Capítulo Cinco: Mestra Exímia nas Artes Médicas

Dokter Spesialis Tak Terkekang Nan Quan Bei Tui 3389kata 2026-03-15 14:33:34

Por fim, foi Hua Jieyu quem rompeu aquela atmosfera encantadora, levantando-se e dizendo:
— Vou para o quarto descansar.
— Oh. Está bem! — respondeu Hua Bin, ainda relutante em deixar aquele momento findar.

Um homem e uma mulher, sozinhos sob o mesmo teto, o maior receio é o atrito; o atrito gera calor, o atrito acende o fogo, o atrito desperta sentimentos; e, entre um atrito e outro, facilmente resulta em... bem, em faíscas incontroláveis.

Hua Jieyu recolheu-se, Hua Bin entrou no banheiro; o quarto mergulhou num silêncio denso, e a atmosfera de ambiguidade permanecia suspensa no ar. Hua Bin apressou-se a abrir a torneira, lavou o rosto, tentando arrefecer o ímpeto que lhe abrasava o peito. Viu, então, no espelho, que as roupas estavam um tanto sujas, e decidiu lavá-las.

O detergente que Hua Jieyu comprara era de excelente qualidade; em poucos movimentos, a espuma multiplicou-se. Hua Bin esfregava as roupas com energia, e as bolhas saltavam, algumas caindo-lhe sobre o corpo. Uma delas, mais atrevida, pousou-lhe exatamente no baixo-ventre.

Foi nesse instante que Hua Jieyu empurrou a porta, resmungando:
— Está lavando roupa há tanto tempo, deixa eu usar primeiro...

Mal terminou a frase, ficou paralisada ao deparar-se com a cena: a espuma dissipando-se sobre o ventre de Hua Bin. Seu belo rosto ruborizou-se de imediato.
— Credo! — exclamou, cuspindo no chão como que para afastar o embaraço, e saiu correndo, fechando a porta do quarto com força e trancando-a.

— Ai... — Hua Bin olhou para si, entre divertido e desconcertado. — Será que essa garota entendeu tudo errado?

Do outro lado da porta, Hua Jieyu recostou-se contra ela, o rosto ainda em chamas:
— Que canalha! Mal terminou de me apalpar e já foi se aliviar...

— A reputação ilibada deste irmão, a conduta inabalável... — murmurou Hua Bin, aborrecido. — Não posso permitir que tudo se destrua por tão pouco.

Dirigiu-se então à porta de Hua Jieyu e, através dela, tentou explicar:
— Ei, olha, sobre aquilo de agora há pouco, eu só estava...

— Vou dormir! — interrompeu a voz dela, seca, do outro lado.

— Eu... — Hua Bin suspirou, frustrado, sem saber como explicar, e resolveu mudar de assunto:
— Só queria perguntar, afinal, o que foi que aconteceu?

Hua Jieyu silenciou por um momento e, então, respondeu:
— Fui eu quem trouxe os homens de Qiao Tianhe. Ele sofreu uma perda tão grande que certamente vai querer se vingar, mas, sem conseguir te encontrar, para ganhar a confiança dele, disse que estava te seguindo e os trouxe até aqui.

— Para conquistar a confiança de Qiao Tianhe, você me entregou. — Hua Bin sorriu, amargo. — Foi assim que você me traiu. Não pesa na sua consciência? Será que...

Um estrondo. A porta abriu-se de repente; Hua Jieyu, de pijama, surgiu diante dele, sem hesitar depositou-lhe algo nas mãos e disse:
— Pronto, pare de procurar pretexto para conversar, vá se divertir sozinho!

Bateu a porta e apagou a luz.

Hua Bin olhou para o objeto nas mãos e ficou estupefato: era uma pequena calcinha branca de algodão, ainda quente!

Imediatamente gritou para dentro do quarto:
— Eu não me masturbei, e muito menos tenho fetiche por isso!

Embora dissesse tais palavras, a pequena peça íntima desapareceu para sempre...

Antes mesmo do amanhecer, Hua Bin ouviu Hua Jieyu sair; provavelmente fora novamente ao encontro de Qiao Tianhe — embora o plano de vingança tivesse fracassado, bastava para conquistar-lhe a confiança.

Após o desjejum, Hua Bin, munido dos cem mil yuan de Qiao Tianhe, dirigiu-se à casa do irmão Chen, bateu à porta e percebeu que o casal o fitava com um olhar estranho, temerosos como se diante de um fantasma.

— Irmão, você... — Chen levantou-se, examinando Hua Bin de cima a baixo; só ao ver que estava ileso, respirou aliviado: — Um amigo taxista acabou de telefonar, disse que ontem à noite Qiao Tianhe teve a perna quebrada numa boate.

Hua Bin riu consigo: “Os taxistas, depois dos mendigos, são o maior grupo de informantes que existe.”

Depositou o dinheiro, sorrindo, sem nada dizer.

Chen encarou-o, a emoção à flor da pele, mas ao fim só pôde suspirar:

— Irmão, foi por minha causa que você se meteu nessa encrenca.

Hua Bin deu de ombros e, ao notar algumas roupas sobre o sofá, compreendeu a situação. O casal, percebendo seu olhar, pareceu constrangido, até que a esposa explicou:

— Irmão, minha mãe ligou agora há pouco, está adoentada, preciso ir cuidar dela...

Hua Bin entendeu imediatamente: eles estavam fugindo para evitar problemas. Chen sentia-se enormemente constrangido, mas Hua Bin compreendia perfeitamente — eram apenas um casal comum, apanhados de surpresa pela fúria de alguém como Qiao Tianhe, o medo era natural.

— Vão logo, cuidar dos pais é prioridade. — declarou Hua Bin sem hesitar. — Não diga mais nada, quando eu era solitário e desamparado, vocês cuidaram de mim de muitas formas. O carinho do velho e da velha foi como de pais para um filho. Eu não poderia deixar de ajudá-los, não se preocupe!

Chen tirou um molho de chaves do bolso e forçou-o nas mãos de Hua Bin:

— Irmão, estas são as chaves do meu táxi, os documentos estão no carro. Se precisar, pode penhorar, vender, o que for. Só quero que você se cuide...

Hua Bin, é claro, relutou em aceitar, mas não conseguiu recusar. Resignado, disse:

— Então ficarei com o carro por ora, já que acabei de voltar e não tenho trabalho. Vou te pagar uma parte do lucro todo mês.

— Faça como achar melhor, só quero que esteja seguro. — respondeu Chen, com sinceridade.

O casal saiu apressado. Observando-os partir, Hua Bin pensou: “Qiao Tianhe é mesmo um tirano, obrigando pessoas a abandonar o lar. Mas agora a polícia está no encalço dele; creio que Hua Jieyu logo o entregará à justiça, e tudo se resolverá.”

Deixou o condomínio e seguiu até o estacionamento próximo à rua para buscar o táxi. Ao virar a esquina, deparou-se com uma multidão reunida, os rostos carregados de tensão, sussurrando, o ambiente pesado.

Curioso, Hua Bin aproximou-se; esgueirando-se entre as pessoas, viu uma mulher caída ao chão, de bruços, os longos cabelos desordenados espalhados pelas costas, o corpo tremendo levemente. Hua Bin assustou-se — era evidente que sofria um ataque, ninguém cairia assim por acaso.

Tentou abrir passagem, mas ouviu alguém resmungar ao lado:

— Pra que empurrar? Quer ver o espetáculo, espere sua vez!

Hua Bin lançou um olhar fulminante para o sujeito, pronto a retrucar, quando outra voz comentou:

— Ninguém toque nela! Olhe só, tão jovem, vestida de grife, como pode simplesmente cair assim, sozinha? Aposto que é golpe pra extorquir alguém!

— Besteira! — exclamou Hua Bin, não mais contendo a fúria. Um fogo indignado irrompeu-lhe no olhar, encarando com severidade a multidão apática. Seu olhar gélido parecia tangível, forçando os presentes a recuarem um a um:
— Vocês perderam toda a humanidade?

Abriu caminho à força e ajoelhou-se junto à mulher, enquanto os murmúrios recrudesciam — ninguém refletia sobre a própria indiferença, mas apressavam-se a recriminá-lo por sua atitude.

Hua Bin ignorou-os, ergueu suavemente a mulher e virou-a de costas; se permanecesse como estava, logo sufocaria.

Apesar do pó no rosto e de alguns arranhões na face, a beleza delicada da mulher era inegável. Contudo, naquele momento, ela estava lívida, lábios arroxeados, olhos cerrados, respirando com dificuldade e rapidez. Hua Bin pousou três dedos sobre o pulso dela: o batimento era fraco, intermitente.

“É um ataque agudo do coração, a força vital quase esgotada, o sangue e o qi estagnados no retorno ao órgão. Será que a causa é...?”

A situação era crítica, cada segundo contava, exigindo medidas extraordinárias.

Deitou a mulher de costas no chão, segurou-lhe ambos os pulsos, e uma corrente vigorosa de energia vital fluiu de seus dedos para os meridianos dela. Parecia uma despedida entre vida e morte, segurando-a para que não partisse.

Os transeuntes olhavam, intrigados, sem entender aquele método de socorro, alguns suspeitando de uma farsa. Mas um olhar mais atento percebia que, na testa de Hua Bin, formava-se uma névoa úmida, como se fosse um mestre de artes marciais em pleno uso do poder interno.

De fato, era isso mesmo: Hua Bin conduzia seu próprio qi através das mãos, injetando-o nos vasos sanguíneos da mulher, usando o qi como força motriz para romper os bloqueios em suas veias. Sempre que encontrava um obstáculo, sentia grande esforço, mas precisava ser cauteloso para não romper as frágeis paredes dos vasos.

Hua Bin dominava sua energia vital com precisão absoluta, navegando pelos vasos da mulher como se fosse o próprio sangue, garantindo a circulação sem causar danos.

Pouco a pouco, o suor lhe escorria pela testa, a névoa ao redor aumentava, e seu rosto se tingia de rubor, à medida que o qi se esvaía em profusão.

Seus esforços não foram em vão: a cor violácea do rosto da mulher cedeu lugar ao rubor natural.

Ele cessou a infusão de qi, e, como não há gênero para o médico diante da vida, envolveu as mãos em energia e comprimiu o peito dela, realizando massagem cardíaca rítmica — agora que os vasos estavam desobstruídos, era preciso restaurar o impulso do coração.

Concentrado, Hua Bin lutava pela vida, sem dar atenção às críticas ao redor.

— Abram caminho, abram caminho... — finalmente, a ambulância chegou, médicos e enfermeiros acorreram.

— O que está fazendo? — indagou a médica, intrigada com a cena. — Deixe a paciente deitar...

Hua Bin, aliviado, explicou aos profissionais:

— Crise cardíaca aguda, acabo de realizar massagem cardíaca. Agora basta controlar a pressão, administrar comprimido sublingual, e levá-la rápido ao hospital.

A médica lançou-lhe um olhar, presumindo que fosse um parente, e iniciou o atendimento. A enfermeira, ao medir os sinais, exclamou, surpresa:

— Pressão normal, ritmo cardíaco estável. Será mesmo ataque cardíaco?

A médica olhou Hua Bin com estranheza, mas, como a paciente permanecia inconsciente, ordenou:

— Coloquem-na na maca, vamos examinar no hospital. O senhor acompanha, por favor.

Tomaram-no por familiar. Hua Bin hesitou em ir, mas, ao ver a multidão à volta, indiferente e desconfiada — embora alguns fossem de boa índole, pareciam temerosos — decidiu dar o exemplo: se é para ser bom samaritano, que seja até o fim, talvez assim despertasse suas consciências.

Entrou na ambulância; o médico, então, lançou-lhe um desafio:

— Preciso dos dados: nome e idade da paciente.

Felizmente, havia uma bolsa ao lado. Hua Bin encontrou a identidade: Liang Minying, vinte e quatro anos, natural de Pequim. Na foto, um rosto oval delicado, sobrancelhas finas arqueadas como a lua, olhos amendoados brilhando como estrelas noturnas, lábios delgados, naturalmente rosados, um sorriso doce iluminando o semblante.