo. Percebeu também o olhar furioso do dono do cybercafé. Resignou-se: "Vou jogar CS então!"

Li, observando a cena, pensou: Yitèlāmǔ, desenvolvido por uma empresa coreana, tornou-se nos últimos anos um fenômeno mundial, especialmente na China! Em 90% dos cybercafés, os clientes jogam esse game. Por ser tão popular, os agentes chineses certamente investem em servidores de alta qualidade e bom atendimento. Mas agora, dois dias seguidos de desconexão repentina, até suspensão total do serviço — algo inédito. Após um momento de silêncio, sugeriu: "Vamos ao site oficial." Abriram a página e se depararam com um anúncio em destaque: "Prezados usuários, devido a falha de telecomunicações e necessidade urgente de manutenção nos servidores, os serviços estarão suspensos por uma semana. A data de reabertura será anunciada. O tempo dos passes mensais será compensado..."

Normalmente, notícias de manutenção temporária provocariam protestos e xingamentos, mas, naquele dia, todos pareciam estar preparados, reagindo com uma calma estranha. O ambiente ficou carregado de dúvida...

...

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