Capítulo 6: Tornou-se ainda mais radiante e encantadora
— Quarta irmã, deixe-me ir com você — disse Ye Chiwan, ciente de que Jiang Shu certamente enfrentaria dificuldades ao dirigir-se ao Salão Changhe desta vez.
Entre as quatro netas ainda não desposadas da mansão, embora a velha senhora não tivesse Ye Chiwan como sua favorita, ainda assim lhe dispensava um afeto considerável — sentimento que contrastava totalmente com a indiferença e o desprezo dispensados à quarta irmã.
Se ela estivesse presente, talvez pudesse interceder em favor da irmã.
Jiang Shu sabia que a intenção da outra era genuinamente boa e, não tendo ânimo de rejeitar tamanha gentileza, anuiu com um aceno.
Conduzidas por Puyu, as duas, acompanhadas de Ping Qian, caminharam até a entrada do grande salão de Changhe. Só então Jiang Shu percebeu que não estavam ali apenas a velha senhora, Ye Huyu e Ye Xiyao.
Sentada na posição central, diretamente em frente às portas do salão, a velha senhora Lin trajava um casaco de mangas largas cor de vinho, sobreposto por um bijia de tom púrpura profundo. Nas cadeiras de madeira laqueada de vermelho, dispostas em ambas as laterais da sala, encontravam-se quatro senhoras de idade semelhante — certamente as quatro concubinas de seu pai nominal, Ye Xianggao.
Dentre elas, atrás da senhora sentada à esquerda, estava a terceira senhorita Ye Huyu; atrás da da direita, a quinta senhorita Ye Xiyao. Não era preciso muito para deduzir: eram, respectivamente, as mães biológicas das duas, a segunda esposa, senhora Tang, e a quinta, senhora Yan.
Jiang Shu atravessou o batente do salão, avançou alguns passos e, curvando-se com elegância diante dos presentes, saudou respeitosamente:
— Shu’er cumprimenta a vovó, cumprimenta a segunda, terceira, quarta e quinta mães.
Por um momento, ninguém respondeu.
Jiang Shu manteve o olhar baixo, a cabeça levemente inclinada, e num ângulo invisível aos demais, o canto dos lábios esboçou um sorriso de escárnio: “Querem me constranger de propósito? Se não mandam que eu me levante, acham que ficarei ajoelhada para sempre?”
Fingindo nada perceber, ergueu-se com naturalidade.
Ao levantar a cabeça, notou, atrás da senhora Tang, o rosto levemente inchado e avermelhado de Ye Huyu. Um brilho fugaz reluziu em seus olhos, e ela, com sincera “admiração”, exclamou:
— Terceira irmã, hoje tua fisionomia está especialmente corada. Não sei de qual casa de cosméticos adquiriste tal rouge? Já és bela por natureza, mas agora, com este tom rosado, tua beleza tornou-se ainda mais resplandecente.
— Pff… — Ye Chiwan, que permanecia à porta, quase deixou escapar uma gargalhada ao ouvir tais palavras.
Olhando para os demais no salão, excetuando-se a velha senhora de rosto severo, a senhora Tang e a própria Ye Huyu, todos pareciam conter o riso.
Acostumada à proteção da mãe, Ye Huyu sempre fora altiva e mimada, habituada a oprimir os outros e jamais a ser humilhada dessa forma. Diante da reação geral, seu rosto tornou-se ainda mais constrangido; apontando para Jiang Shu, bradou furiosa:
— Ye Jiang Shu, sua inútil! Cale-se! Ouça bem…
— Você é quem deve se calar! — a velha senhora voltou-se para ela, lançando-lhe um olhar gélido.
— Mas… — Ye Huyu protestou, inconformada. “A avó sempre detestou Ye Jiang Shu; por que, então, a repreendia por causa daquela inútil?”
Queria ainda argumentar, mas foi contida por um puxão discreto da senhora Tang à sua frente.
Ye Huyu baixou a cabeça, captando o olhar indicativo da mãe, e silenciou de imediato. Pouco depois, aproximou-se da velha senhora, dizendo com voz magoada:
— Vovó, veja só: não bastasse ter me agredido, agora ousa me humilhar diante da senhora. Peço que castigue-a e faça justiça por mim!
A expressão da velha senhora suavizou-se um pouco. Voltando-se para Jiang Shu, que permanecia no centro do salão, lançou-lhe um olhar de desprezo e ordenou com voz áspera:
— Ajoelhe-se!
— Shu’er não fez nada de errado. Por que deveria ajoelhar-se? — Jiang Shu permaneceu impassível.
A velha senhora puxou Ye Huyu para a frente, indicando-lhe o rosto:
— Veja em que estado deixou o rosto de sua terceira irmã! E ainda fala com sarcasmo… não é isso um erro?
Jiang Shu sustentou calmamente o olhar da avó:
— Se a senhora considera que Shu’er errou apenas com base nisso, é injusto. Shu’er não se conforma.
A velha senhora soltou um resmungo, fitando-a intensamente:
— E segundo você, o que seria justo?