Capítulo Seis: Diversificação dos Negócios
Zhong Di deixou a aldeia, avançando sem pressa em direção ao pomar de tâmaras, enquanto a sua motoneta elétrica rangia e chiava, evidenciando de maneira inequívoca a sua vetustez.
No percurso, cruzou-se com algumas pessoas, umas lhe eram familiares, outras não; Zhong Di não se deteve para cumprimentá-las, caminhando resoluto em direção ao pomar, pois seu coração pulsava de emoção e urgência, ansiando por ver o que o aguardava.
Enquanto conduzia sua pequena motoneta, observava as mudanças ao redor; comparando com sua última visita, pouco havia se alterado, tudo permanecia com o mesmo aspecto envelhecido de outrora.
A faixa de floresta de proteção era composta, como de costume, por choupos e tamargueiras, com árvores frutíferas plantadas entre elas. Entre cada setor, haviam estradas asfaltadas, facilitando o transporte; afinal, se não fosse assim, seria tarefa árdua levar os frutos cultivados ali para fora.
O pomar era uma miscelânea de espécies; todas as árvores frutíferas do grande noroeste estavam presentes, razão pela qual o condado de Shache o denominava "Pomardos Cem Frutos". O aroma de frutas e melões pairava no ar, e embora Zhong Di não pudesse afirmar se havia realmente uma centena de variedades, era certo que tudo ali era voltado ao cultivo de frutos.
Do vilarejo até o pomar de tâmaras de sua família havia uma distância de seis ou sete quilômetros, nem tão próxima, nem tão distante; com a motoneta, chegava-se lá em pouco mais de dez minutos.
Ao chegar, o primeiro que se via era um portão de ferro, cuja malha estava tomada por uma pátina de ferrugem castanho-avermelhada e coberta por camadas de poeira, sinal inequívoco do abandono prolongado.
Através da grade de ferro, podia-se vislumbrar o estado geral do pomar de tâmaras; bastava um olhar para perceber a situação.
Ervas daninhas proliferavam, galhos secos se acumulavam; era evidente o abandono.
As folhas das tamareiras apresentavam um amarelo doentio, os troncos não eram robustos, e, pela falta de poda, todas cresceram de forma desordenada; não se avistava um só trecho digno naquele vasto pomar.
Anos atrás, o preço das tâmaras cinzentas subira vertiginosamente, e, com o desenvolvimento da área, houve quem liderasse o cultivo dessa variedade, sonhando com lucros e alegria.
Quem poderia prever, porém, que ao chegar o tempo da colheita em massa, os preços despencariam abaixo do valor mínimo, chegando a apenas três yuans por quilo em seu pior momento? Eis a razão do abandono generalizado dos pomares de tâmaras.
A família de Zhong Di investira todas as economias acumuladas nos anos anteriores; ano após ano, só amargaram prejuízos e dívidas de mão de obra. Nem mesmo cedendo a terra para que outros a cultivassem gratuitamente havia interessados; diante da impotência, só lhes restou abandonar o pomar.
Zhong Di retirou o celular, fotografou o interior pelo portão de ferro, abriu o aplicativo de mensagens e publicou uma foto com a legenda: “Um novo começo”. Após enviar, guardou o aparelho.
Ao abrir o portão, não se pôs imediatamente a trabalhar, mas percorreu todo o pomar, examinando-o atentamente.
O pomar de tâmaras abrangia sessenta mu, cada um com os padrões de seiscentos e sessenta e sete metros quadrados; descontando as faixas de proteção, a estrada de terra no meio e o terreno residencial à frente, restavam cerca de quarenta e três mu de área cultivável, inteiramente ocupada por tamareiras.
O estado geral das árvores era deplorável; faltavam muitas, e havia grande disparidade de idade entre elas. As variedades eram quase todas de tâmaras cinzentas, outrora preciosas, agora, nos últimos anos, decadentes.
Quanto ao plano para todo o pomar, Zhong Di já o tinha delineado em sua mente; mesmo almejando uma vida serena, era preciso garantir o mínimo para o sustento.
Seu projeto não era complicado: queria criar um pequeno sítio, semelhante a um pomar de colheita, com integração de frutas e hortaliças, cultivo e criação de animais, gestão diversificada. Mas tudo isso viria com o tempo.
Dividiu a terra em duas faixas, cada uma subdividida em quatro parcelas menores, uma divisão ditada pelo relevo.
O terreno era irregular, tornando necessário separar a irrigação de primavera e de inverno por parcelas, para evitar o problema de distribuição desigual da água.
Ao contrário do sul, o grande noroeste não dependia da chuva, mas da água subterrânea, extraída por bombas.
Restava, ainda, o terreno residencial de quatro mu à frente; inicialmente, pretendia construir uma casa melhor ali, com um pequeno jardim, mas as perdas sucessivas adiaram indefinidamente esse projeto.
Na área residencial, não havia grande casa, apenas três pequenas construções de pouco mais de dez metros quadrados, e um trecho mais elevado e plano, geralmente utilizado para empilhar e secar tâmaras cinzentas.
Neste momento, ali só se encontravam um velho trator coberto de poeira e uma pequena máquina de lavrar, ambos de modelos modestos.
As três casinhas alinhavam-se lado a lado, com as portas voltadas ao sul; uma servia para armazenar ferramentas e objetos, outra para moradia temporária, e a última, para cozinhar.
Ao abrir a porta do depósito, encontrou ferramentas agrícolas e restos de fertilizantes e pesticidas, de anos indeterminados.
Após examinar todo o pomar, Zhong Di deteve-se na estrada de terra central, olhos bem abertos.
De súbito, uma vertigem tomou-o, e em sua visão, o pomar transformou-se; inúmeras informações invadiram sua mente, caóticas, provocando-lhe uma dor aguda e lancinante na cabeça.
Assustado, cessou imediatamente aquela observação, fechou os olhos e começou a processar as informações.
Em resumo, um só termo: caos. Os problemas eram muitos; Zhong Di rapidamente filtrava os dados.
O mais urgente era a falta de água. Lembrava-se vagamente de que, além da irrigação de primavera feita pelo pai, não houvera outras.
Sem hesitação, Zhong Di pegou uma chave inglesa no depósito, abriu o registro de água de uma das parcelas e dirigiu-se à casa do poço; já havia ajudado o pai a irrigar, e dominava o básico para operar o poço.
Quando ligou a bomba, o som da água a correr irrompeu.
“Lao Zhong... Lao Zhong, é você quem está irrigando o poço?”
Do lado de fora da casa do poço, uma voz de homem maduro ressoou, parecendo ser o tio Zhang, Zhang Youwei, o maior especialista em cultivo de tâmaras cinzentas da região.
Apesar da queda constante do preço das tâmaras, ele, com sua expertise, ainda conseguia lucrar.
A casa do poço não era exclusiva da família Zhong Di, mas compartilhada por seis famílias; no noroeste, onde a água é escassa, não se pode perfurar poços livremente. A perfuração é permitida, mas há limites de tamanho, exigindo autorização e inspeção se excedidos.
Na casa de Zhong Di, só havia um pequeno poço de seis polegadas, suficiente para fertilização foliar, mas para irrigação em grande escala, era preciso acionar aquele equipamento maior.
“Tio Zhang, sou eu, Zhong Di.” respondeu, afastando-se da casa do poço.
O poço estava ligado; agora restava esperar, processo que levaria dois ou três dias.
“Zhong Di? Então vocês vão retomar o pomar? Seus pais não estão trabalhando? Por que querem voltar a cultivar tâmaras?”
Tio Zhang refletiu, reconhecendo o rapaz como Zhong Di, filho da família Zhong, e perguntou curioso.
“Sim, tio, vamos retomar o pomar, mas não serão meus pais, serei eu.”
Mal terminou de falar, o tio Zhang pousou a mão na testa de Zhong Di, depois na própria, murmurando: “Não está com febre...”
“Tio Zhang, no futuro, se eu tiver dúvidas técnicas, vou incomodar o senhor.”