Capítulo Quatro: Armas Humanas
Flor Jieyu sentia que estava à beira da loucura. Em apenas um dia, já havia sido vista por aquele sujeito duas vezes; há pouco, tinham trocado carícias, beijos e toques, e, em meio à confusão dos sentidos, ela nem sabia mais o que fizera. Felizmente, ainda preservava sua integridade, do contrário...
Vendo-a naquele estado de hesitação, Hua Bin comentou com desdém:
— Nem venha dizer que foi para te ajudar; mesmo se algo tivesse acontecido, não poderia me culpar, não. Agora mesmo foi você quem veio me agarrar, mordendo-me com tanta força que meus lábios ficaram dormentes. Não foi nada agradável, precisa treinar mais.
— Ora, aproveitador! — explodiu Flor Jieyu. — Só fiz aquilo porque temi que você gritasse "polícia" e, com pessoas passando na porta, tive de calar sua boca daquele jeito. E, afinal, como você soube que eu era policial?
— Ah, isso é fácil — respondeu Hua Bin, sem rodeios. — Eu nunca vi uma virgem frequentando uma boate, ainda mais uma virgem que domina o pugilismo policial.
Flor Jieyu ficou chocada; não esperava que, após poucas trocas de golpes, ele já tivesse percebido que se tratava de uma técnica policial.
Observando a expressão dela, Hua Bin adivinhou seus pensamentos e desviou o assunto:
— Aposto que você se infiltrou de propósito ao lado de Qiao Tianhe, provavelmente investigando pistas sobre tráfico de armas!
Flor Jieyu estava completamente atônita. Em voz baixa e alerta, indagou:
— Você sabe até disso?
Hua Bin sorriu levemente:
— Não importa se esse tal de Senhor Qiao é um vigarista ou um tirano; em suas mãos não deveria haver uma réplica de arma militar. Certamente há um fornecedor por trás dele, e é esse traficante de armas o verdadeiro alvo da sua investigação.
Flor Jieyu semicerrava os olhos, encolhida num canto do sofá, ainda com o corpo fora de controle. Seu aspecto miserável, ao lado do Senhor Qiao estirado no chão, contrastava com a autoconfiança de Hua Bin, como se ela tivesse sido flagrada em traição pelo namorado.
— Quem é você, afinal?
Hua Bin riu:
— Se da próxima vez quiser me beijar, ao menos me avise antes, que eu te conto!
— Cai fora! — retrucou Flor Jieyu, o rosto em brasa. — Daqui a pouco os capangas dele chegam, e se houver outra confusão, meu disfarce estará comprometido.
Com isso, Flor Jieyu praticamente admitia ser policial, e já não queria mais ficar perto de Hua Bin. Sentia que ele era como um nevoeiro: insondável, perigoso, mas irresistivelmente atraente, despertando nela o desejo de conhecê-lo a fundo.
E, no entanto, era ela quem se via completamente exposta diante dele.
— Está bem! — respondeu Hua Bin. — Então vou para casa te esperar.
Sem pressa de voltar, Hua Bin se deixou seduzir pelo esplendor noturno da cidade — luzes faiscantes, uma cena vibrante de prosperidade. Sentou-se numa banca de rua para comer e beber, ouvindo os transeuntes conversarem sobre a vida urbana, buscando assim integrar-se à nova rotina.
Quando chegou ao prédio, já era quase meia-noite. Prestes a adentrar o corredor, sentiu, de repente, que na escuridão ao redor se ocultavam muitas respirações em ritmos desiguais e uma aura de perigo começava a se espalhar.
— Ora, quem ousa tanto assim? — murmurou Hua Bin, rindo consigo mesmo enquanto alongava suavemente o corpo.
Nesse instante, uma silhueta voluptuosa surgiu das sombras. Sob a luz do poste, revelou-se um rosto carregado de maquiagem — era Flor Jieyu.
— Ora, ora, não é a senhorita da família rica! — gracejou Hua Bin, surpreso por encontrá-la tão cedo, já plenamente recuperada do êxtase anterior, agora vestida com roupas ainda mais provocantes.
Flor Jieyu lançou-lhe um olhar de desdém, sem dizer palavra, aproximando-se diretamente. Trajava um macacão justo de couro preto, delineando curvas exuberantes, seios fartos e quadris proeminentes. Nos pés, saltos de sete polegadas, tão finos e afiados quanto punhais.
Hua Bin admirava-lhe a figura cândida quando, de súbito, Flor Jieyu abriu os braços e o enlaçou com força, unindo seus corpos como se se fundissem em um só.
— Não combinamos que, se quisesse intimidades, deveria avisar primeiro? — brincou Hua Bin. — Meu charme é assim tão irresistível?
Flor Jieyu, tomada de raiva, apertava seus braços ao redor dele, como se quisesse sufocá-lo.
— É ele! Irmãos, peguem-no! Vinguem o Senhor Qiao! — gritou ela de repente.
Do escuro, uma turba de homens armados de barras de ferro e facões avançou furiosamente. Hua Bin compreendeu: caíra numa emboscada engendrada por uma bela mulher.
— Boa sorte para você — murmurou Flor Jieyu, ainda o abraçando.
Hua Bin também sorriu; ambos sabiam que aquele abraço não era suficiente para contê-lo — Flor Jieyu encenava um papel para os bandidos verem.
Mas os delinquentes nada sabiam; já o cercavam, armas em punho, prontos para atacá-lo de todos os lados.
Hua Bin lançou-lhes um olhar sorridente e, de repente, deslizou as mãos das cinturas de Flor Jieyu para as axilas dela, fazendo-lhe cócegas. Dominada por uma onda de riso e espasmos, ela o soltou.
Ele então segurou-lhe os ombros e a girou no ar, como numa dança de patinação artística, leve e elegante. Os primeiros inimigos foram derrubados de imediato, alguns com o rosto marcado pelos saltos letais de sete polegadas.
Hua Bin transformara Flor Jieyu em seu bastão dourado, brandindo-a como Sun Wukong. Ela, por sua vez, ajudava-o: mantinha as pernas esticadas, os saltos servindo de armas afiadas, abrindo caminho.
E, ao mesmo tempo, gritava em desespero fingido:
— Ai, mamãe, me ajudem, estou tonta...
Os comparsas queriam socorrê-la, mas era impossível se aproximar; restavam apenas quatro.
Hua Bin parou bruscamente, colocando Flor Jieyu no chão. Ela fingiu estar zonza, cambaleando, e sussurrou:
— Bata em mim, bata com seu golpe mais feroz.
Hua Bin entendeu: ela queria encenar, e ele se apressou a colaborar, bradando:
— Maldita, ousa me atacar pelas costas? Eu vou te matar!
Com um rugido, Hua Bin executou um golpe nunca antes utilizado: o "Tigre Negro Arranca Coração", também conhecido como a lendária "Garra do Dragão nas Montanhas".
Ambas as mãos pousaram sobre o busto abundante de Flor Jieyu. Ela ficou atônita, sentindo uma corrente elétrica percorrer-lhe o peito, um misto de torpor e prazer