Capítulo Cinco — As Três Refeições do Príncipe Distrital (Parte II)

Raja Santai dari Dinasti Song Utara Bei Ming Lao Yu 3323kata 2026-03-13 14:38:49

Zhao Yan, enfurecido, carregava seu próprio desjejum, atravessou o corredor e adentrou o quarto de Cao Ying. Com um estrondo, lançou a bandeja diante de Cao Ying, que tomava sua refeição, e exclamou, indignado:

— Cao Ying, sei que Sua Alteza me incumbiu de repouso sob sua supervisão, e sei também que não tem simpatia por mim. Contudo, não pode usar isso para vingar-se, servindo-me todos os dias esta comida de porcos!

— Vossa Alteza, o senhor deveria medir melhor suas palavras. Será que tudo aquilo de que não gosta é comida de porcos? — Para surpresa de Zhao Yan, Cao Ying também se levantou, tomada pela ira, e respondeu-lhe em voz alta, sem sequer limpar a boca, de modo que Zhao Yan pôde ver um grão de milhete preso ao canto de seus lábios.

— Eu... — Zhao Yan, repleto de cólera, viu-se subitamente desarmado ao lançar os olhos para a comida diante de Cao Ying, pois era idêntica à sua. A única diferença era que Cao Ying quase terminara a refeição, enquanto a dele permanecia intocada.

— Eu... ainda que seja apenas um príncipe de Da Song, e, além disso, um enfermo, como posso alimentar-me dia após dia apenas disto? — Na falta de razão, Zhao Yan apelava, pois de fato não conseguia forçar-se a comer mais verduras e tofu.

— E o que tem esta comida? Nosso império sempre primou pela diligência e parcimônia, e a família imperial deve ser exemplo para todo o reino. Mesmo Sua Majestade e Sua Alteza têm refeições simples diariamente; quanto mais Vossa Alteza, cuja saúde é frágil, não deve consumir alimentos pesados. Só por isso sua dieta é leve, e não há nada de errado com ela. Eu tampouco como nada diferente. Se fosse na casa de uma família comum, talvez nem tivessem a sorte de provar tais iguarias! — retrucou Cao Ying, encolerizada. Já lhe bastava o sacrifício de ter-se casado com Zhao Yan; vigiar sua convalescença era penoso, e ainda ter de suportar suas exigências e lamúrias era, a seus olhos, buscar motivo onde não há.

— Muito bem, não me oponho a refeições leves, mas afinal sou um príncipe, recebo uma generosa pensão todo mês; não seria possível tirar uma parte para melhorar minha alimentação? Comendo verdura e tofu todos os dias, logo me tornarei um monge! — argumentou Zhao Yan, convicto de sua razão. Sabia, afinal, que as pensões dos Song eram notoriamente fartas — só ele, como príncipe, recebia mensalmente trezentos guan em dinheiro, além de grandes quantidades de tecidos e cereais, totalizando várias centenas de guan, o suficiente para sustentar toda a casa principesca.

— Pá! — Antes que suas palavras se esvaíssem, Cao Ying retirou de um pequeno cofre ao lado uma pilha de notas e as atirou sobre a mesa. Com o rosto delicado tomado pela fúria, declarou:

— Vossa Alteza, realmente, os nobres têm memória curta. Olhe isso antes de dizer mais nada!

Zhao Yan assustou-se com a ira súbita de Cao Ying. Embora ela mal tivesse mais idade que seus antigos alunos, as mulheres da antiguidade pareciam amadurecer cedo, e diante de Cao Ying ele nunca conseguia deixar de tratá-la como uma adulta, apesar de ela ter apenas quinze ou dezesseis anos.

“Terceiro dia do sexto mês, sexto ano de Jiayou: Zhao Yan deve a Gao Liang mil guan, nota registrada. Décimo sexto dia do oitavo mês, mesmo ano: Zhao Yan deve a Cao Song mil e trezentos guan, nota registrada. Vigésimo terceiro dia do segundo mês, sétimo ano de Jiayou: Zhao Yan deve a Hu Yanjing dois mil e cem guan...”

Folheando uma a uma, Zhao Yan sentia o suor frio escorrer-lhe a fronte: a pilha era composta inteiramente de notas promissórias, mais de vinte ao todo, cada uma de no mínimo mil guan, algumas chegando a cinco mil. Somadas, totalizavam mais de cinquenta ou sessenta mil guan. Quem poderia imaginar como alguém tão jovem teria acumulado tantas dívidas?

— Vossa Alteza terminou? Pois saiba que estas são apenas parte das dívidas que contraiu fora de casa. Já mandei quitar algumas e recuperar as notas, mas ainda restam sessenta e três mil setecentos e dez guan não pagos. Em breve, parte dos bens da casa e parte do meu dote serão vendidos para saldar o restante. Talvez não seja suficiente, mas o que sobrar poderá ser pago com alguns anos de economias. — O rosto de Cao Ying era gélido. Estava absolutamente desesperançada quanto ao seu destino matrimonial: enquanto outras mulheres se casavam para viver em conforto, ela, além de unir-se a um libertino, ainda herdava uma dívida colossal, vendo até mesmo seu dote destinado ao pagamento. Existiria mulher mais desventurada que ela?

Ao saber que Cao Ying pretendia vender o próprio dote para saldar dívidas, Zhao Yan sentiu-se tomado de remorso. Embora as dívidas fossem de seu antecessor, ele agora ocupava o corpo e a identidade do outro; segundo o princípio da equivalência, não podia reclamar apenas os direitos e fugir dos deveres — e aquelas dívidas eram agora suas obrigações.

— Bem… essas notas nem estipulam data de pagamento, e ninguém veio cobrar diretamente. Creio que podemos adiar um pouco. Darei um jeito de saldar essas dívidas mais adiante. Não podemos sacrificar toda a casa principesca por isso, nem restringir tanto as despesas diárias! — disse Zhao Yan, algo embaraçado. Afinal, Cao Ying era sua esposa, e não queria vê-la sofrer logo após o casamento. Além disso, não levava tanto a sério as dívidas; era, afinal, um viajante do tempo, com conhecimento de mais de mil anos à frente dos Song — não acreditava ser incapaz de encontrar um modo de enriquecer!

Cao Ying, porém, interpretou mal suas intenções. Com a péssima imagem que tinha de Zhao Yan, supôs que ele pretendia simplesmente dar o calote. O rosto ruborizou-se de raiva, e, com a mão delicada batendo à mesa, declarou, furiosa:

— As filhas da família Cao nunca devem nem deixam dívidas por pagar! De hoje em diante, todas as despesas da casa serão administradas por mim — Vossa Alteza não precisa mais preocupar-se!

Zhao Yan não esperava que sua boa intenção resultasse em uma reprimenda tão severa. Sentindo-se ultrajado, virou-se para sair, sem desejar mais explicações.

— Espere. Sua Alteza incumbiu-me de zelar por sua recuperação. Além dos remédios, a alimentação é fundamental. Peço, pois, que termine sua refeição antes de se retirar — advertiu Cao Ying, antes que ele cruzasse a soleira.

— E se eu me recusar? — Zhao Yan, ouvindo-se coagido, voltou-se e fitou-a com hostilidade.

— Aqui é a residência do príncipe. Se Vossa Alteza não quiser comer, ninguém ousará forçar-lhe. Mas, encarregada que estou por ordem de Sua Alteza, se Vossa Alteza recusar-se a alimentar-se, serei obrigada a reportar-lhe. — O tom de Cao Ying agora era frio, e sua fúria, domada. Não desejava, de fato, controlar Zhao Yan, mas se a saúde dele piorasse, também seria responsabilizada.

— Muito bem! Você venceu! — Ao ouvir que sua mãe, a imperatriz Gao, seria informada, Zhao Yan só pôde sentar-se de má vontade e comer o desjejum, resignado.

Dos poucos fragmentos de memória que herdara do antigo Zhao Yan, o mais marcante dizia respeito àquela imperatriz distante. Por algum motivo, o Zhao Yan precedente parecia temê-la muito; quando ela o visitara, pouco lhe dirigira a palavra, recomendando apenas a Cao Ying que velasse por ele, e partira sem maiores cuidados. Seria, afinal, verdade que na realeza não há afeto, e até entre mãe e filho impera o distanciamento?

Rememorando aquela mãe indiferente e as lembranças herdadas, Zhao Yan sentiu-se ainda mais cauteloso diante dela. Não valia a pena perturbá-la por trivialidades. Assim, uma vez que Cao Ying invocara a autoridade da imperatriz, ele limitou-se a comer o que havia. Na verdade, tinha seus truques para lidar com comidas insípidas; nos tempos de escola, o refeitório servia vegetais fervidos em água, às vezes até com insetos ou moscas, e o sabor era indescritível. Bastava, porém, fechar os olhos e imaginar iguarias deliciosas, que a refeição parecia menos penosa.

Zhao Yan engoliu o desjejum o mais rápido que pôde, depositou os talheres pesadamente sobre a mesa e, fitando Cao Ying, disse:

— Terminei. Não era isso que queria? Pois agora que já posso andar sozinho, não preciso que me tragam comida ao quarto. A partir de hoje, quero comer sempre com você. Quero ver se consegue continuar a comer só verduras e tofu!

Dito isto, afastou-se decidido. Desta vez, estava realmente obstinado. Se no passado já suportara comida de porcos por anos, poderia aguentar agora, tomando aquilo como lição de humildade. Mas não acreditava que Cao Ying, criada como dama refinada, pudesse resistir a esse regime por muito tempo; ela mesma acabaria por exigir uma melhora na alimentação!

Zhao Yan, contudo, superestimara sua capacidade de adaptação. Diz o provérbio: “Da frugalidade ao luxo é fácil, do luxo à frugalidade, difícil.” Embora tivesse passado necessidades em sua juventude, após tornar-se adulto jamais privara o próprio paladar. Seu estômago tornara-se exigente. Por outro lado, subestimara Cao Ying: talvez por inclinação natural ao vegetarianismo ou por maior resiliência, ela seguia, após quinze dias de verduras e tofu, comendo sempre com elegância, enquanto Zhao Yan sentia-se cada vez mais como se fosse ao cadafalso.

Certa noite, durante o jantar, Zhao Yan remexia, entediado, os cubos de tofu no prato e sorvia o mingau de milhete a contragosto. Por fim, não se contendo, tossiu e disse:

— Cao Ying... Não acha, afinal, que é pouco digno que, sendo senhores de uma casa principesca, tenhamos apenas um prato por refeição?

Cao Ying, que comia, ergueu o olhar e, surpreendentemente, assentiu:

— De fato, príncipe, sendo vossa alteza um filho do imperador, uma só porção por refeição é insuficiente. Xiaodouya, amanhã peça que sirvam mais um prato ao príncipe.

Após dizer isso, voltou a comer, enquanto Zhao Yan ficou perplexo. Pelo que aprendera sobre Cao Ying, ela não era pessoa de ceder com tanta facilidade, ainda mais detestando-o como detestava.

Mas sua dúvida logo foi sanada: no desjejum seguinte, diante de si havia não mais um prato solitário de verduras com tofu, mas dois — um de verduras, outro de tofu.