Capítulo Dois Prazeres e Vinganças

Dokter Spesialis Tak Terkekang Nan Quan Bei Tui 3399kata 2026-03-12 14:32:13

Ao ouvir a voz do homem, Hua Bin imediatamente reconheceu aquele timbre familiar; uma onda de emoção intensa irrompeu em seu coração.
— Segundo irmão, você é o Chen Erge! — exclamou Hua Bin, tomado de júbilo. Finalmente, encontrara um parente. Abraçou o homem com força, mas este soltou um gemido de dor.
Hua Bin o soltou depressa e, só então, percebeu que a perna esquerda de Chen Erge estava engessada. Amparou-o com cuidado e perguntou:
— Segundo irmão, o que aconteceu com sua perna?
A expressão de Chen Erge mudou, mas logo desviou o assunto:
— Uma bobagem... Irmão, quando você voltou? Entre, venha, quantos anos já se passaram desde nosso último encontro!
Hua Bin o sustentava enquanto, do outro lado, Chen Erge apoiava-se em uma muleta. Entraram na pequena casa, que permanecia igual àquela de outrora. Na cozinha, uma mulher vestida com roupas domésticas, de aparência comum, mas com sobrancelhas arqueadas e olhos de fênix, deixava claro seu temperamento feroz.
Ela observava os dois; Hua Bin apressou-se a cumprimentá-la:
— Esta deve ser a cunhada, não é? Prazer, sou o vizinho do andar de baixo.
A mulher esboçou um sorriso discreto. Chen Erge imediatamente disse:
— Por que está aí parada? Este é meu irmão, não nos vemos há anos. Prepare logo dois pratos, vamos beber juntos!
Ao ouvir isso, a mulher ergueu as sobrancelhas e respondeu com sarcasmo:
— Pratos? Não tenho. Vai beber vento do noroeste?
O tom cortante e frio fez Chen Erge se enfurecer, ferido em seu orgulho. Ele levantou a muleta, disposto a avançar:
— Sua mulher malcriada, está pedindo uma surra...
— Bata, bata mesmo! Você, esse fracassado, só sabe bater na esposa. Quando quebraram sua perna, não vi essa valentia toda! — retrucou ela, avançando para arranhar Chen Erge.
Ele ficou vermelho de vergonha e raiva, bateu a muleta no chão com força e saltou para dentro, pegando uma garrafa de aguardente sobre a mesa, que despejou goela abaixo, buscando anestesiar-se.
Ver o segundo irmão tão humilhado e abatido fez Hua Bin sentir uma pontada de dor; era alguém que considerava família, e não podia permitir tal afronta.
Virou-se para a mulher e perguntou:
— Cunhada, afinal, o que aconteceu?
— Irmão, você precisa ajudar seu segundo irmão! — ela clamou, indiferente à relação entre Hua Bin e Chen Erge, suplicando por justiça:
— Sabe, seu segundo irmão não tem outra habilidade além de dirigir e consertar carros. Costuma trabalhar de táxi e, quando surge oportunidade, compra um carro usado para ganhar algum dinheiro.
Mas, dias atrás, uns canalhas armaram para ele. Primeiro, mandaram alguém vender a ele um carro roubado, alegando não ter documentos. Seu segundo irmão viu vantagem e pagou cinquenta mil para ficar com o carro. Assim que pagou, um grupo apareceu dizendo ser o proprietário, mostrou documentos, não só tomou o carro, como ainda quebrou a perna dele. O prejuízo foi de cem mil, entre carro e hospital.
Hua Bin franziu o cenho:
— Isso é claramente uma armadilha. Espancam você, e ainda, como comprou coisa roubada, não ousa denunciar. Segundo irmão, quem te fez isso?
Chen Erge suspirou:
— São homens do chefe Qiao. Querem monopolizar o mercado de carros usados, controlar os preços. Eu não quis entrar para o grupo deles, e veja no que deu...
Hua Bin sorriu tranquilamente:
— Está bem, segundo irmão. Não brigue com a cunhada, guarde o álcool. Vou sair, comprar uns petiscos para acompanharmos. Cunhada, cuide bem do meu irmão, tudo se resolverá.
Ao perceber a intenção de Hua Bin, Chen Erge adivinhou o que ele pretendia e correu para detê-lo:
— Irmão, por favor, não se meta nisso! Qiao Tianhe é o imperador daqui; tem contatos tanto na lei quanto fora dela. Imobiliárias, cassinos, usura, tudo ele faz. Dias atrás, disputou um negócio de bilhões e trouxe até mercenários estrangeiros, assassinos profissionais.
— Oh? Mercenários? Que interessante, agora quero mesmo conhecer. — disse Hua Bin, sorrindo, sem demonstrar medo; saiu decidido, pois não poderia ignorar a afronta sofrida por seu irmão.

Nos arredores da cidade, no mercado de carros usados, quase cem veículos ocupavam o amplo pátio. Era hora do almoço, o local estava vazio, exceto por três jovens fumando e conversando na entrada.
Um deles, de mãos tatuadas, dizia:
— Naquela vez, eu e o Hao colaboramos perfeitamente. Eu prendi a perna do otário, Hao deu uma tacada certeira, crack! Osso e tendão rompidos. Serviço limpo e fácil, não foi, Hao?
O chamado Hao, agachado ao lado, ostentava uma cicatriz no rosto e assentiu com frieza.
— Realmente, veio fácil demais! — pensou Hua Bin.
Ele caminhava despreocupado, analisando os carros e resmungando:
— Este foi retocado, aquele trocou o para-brisa... Meu Deus, este é pior, até o chassi dianteiro foi substituído... Todos são carros de acidente. Isso é venda ou armadilha?
Os três, ouvindo-o, cercaram-no imediatamente. O cicatrizado Hao perguntou, em tom frio:
— Amigo, você tem olho bom. Veio vender carro ou procurar encrenca?
Hua Bin lançou-lhe um olhar e sorriu:
— O que você acha?
Hao respondeu:
— Amigo, aqui é negócio do chefe Qiao. Se veio arrumar confusão, está no lugar errado.
— Chefe Qiao? — fingiu surpresa Hua Bin. — Qiao Jobs? Não vendia celulares? Mudou de ramo?
— Maldito, veio mesmo procurar problema, não foi? — o tatuado não se conteve, foi direto agarrar a gola de Hua Bin, gesto típico dos marginais antes da briga, e também o mais arriscado.
— Ótimo! —
Hua Bin sorriu por dentro, mirou a mão do adversário, agarrou o pulso, puxando-o para trás; o braço esticou, e com a outra mão, deu apoio sob o cotovelo. Ouviu-se um estalo: o braço partiu-se em dois.
— Ah... — O tatuado urrou de dor lancinante.
Hao, ao ver, atacou como fera, tentando sufocar Hua Bin.
Este desviou-se velozmente, abaixou-se e desferiu um soco no abdômen de Hao, que engasgou, abrindo a boca em agonia.
Com olhar gélido, Hua Bin chutou-lhe a perna direita, atingindo o joelho; Hao caiu, soltando gritos bestiais, sentindo a perna desaparecer: fratura no joelho, ruptura do menisco e dos ligamentos...
Hao e o tatuado, um com a perna inutilizada, outro com o braço partido, tombaram no chão, seus gritos ecoando pelo estacionamento vazio, arrepiando quem os ouvisse.
Um terceiro marginal, aterrorizado diante de Hua Bin, hesitou antes de sacar uma faca de mola e investiu contra ele.
Hua Bin sorriu levemente; quando a lâmina se aproximou, desviou-se para o lado, abriu a porta de um carro, e o marginal, sem frear, atravessou o vidro da porta, ferindo gravemente o braço, o sangue jorrando.
Hua Bin avançou, segurou-lhe a nuca e a chocou contra o teto do carro. O marginal desmaiou, pendurado na porta.

Olhando friamente para Hao e o tatuado, Hua Bin perguntou em voz severa:
— Onde está Qiao Tianhe?
Ambos, consumidos pela dor, mal conseguiam falar. Hua Bin pisou sobre o joelho esmagado de Hao, que quase desmaiou, murmurando com dificuldade:
— Você é cruel... Se tem coragem, procure-o no clube noturno "Casa dos Nobres".

— Bravo, maravilhoso! — exclamou um homem no camarote VIP do clube "Casa dos Nobres". — Jamais imaginei que você dançasse tão bem, como um pequeno cisne!
Uma mulher de beleza delicada, com traços refinados e etéreos, vestida de branco, girou diante dele, a roupa esvoaçando, os cabelos soltos, radiante como uma deusa.
— Linda, estou completamente apaixonado por você — declarou o homem. — Comprei todo o clube noturno, não é prova de minha sinceridade? Nem uma estrela custaria tanto. Se aceitar ficar comigo, este clube será seu.
Falava com arrogância, ostentando cabelos penteados para trás, camisa e calças de alfaiataria, típico homem de sucesso, mas o olhar feroz e as palavras vulgares traíam seu temperamento de bandido.
Levantou-se e tentou abraçar a mulher, que, fingindo timidez, escapou, rindo. Ele a perseguiu, desajeitado como um personagem de fábula.
— Bam! — De repente, a porta foi arrombada com um chute, assustando ambos. Era Hua Bin, imponente na entrada, irradiando uma presença montanhosa. O sorriso era sereno, mas os olhos brilhavam com intensidade, alternando o olhar entre o homem e a mulher, cuja beleza destoava do ambiente vulgar do clube.
A mulher era sua colega de quarto, Hua Jieyu; o homem, evidentemente, era Qiao Tianhe. Jamais imaginara encontrá-los juntos.
Hua Bin lançou um olhar mordaz a Hua Jieyu:
— Com esse corpo, cisne? É tudo do mesmo tamanho, parece mais uma máquina de lavar cisnes!
— Você... — Hua Jieyu explodiu de raiva, surpresa pela chegada de Hua Bin e pelo tom hostil.
— Você é Qiao Tianhe? — perguntou Hua Bin, sorrindo.
Qiao Tianhe, olhos semicerrados, manteve a calma, pousou o copo e discretamente levou uma mão às costas, indagando friamente:
— Você é quem feriu Ah Hao e os outros?
— Oh? Já sabe? — Hua Bin demonstrou leve surpresa. — Melhor ainda, vim acertar uma conta com você.
Avançou com sorriso frio, passos firmes, o ar de quem vai repreender um filho desobediente, mas uma aura letal envolvia o ambiente, causando temor.
— Não se mexa! — gritou Qiao Tianhe, sacando repentinamente uma pistola negra.

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