Capítulo 7: O Pescador
Li Yang, empunhando a mala, rolou agilmente pelo chão, esquivando-se do golpe.
Erguendo-se e olhando para trás, exclamou, furioso:
— O que, afinal, você quer de mim?
Jin Zhan ficou momentaneamente atônito com a pergunta, mas sua sede de sangue não diminuiu — antes, intensificou-se.
Seus punhos dourados multiplicaram-se novamente, de dois para seis, cobrindo quase todos os pontos vitais da parte superior do corpo de Li Yang. Não havia escapatória. Só lhe restou erguer a mala diante do peito como escudo.
— Pum!
Mesmo preparado, Li Yang sentiu o sangue ferver sob o impacto; foi arrastado para trás sete ou oito metros, os pés riscando o chão como se um arado houvesse passado por ali, abrindo dois sulcos profundos. Suas mãos quase adormeceram com a vibração, mal conseguindo segurar a mala.
— Shua!
Jin Zhan, como um raio dourado, chegou diante dele no exato instante em que Li Yang tocava o solo.
— Pum!
— Pum!
...
Os ataques de Jin Zhan eram como um vendaval furioso, cada investida mais violenta que a anterior. Li Yang mal conseguia se defender. Ao receber o terceiro soco, foi arremessado de novo, voando pelo ar. Dessa vez, deslizou mais sete ou oito metros e, ao tentar se firmar, recuou outros três ou quatro. O gosto doce do sangue inundou-lhe a garganta, e um filete escarlate escorreu pelo canto dos lábios.
Cuspiu o sangue e praguejou:
— Esse desgraçado enlouqueceu? Só porque peguei umas coisinhas dele já quer me matar?
Não conseguia compreender por que Jin Zhan subitamente desejava sua morte, mas não tinha escolha senão avançar, endurecendo o espírito.
— Pum!
Pisou o solo com força, percorreu três passos rápidos e saltou, uma mão no cabo e a outra pressionando a parte traseira da mala, lançando-a contra a cabeça de Jin Zhan.
— Morra! — Jin Zhan não se esquivou, e desferiu um soco dourado diretamente contra a mala.
— Pum!
Li Yang foi detido no ar, permanecendo suspenso por quase três segundos até que ambos se separaram de súbito, apenas para voltarem a colidir.
— Pum!
— Pum!
...
Na verdade, suas forças eram equivalentes; o duelo era feroz, como duas tempestades que se chocam incessantemente, sem que em pouco tempo se pudesse decidir um vencedor.
Os que assistiam, inicialmente hesitantes, logo fugiram, temerosos de serem arrastados para o turbilhão da batalha.
— Bum...
Após centenas de golpes, ambos foram lançados ao chão, rolando várias vezes sobre si mesmos.
Jin Zhan, com os cabelos desgrenhados, jazia deitado, as vestes em frangalhos, tossindo sangue sem parar. Embora o poder de seu sangue lhe permitisse resistir à dureza do aço de tungstênio, a força contida nos golpes era avassaladora, e ele já não suportava tantas pancadas.
Li Yang, coberto de poeira, a cabeça nua manchada de lama, cuspiu sangue e se levantou do solo — mas seus movimentos não eram lentos.
Jin Zhan, tomado pelo desespero, tentou virar-se como uma tartaruga, precisando de várias tentativas para se erguer. Só então compreendeu que Li Yang havia consumido o Fruto Transformador de Dragão, fortalecendo-se de tal maneira que, não havendo dano interno, nada lhe seria fatal. Porém, originalmente, aqueles três frutos pertenciam a ele; era ele quem deveria estar pulando e saltando vigorosamente!
Pensando nisso, tossiu mais sangue, os olhos rubros, fixos em Li Yang.
— O quê? Ainda quer me matar? — Li Yang resmungou friamente. — Hum! Você acha mesmo que pode me matar?
E virou-se para partir, mas antes lançou um olhar por cima do ombro:
— Não ouse tentar de novo, ou vou te surrar tanto que nem sua mãe vai te reconhecer!
A sede de sangue de Jin Zhan não arrefeceu. Lentamente, ergueu-se e arrancou o pingente preso ao pescoço.
Era uma pequena espada, do comprimento de um dedo médio, inteiramente translúcida como jade, gravada com intricados e misteriosos símbolos — manifestamente não uma peça comum.
— Pu!
Jin Zhan mordeu a ponta da língua, cuspindo sangue fresco sobre a pequena espada. Imediatamente, ela brilhou com uma luz rubra, vibrando suavemente.
Empunhando a espada, Jin Zhan apontou-a em direção às costas de Li Yang e bradou:
— Vai!
A pequena espada cresceu com o vento, transformando-se instantaneamente numa lâmina de sangue de mais de um metro, que cortou o céu noturno como um relâmpago escarlate.
Li Yang, sempre atento ao que se passava atrás de si, reagiu antes mesmo de ouvir o som, movendo o corpo rapidamente. Contudo, a espada de sangue parecia dotada de olhos, acompanhando cada desvio seu.
— Que diabos é isso?
Mal teve tempo de proteger-se com a mala quando a espada de sangue investiu.
— Tang!
Mais uma vez, a mala de tungstênio deteve o ataque; porém, a força era tamanha que a mala deformou-se. Mesmo assim, a espada não perdeu o ímpeto: sua ponta cravou-se no metal, emitindo um grito agudo, como o de uma serra cortando aço.
A mala escapou-lhe das mãos e, com um baque surdo, atingiu-lhe o peito.
— Pu...
De sua boca jorrou um arco de sangue; os olhos escureceram, a mente ficou em branco. Lançado dezenas de metros pelo ar, caiu pesadamente ao solo e continuou rolando como uma pedra sobre a superfície, abrindo um sulco no chão.
Imóvel, ficou estirado no chão.
— Ommm!
A espada de sangue perdeu todo o brilho, retornando à forma de pingente e caindo do céu. Jin Zhan a apanhou imediatamente.
O pingente, antes imaculado, exibia agora uma fissura nítida. Jin Zhan sacudiu a cabeça ao vê-lo.
Era um tesouro secreto, forjado pelos anciãos de sua família; selava parte do poder deles, equivalente a um golpe supremo. Destinado a salvá-lo em situações desesperadoras, fora consumido contra um mero mortal — o que lhe causava certo pesar.
Mas, ao pensar que o segredo estava finalmente protegido, achou que tudo valera a pena.
A dezenas de metros dali, Li Yang jazia de olhos vidrados, o tronco esmagado pela mala, sangue escorrendo incessantemente do peito. Mal respirava.
Jin Zhan aproximou-se, sem escárnio, e falou calmamente:
— Suas mãos são sujas demais, mas o que jamais deveria ter feito era tocar naquele objeto!
Preparava-se para vasculhar Li Yang em busca do saco de armazenamento quando algo chamou sua atenção na mala. Se nem um tesouro secreto fora capaz de perfurá-la, ela própria era uma relíquia rara.
Agarrou a mala, mas nesse instante sentiu uma dor lancinante na nuca, como se um enxame de abelhas zunisse em sua cabeça — tamanha era a força do golpe.
Com o pouco de consciência que lhe restava, tentou virar-se para ver quem o atingira.
— Pum!
Uma sucessão de golpes atingiu-lhe o rosto; o último, ainda mais violento, não lhe permitiu vislumbrar o agressor antes de tombar.
— Hei! Não disse que viria cobrar minha vingança? Agora acredita?
O recém-chegado trajava roupas íntimas brancas, estava descalço, o rosto redondo e alvo — era o gordinho!
Com olhos ágeis, localizou e arrancou o pingente em forma de espada das mãos de Jin Zhan, murmurando consigo:
— Maldição! Eu nem tenho um saco de armazenamento, e esse desgraçado ainda carrega um tesouro!
Comparado ao saco de armazenamento, o tesouro era muito mais valioso. Mas todos os tesouros têm dono; só podem ser usados ao serem ativados com o sangue de seu proprietário, desfazendo assim seu selo.
Mas isso não era obstáculo para o gordinho. Não se sabe de onde, tirou um frasco de remédio, cortou o pulso de Jin Zhan e recolheu uma garrafa inteira de sangue, satisfeito.
Depois despiu o casaco de Jin Zhan e o vestiu, só então voltando sua atenção para outra presa.
— Mãe do céu!
O gordinho virou-se e levou um susto:
— Você... está bem?
Li Yang estava sentado, em silêncio, fitando-o friamente.
O gordinho não ousou mover-se: até Jin Zhan, um prodígio desperto das artes místicas, fora derrotado por Li Yang — ele mesmo não seria mais que um brinquedo nas mãos do outro.
— Que bom que está vivo! Que bom! — E, num movimento rápido, virou-se e fugiu.
Assim que desapareceu, Li Yang, que mantinha o torso ereto, desabou para trás, deitado de costas no chão.
Com a mão no peito, percebeu que ao menos duas costelas estavam quebradas.
— Felizmente, eu estava usando a armadura mágica! — Um pequeno gesto que lhe salvara a vida.
A armadura de fios dourados de Jin Zhan não era comum; apesar de parecer fina e maleável, dissipava ataques físicos com eficiência. Na verdade, era a armadura protetora do pai de Jin Zhan, chefe de uma grande casa — um artefato nada vulgar.
Três minutos depois, Li Yang ergueu-se novamente, retirou de dentro das vestes um saco de armazenamento do tamanho da palma da mão, guardou a mala e pôs-se a caminhar.
O gordinho era astuto como um demônio; certamente voltaria para conferir.
E, de fato, menos de dez minutos depois, o gordinho retornou e, ao ver o local vazio, ficou roxo de raiva.
— Maldição! Passei a vida caçando gansos, e hoje fui bicado no olho!
Com os olhos negros rodopiando, franziu o cenho e murmurou:
— Será que aquele maldito psicopata conseguiu mesmo herdar aquela linhagem...?
...