Capítulo 6: Não Reconhecido
— Morreu?
De súbito, ao alcançar tal altura, a força de reação sobre o tablado crescia em múltiplos geométricos; mesmo que não fosse suficiente para matar alguém no ato, ao menos deixaria o infeliz condenado a uma vida de paralisia. De fato, tempos atrás, houve quem, confiando em sua cultivação, ousou galgar de um salto o topo do Palco do Salto do Dragão. O resultado foi trágico: morreu de forma horrenda, o corpo explodindo sem emitir sequer um grito.
Desde então, sabia-se que a ascensão ao Palco do Salto do Dragão só podia ser feita passo a passo. Salvo por talentos arcanos, raros em um século, que arriscavam subir várias escadas de uma vez, ninguém ousava avançar uma dezena de degraus num só salto.
— Hmph! Parece que até o céu não quer que você viva! — Jin Zhan, ainda que surpreso, viu seu sorriso congelar-se no rosto.
Mas eis que Li Yang tossiu sangue, massageando a nuca, e praguejou:
— Maldição! Quase morri de dor!
Está ileso? Jin Zhan estremeceu. Seria possível que esse desgraçado tivesse um talento superior ao dos maiores gênios da cultivação?
De súbito, sentiu um frio invadindo-lhe a virilha; ao baixar os olhos, apressou-se em ocultar sua intimidade.
— Maldito! — O ódio por Li Yang só fez crescer. Quis atacá-lo, mas a diferença de mais de dez degraus era intransponível, sequer ousava imaginar tal distância.
Li Yang, sentado nos degraus, não ousava mover-se de qualquer maneira. Contou cuidadosamente: sob seu corpo, estava precisamente no trigésimo sétimo degrau.
“Por que não sinto absolutamente nada?” Não percebia qualquer força de reação. Observando ao redor, seus olhos subitamente se estreitaram.
Do degrau 37 em diante, todas as escadas acima estavam cobertas por delicadas fissuras, quase invisíveis.
“Será que o Palco do Salto do Dragão está danificado?” Apressou-se em calar-se, pois só ele sabia disso; lá embaixo, ninguém percebeu ainda.
“Não! Preciso encontrar uma forma de enganá-los!”
Assim, sentou-se de pernas cruzadas, imitando os demais, praticando silenciosamente a respiração e circulação de energia.
Essa técnica de respiração era a arte suprema da Seita da Andorinha. Segundo o velho, o fundador, em fuga, buscou mestres por toda parte, tendo aprendido essa técnica de um discípulo do Wudang.
Nos anos em que ficou acamado, sem nada a fazer, dedicou-se quase todo o tempo a aperfeiçoar tal arte. Embora não tenha se tornado um mestre como nos dramas televisivos, prolongou-lhe a vida.
Por três anos consecutivos, a respiração e circulação tornaram-se-lhe instintivas.
Pouco a pouco, outros dez ou mais incautos também adentraram o local.
Ao cair da tarde, a chegada de um jovem de branco atraiu todos os olhares.
Era um jovem notável: traços já maduros, rosto talhado a cinzel, olhos como astros, sobrancelhas negras como espadas desembainhadas, semelhante a um imortal desterrado.
Galgando trinta degraus em sequência, deteve-se no trigésimo terceiro, deixando todos para trás, mas ninguém viu nisso algo impróprio; parecia-lhes natural.
Li Yang, até então em constante sobressalto, finalmente aliviou-se. Se o jovem desse mais um passo, talvez descobrisse que o Palco do Salto do Dragão estava defeituoso.
Sentou-se por mais uma hora. Só então, quando a noite caiu por completo, iniciou a escalada final. Depois de meio dia em ajuste respiratório, as feridas já não lhe doíam.
Restavam-lhe oito degraus, mas levou desde o entardecer até a meia-noite para vencê-los, exaurido até a alma.
Do degrau 38 em diante, cada passo era tormento: ao alcançar o quadragésimo, sangue jorrou de sua boca; os últimos degraus apenas os galgou rastejando, cuspindo sangue a cada avanço.
Haveria atuação mais extenuante que esta?
O jovem de branco, sentado no 33º degrau, abriu os olhos de súbito; no olhar, duas centelhas de estrelas brilharam. Admirou-se:
— Incrível! Conseguiu chegar ao topo!
— Hmph! Escolheste o momento certo, mas obter a herança não é tão simples assim!
O que se tem nas mãos nem sempre lhe pertence; pode ser apenas um depositário temporário.
A noite era densa como tinta; não se via a palma da mão diante do rosto, mas para alguém como Li Yang, acostumado ao labor noturno, a escuridão não era obstáculo.
Diante do palácio, sentiu ainda mais sua majestade; toda a sua insignificância lhe pesou na alma.
Na véspera, ouvira dizer que um grande personagem deixara ali uma herança, a qual só poderia ser reclamada por quem transpassasse todo o Palco do Salto do Dragão.
“Mas onde está a herança?” — Olhou ao redor, perplexo; esperou, mas nada aconteceu, e um mau pressentimento invadiu-lhe o coração.
Seria possível que, danificado o palco, também a herança se perdera?
Diante do palácio erguia-se um portal gigantesco, com quatro ou cinco metros de altura, adornado por argolas de bronze dourado, que imediatamente lhe chamaram a atenção. Seriam elas a chave para a herança?
Aproximou-se e tomou uma das argolas.
De imediato, uma onda de frescor percorreu-lhe o corpo, e uma voz majestosa ecoou-lhe na alma:
“Corpo mortal! Não tens qualificação para herdar o legado deste rei!”
No instante seguinte, sua mão foi repelida por uma força invisível.
“Corpo mortal?” — Li Yang fitou o vazio. Sempre acreditara ser um gênio da cultivação, orgulhoso de si; agora, era atirado ao abismo.
— Corpo mortal... corpo mortal!
Sua voz, antes soturna, ergueu-se subitamente, acordando até os quase adormecidos no palco.
— Esse sujeito é um corpo mortal?
Todos se entreolharam, surpresos, e logo depois radiantes; um corpo mortal jamais obteria a herança.
— Hmph! Então não passa de um inútil, incapaz de cultivar! — Jin Zhan mal conteve o riso, tomado de espanto.
— E daí? Sou um corpo mortal e daí? Apenas por isso devo valer menos? — Li Yang, indignado, arrancou a mala ao lado e atirou-a contra o portão.
“Bum! Bum!...”
Após dominar a energia interna, sua força equivalia ao impacto de um automóvel; o portão vibrava com estrondo.
Nuvens de poeira caíram; todo o palácio parecia tremer.
Os rostos se tingiram de assombro — será que o palácio desabaria?
“Bang!”
Após uma dezena de golpes, o portão cedeu, tombando com estrépito.
— Acabou mesmo desabando!
Ninguém ousava acreditar; nem o próprio Li Yang, que permaneceu atônito.
Shua!
Um raio de luz cruzou o portal; a escuridão dissipou-se como maré.
A velocidade não era grande, mas perceptível a olho nu, deslizando pelo palácio e pelo Palco do Salto do Dragão; os presentes sentiram o tempo desacelerar, como se pudessem seguir o rastro da luz.
Todo o conjunto de palácios dissolveu-se sob o sol, como reflexo fugaz, restando apenas alguns fragmentos de tijolo.
Ao olhar para baixo, o palco intransponível havia desaparecido, restando apenas marcas dos degraus, testemunhas de sua existência.
Agora, céu claro, brisa suave, o mundo transfigurado; tudo parecia um sonho.
— Não era a névoa fantasma?
— Então poderemos sair?
De fato, o temor sempre os assombrou, mas a cobiça pela herança lhes tomava a mente.
Alguns haviam buscado saída, sem êxito; agora, com a névoa dissipada, enfim podiam partir.
— Vamos! — Muitos partiram imediatamente.
O jovem de branco fitava o vazio onde antes se erguiam os palácios, rosto sombrio.
Por aquela herança, penetrara três vezes as Ruínas Divinas; desta vez, sacrificara até parte de sua cultivação para recomeçar.
— Será que foi ele quem a obteve?
Li Yang, recém-erguido do chão, ocultava o rosto do sol com a mão. Após dias sem ver a luz, não se habituava ao brilho intenso.
Shua!
O jovem de branco apareceu-lhe à frente, agarrando-lhe o pulso.
— O que está fazendo? Sou homem! — Li Yang assustou-se, retirando a mão com força.
Como se não soubesse? O jovem lançou-lhe um olhar fulminante, fazendo com que Li Yang emudecesse e até esquecesse de soltar a mão; só quando deixou de fitá-lo, recuperou-se.
— De fato, um corpo mortal.
Soltando o pulso de Li Yang, o jovem comentou, desolado:
— Hmph, era de se esperar. Não passava de uma restrição; como poderia a verdadeira herança estar aqui?
— Hein?
De súbito, notou a mala aos pés de Li Yang:
— O que há aí dentro? Abra e mostre-me!
— Você tem certeza que não é... — Li Yang começou a perguntar.
O jovem não entendeu de início, mas ao ver Li Yang encolhido, protegendo as nádegas, a expressão tornou-se sombria:
— Mais uma palavra e eu te mato!
— Então não é mesmo... — murmurou Li Yang, baixinho.
O jovem quase perdeu o controle; não fosse o pequeno careca parecer tão inofensivo, já o teria esbofeteado.
“Clic!”
Li Yang abriu a mala. Uma pedra preciosa, do tamanho de um botão, revelou-se.
Era de um azul celeste, mas, conforme o ângulo, refletia tons de violeta, verde e azul, idêntica ao “Coração do Oceano”.
Li Yang, sorrindo submisso, apresentou-a ao jovem:
— É o maior tesouro de minha terra natal; com ela, pode-se comprar uma rua inteira. Se quiser, faço um preço especial!
— Hmph! Não passa de diamante, guarde para si! — O jovem desprezou, julgando-a indigna até de adornar suas vestes.
Li Yang sentiu-se arrasado. Já supunha que naquele mundo tal objeto não valia nada, mas a confirmação lhe amargurou o coração.
Por ela, pagaram um preço alto; o velho quase perdeu a vida, e ele próprio ficou sem lar, à beira da morte.
— Podemos negociar o valor! — ainda insistiu Li Yang, mas o jovem já se afastava, sumindo como o vento.
Vendo-o partir, Li Yang enxugou o suor da testa. Agora compreendia porque belos rostos dominavam o mundo: atuar tão bem era extenuante.
Abaixou-se, recolocou o diamante na mala e, disfarçadamente, apanhou algo do solo, escondendo no peito.
Shua!
Nesse instante, um assovio agudo soou-lhe aos ouvidos...