Capítulo Um: Preço Fixo
Junho, estação das chuvas—even que a tempestade caísse em torrentes, como se despejasse do céu com fúria, não conseguia encobrir o brilho noturno da metrópole, tampouco extinguir o ímpeto ardente de um filho que regressa ao lar.
—Estou de volta...—gritou Hua Bin, entusiasmado, numa voz que nem a chuva podia abafar. Os cabelos curtos, limpos e ágeis, molhados pela água, acentuavam ainda mais sua beleza singular—sobrancelhas marcadas, olhos brilhantes, todo ele exalando uma robustez viril.
—O velho me jogou nas forças especiais por oito anos, dizendo que só quem experimenta a morte pode compreender o sentido da vida e captar a essência do verdadeiro médico—reclamava Hua Bin.—Enquanto isso, ele próprio desfrutava dos prazeres mundanos. Preciso voltar logo pra casa e investigar quais são as verdadeiras intenções do velho!
Ao longo desses oito anos, a cidade de Qin Hai havia se transformado completamente—exceto este velho conjunto habitacional, que o alimentara e seguia intacto como outrora.
No terceiro andar, apartamento central, uma porta de ferro e outra de madeira, as mesmas fechaduras, a mesma chave—tudo como no passado.
—Hm? Ambas as portas estão trancadas, parece que o velho não está em casa... mas há som de água vindo do banheiro? O velho quer me surpreender—então vou dar-lhe um susto!—sorriu Hua Bin, caminhando com passos leves, girando a maçaneta de repente com firmeza. A porta se abriu de súbito. Lá dentro, o chuveiro ainda lançava seus jatos dispersos, a névoa se dissipou ao toque do vento. No meio das colunas d’água, uma figura deslumbrante surgiu diante de seus olhos!
A pele translúcida, alva, salpicada de gotas cristalinas; curvas graciosas, dignas de uma escultura de deusa; tudo, o permitido e o proibido, exposto diante de si—e um rosto delicado tomado de espanto.
Ambos, um dentro, outro fora da porta, olhavam-se fixamente, até que o olhar de Hua Bin desceu involuntariamente e, só então, a mulher recobrou os sentidos.
—Ah!—No instante seguinte, toalha, sabonete, shampoo voaram em sua direção, acompanhados de um grito ensurdecedor.
Hua Bin recuou apressado. Pouco depois, a mulher saiu envolta numa toalha, segurando uma bacia, e ao avistá-lo, arremessou-a sem hesitar. Hua Bin desviou, mas ela avançou contra ele.
Um chute lateral, um direto, um giro—três golpes fluidos, cada movimento revelando força e destreza: pernas como chicotes, socos que cortavam o ar, evidenciando uma capacidade de combate notável.
Mas para Hua Bin, tudo aquilo era como uma dança graciosa—e por fim, segurou firmemente o tornozelo dela. Só uma toalha lhe cobria o corpo, e nesse instante, sua perna erguida, o portal escancarado!
—Não olhe, seu canalha! Solte-me agora!—Ela, percebendo que sua nudez estava exposta, lutava com todas as forças.
Hua Bin soltou-lhe o pé e, ao vê-la pressionando a toalha com as mãos numa postura sedutora, notou que o pequeno tecido mal cobria o essencial—ardente ao extremo.
—Pervertido, você...—O olhar dele, lascivo, vagava por ela sem pudor, e ela explodiu de raiva.
—Não me entenda mal, somos da mesma casa—explicou Hua Bin, sacando seu documento de identidade como se fosse um policial.
—Quem é você para dizer isso?—Ela hesitou, mas ao ver o documento, tomou-o de mau humor e virou-se para partir.
‘Bam!’—A porta do quarto principal se fechou com estrondo. Hua Bin, tocando o nariz, sentiu quase sangrar—o quadro era belo demais para ser recordado.
—Quem será essa hóspede inesperada, de corpo escultural?—pensou Hua Bin.—Por que conhece o boxe policial exclusivo, e ainda executa os movimentos com tanta precisão?
Pouco depois, ela reapareceu vestida com um pijama recatado. Todo o encanto dissipado, mas o rosto ainda o impressionou.
Parecia ter cerca de vinte e três ou vinte e quatro anos; cabelo longo até os ombros, em estilo folha-de-lótus; sobrancelhas arqueadas como luas crescentes; olhos de amêndoa, nítidos e expressivos; nariz delicado, lábios cor-de-rosa, como pétalas de rosa, traços refinados.
Um rosto de leveza infantil, oval, adornado por cabelos negros—beleza radiante, impossível de comparar, fulgurante e irresistível.
Alta, de porte esguio, emanava delicadeza e graciosidade, mas agora, com mãos na cintura e olhos fulgurantes, lembrava uma pimenta ardente.
—Já olhou o suficiente?—Ela atirou-lhe o documento e um contrato de aluguel.—Agora acredito que seja da família, não invadiu a casa... mas sobre o que viu e não devia, temos que conversar.
—Na verdade, nunca é o suficiente...—Hua Bin deixou escapar. Ao vê-la lançar-lhe um olhar ameaçador, apressou-se a explicar:—Cheguei agora, só queria brincar com os meus.
—Essas desculpas não servem—ela cortou.—O fato é que você viu, e viu duas vezes. O que propõe?
—O que se pode fazer?—respondeu Hua Bin com sinceridade.—Talvez eu permita que você também veja uma vez, assim ficamos quites.
—Bah! Sonhe!—Ela ergueu dois dedos.—Dois caminhos: um, chamo a polícia e você será acusado de voyeurismo; dois, paga uma indenização.
—Indenização?—Hua Bin sorriu.—E há tabela de preços? Por peso, por medidas, ou por partes?
—Poupe-me, rapaz! Eu sou transparente com os valores.—Ela, altiva como um cisne, calculou:—Normalmente cobro trezentos por hora, quinhentos por sessão, mas isso vestida. Hoje estava sem roupa, porém foi rápido, então conto como uma hora; já que é meu colega, faço desconto—trezentos e cinquenta!
—Ah?—Hua Bin espantou-se. Antes, ela parecia desesperada, agora negociava com leveza. Hora, sessão... mas ela não tinha jeito de profissional.
Uma profissional saberia a técnica policial? Treinaria músculos do antebraço e punho? Claramente, ela encenava para ocultar sua identidade.
Hua Bin percebeu e, sorrindo, tirou setecentos.—Quero ver outra vez!
Ela apanhou o dinheiro, mas não cedeu.
—Pensou que eu era seu reprodutor, é só repetir?—respondeu ela, irritada.—Esse dinheiro é caução; morando juntos, inevitavelmente haverá ocasiões em que você verá algo, então descontarei daqui, sem nova cobrança!
—Ora, temos pré-pagamento, então deveria me devolver um pouco todo dia!—Hua Bin riu, sem se importar.
—Depende do meu humor—replicou ela, com vivacidade.
Dito isso, virou-se para sair. Hua Bin a deteve:
—Já que aceitou o dinheiro, o assunto está resolvido. Agora que somos colegas, precisamos nos apresentar. Chamo-me Hua Bin, e este é meu lar!
—Já sei, não precisa repetir sem parar.—Ela, impaciente:—Sou mais bela que as flores, sensível, meu nome é Hua Jieyu; guarde bem. Sou inquilina legal, com contrato. Ocupo o quarto principal, você o secundário. Se quiser falar comigo, consulte o preço; depende do mercado!
—Muito bem, quando o mercado cair, voltarei.—Hua Bin, perspicaz, concordou.
Ela bufou e retornou ao quarto. Hua Bin, sorrindo, comentou:
—Que Hua Jieyu! Só pode ser nome de flor; sabe boxe policial, sobrancelhas ainda puras, pernas juntas, pele ruborizada—ainda é virgem, será uma agente infiltrada?
—E quanto ao velho? Não só não está, como alugou o imóvel... O que estará tramando?
Hua Bin voltou para seu quarto; o velho, ao menos, só alugara um cômodo. Tudo mantinha-se limpo e arrumado, tal como antes.
Ao abrir o armário para arrumar a bagagem, uma carta caiu. A caligrafia vigorosa, quase voando como dragão e fênix, denunciava o autor.
—Moleque, voltou!—soava familiar.—Não posso elogiar face a face o herói de mil batalhas, nem premiar o médico que salvou tantos; lamento. Mas o amor chegou, e não pude resistir: fugi com ele!
—Fu... Fugiu?—Hua Bin ficou atônito, imaginando o velho grisalho e uma velha enrugada, ambos exibindo carinho.
—Sei que tens muitos questionamentos: sobre teus pais, tua origem. Agora adulto, é melhor que busques as respostas por si. Por fim, este ‘Manuscrito de Hua Tuo’ é teu. Embora já o domines, a herança do Deus da Medicina é vasta e profunda; o quanto aprenderás depende de tua compreensão. Lembre-se, nunca me procure!
—Só isso?—Hua Bin leu e releu, entre confuso e divertido.—O velho insiste para não procurá-lo; será que fugiu com a esposa alheia?
—Me deixou para trás e ainda faz mistério, pedindo para eu buscar respostas. E agora que posso projetar energia vital, como a concentrar e convertê-la em energia verdadeira?
Nesse momento, um ruído interrompeu seus pensamentos. Ao sair, viu que Hua Jieyu partira; o quarto principal estava aberto, tudo desordenado, roupas íntimas e meias espalhadas, um cheiro indefinido pairando no ar.
—Que seja, deixa rolar—sorriu, resignado.—Um homem deve viver livre e audaz. Quando fiquei um mês infiltrado na selva, convivendo com serpentes e insetos, ainda achei prazer. Neste mundo de flores, mais ainda posso brilhar!
Hua Bin recompôs-se, trocou de roupa e saiu para visitar o senhor Chen, antigo vizinho. Quando o velho saía para buscar remédios ou atender pacientes, deixava Hua Bin sob seus cuidados, recebendo carinho—quase um segundo lar.
Ao bater à porta, um homem apareceu. Hua Bin ficou surpreso, achando reconhecer, mas sem certeza.
O homem, de cabelos ralos, pele escura, barba espessa, rosto marcado pelo tempo—mas os olhos denunciavam juventude.
Ambos se estudaram, sentindo-se ao mesmo tempo familiares e estranhos. Por fim, o homem falou:
—Xiao Bin, você é Xiao Bin!?