Seção Cento e Cinco: Han, o Grande Ilusionista

Dai Song Berwarna Jingga Surga Angin Pagi 2439kata 2026-03-13 14:39:12

Entendi.
De fato, entendi mesmo—atual imperatriz, ela é realmente... débil mental.
Dizer que ainda lhe restou alguma dignidade seria afirmar que a cabeça dela foi apenas levemente golpeada por um burro; sem polidez, como se deveria dizer?
Han Jiang não ousava imaginar.
Deixe estar, melhor mudar de estratégia daqui em diante.
Bajulá-la é inútil—ela sequer percebe quando é adulada; o melhor mesmo é presenteá-la diretamente com aquilo que lhe agrada, de modo prático e objetivo.
Nesse instante, um tumulto começou do lado de fora, como se uma guerra estivesse prestes a eclodir.
Han Jiang e Han Tongqing apressaram-se a sair; olharam, perguntaram.
Ambos sorriram.
Quem causava todo aquele rebuliço na residência era Han Si, munido de um decreto escrito de próprio punho pela imperatriz.
No palácio, Li Fengniang organizou o espetáculo com primor, mas como não sabia conduzi-lo, enviou alguém para informar-se: o evento no Pavilhão Fengle havia sido um sucesso. E quem o organizara?
A família Han, Han Si.
Ora, não era este o irmão mais velho da nora? Nada mais conveniente do que incumbir a própria nora da tarefa.
Todavia, Han Qingyi tampouco sabia como proceder.
Assim, o decreto do palácio foi entregue nas mãos de Han Si.
Han Si, como se tivesse tomado um elixir de ânimo, sentiu-se determinado: nestes anos, jamais fizera algo de que pudesse se orgulhar, e desta vez faria de tudo para se destacar. Por isso, pôs a casa Han de pernas para o ar com seu frenesi.
Organizou artífices para, durante a noite, erguerem o palco no palácio, preparar as arquibancadas, dispor o salão aquecido.
Foi então que alguém adentrou a residência.
Não era um convidado.
Trazia o distintivo da casa Han—um feito muito especial, sem o caractere Han, mas sim um medalhão de jade esculpido com uma acácia.
Somente aqueles com grau de ouro ou superior podiam decifrar tal insígnia.
Han An conduziu até Han Jiang aquela figura envolta em uma capa volumosa; Han Tongqing, ao ver a postura do visitante, ergueu-se e disse:
— Comi demais, preciso esticar as pernas.
E, assim dizendo, retirou-se.
Os criados comuns já haviam recuado para longe; Han An fez uma reverência:
— Jovem senhor, o mestre ordena que vossa senhoria cuide deste assunto.
E, dito isto, também se retirou.
Nesse momento, Sombra adentrou o aposento, postando-se junto à porta, em silêncio, imóvel.
A figura envolta na capa, finalmente, retirou o manto e o depositou ao lado.
— Senhorita Yingyue? — Han Jiang mostrou-se surpreso.

Ora, a essa altura, Yingyue deveria estar descansando para a apresentação no palácio no dia seguinte, tarefa certamente extenuante. Vir à casa neste momento, o que a teria trazido?
Yingyue curvou-se em saudação:
— Jovem senhor, minha inquietação resume-se a uma única pergunta.
Han Jiang disse:
— Sirvam, ao salão das flores junto ao lago.
Imediatamente, uma criada foi acender as lanternas do salão, enquanto outra guiava o caminho.
É quase cômico: Han Jiang, senhor da casa, ainda não distinguia o trajeto do pátio leste até o salão das flores; havia três salões, e ele não sabia qual era qual.
Tudo era estranho—o pátio era demasiado vasto.
Ao chegar, Han Jiang sentou-se na cadeira de honra e falou:
— Pergunte.
— O que me reserva o destino?
Uma pergunta abrupta, mas não inesperada. O velho Han Tuozhou talvez estivesse demasiado exausto, ou apenas relutasse em responder, delegando-lhe a incumbência.
Han Jiang refletia.
Diante de seu silêncio, Yingyue acrescentou:
— Jovem senhor, entrar no palácio não é trivial; amanhã, mesmo sendo mero pardal negro, desde que a imperatriz não me acuse de erro, ainda que não haja recompensa, sairei adornada de fitas vermelhas e verdes, como um pássaro de festa.
— Deixe-me pensar.
A questão surgira de súbito, deixando Han Jiang um tanto desprevenido.
Ele prosseguiu:
— Sente-se, conversemos sentados. Em pé, parece que me apressa por uma resposta. Sente-se, permita-me ponderar.
— Grata pela gentileza. — Yingyue acomodou-se.
Han Jiang lançou um olhar a Sombra:
— Sente-se também.
Sombra curvou-se levemente e tomou assento diante de Yingyue.
Ninguém mais falou; o silêncio era profundo.
Yingyue, sendo serva, não ousava apressar o senhor.
Passado longo tempo—ao menos o tempo de queimar um incenso—
Han Jiang finalmente disse:
— Vejamos: a tua condição até aqui, se recuarmos mil e quinhentos anos, ou mesmo oitocentos, raras foram as que tiveram bom desfecho. Quanto mais célebre, mais trágico o destino; não há o mais trágico, há apenas o ainda mais trágico.
Yingyue viera por isso—tinha medo.
Já era famosa, e ao atuar para a imperatriz, se nada desse errado, sairia do palácio ainda mais celebrada; se elogiada, talvez fosse convidada para uma segunda apresentação e sua fama atingiria o auge.
Sem falar de mil e quinhentos anos atrás, basta menos de um século: Li Shishi—não se trata nem do desfecho, mas de como ela viveu.
Não passava de uma taça nas mãos dos poderosos.

Por isso Han Jiang dissera que não há o mais trágico, apenas o ainda mais trágico, e Yingyue quase deixou que as lágrimas lhe aflorassem aos olhos.
— Pergunta-me qual caminho seguir. Pois bem: mudar de nome, simular a própria morte e fugir é um caminho. Evidentemente, ao vir perguntar-me, imagino que não desejas ocultar-te para sempre. Então, se recuarmos mil e quinhentos anos, mulheres em tua condição tinham três saídas: casar-se honestamente, ascender à nobreza ou transcender o vulgar.
Yingyue mantinha a expressão reverente, mas já se cansava de ouvir.
Tudo palavras vazias.
Considerava-se erudita, e podia explanar melhor do que Han Jiang.
Foi então que Han Jiang mudou o tom:
— Há ainda uma quinta via: perpetuar o nome na história. Daqui a oitocentos anos, o nome de Li Qingzhao será lembrado por sua poesia; o de Li Shishi, por ter seduzido o imperador.
Que vulgaridade!
Yingyue e Sombra baixaram a cabeça, receosas de que Han Jiang notasse seus olhares.
Uma de desprezo, outra de desdém.
Li Shishi, enaltecida por inumeráveis letrados, e usas o termo “seduzir”.
Ainda assim, era uma perspectiva singular.
Duas mulheres, por caminhos alternativos, lograram inscrever seus nomes nos anais da história.
— Peço orientação ao jovem senhor. — Yingyue ansiava pela resposta.
Han Jiang prosseguiu:
— A primeira chama-se Gu Pan’er, cortesã de Qinhuai, exímia em poesia, música e caligrafia. Conheceu um eremita, e juntos, à sombra do anonimato, delinearam estratégias, desconhecidos do mundo. Em meio à disputa dos príncipes, auxiliaram um ministro que, de mero administrador distrital, ascendeu a poderoso governador, e ajudaram aquele príncipe a subir ao trono.
Será possível?
Yingyue começou a duvidar de seus próprios conhecimentos. Qinhuai era a atual Jian Kang; se tal figura ali surgira, mesmo que ausente dos anais, seu nome teria atravessado os bordéis como lenda, por que nunca ouvira falar?
Sombra então perguntou:
— E como terminou?
— O imperador custeou os dois amantes, que viajaram como imortais por todo o sul do império.
— Isso é... — Sombra não se atreveu a completar. Se não houvesse terceiros, teria indagado, pois aquilo lhe soava inverossímil.
Yingyue perguntou:
— Posso saber que tipo de eremita era ele?
— Há um trecho célebre, que reli várias vezes e memorizei. Ela dizia assim — Han Jiang tamborilou suavemente na mesa, rememorando o texto, pois era realmente marcante.
Pensou por instantes, e então recitou:
— Seria algo assim: “Dizes, que tipo de homem é um homem de verdade? Eu, perdida neste bordel, já vi de tudo: autoridades, nobres, ricos mercadores, poetas e letrados. Alguns têm poder, outros riqueza, outros se vangloriam de seu talento, mas a todos falta uma coisa: sinceridade.”