Capítulo 5: Rebelião
Na verdade, Meng Fan sempre teve dificuldade em compreender onde, afinal, havia ofendido Wang Yu. Sempre foi cauteloso em sua conduta, tratou os outros com gentileza, e ainda assim, por algum motivo obscuro, despertara a ira de Wang Yu, a ponto de o outro, ao buscar mantimentos, perpetrar tal traição contra si?
Meng Fan não entendia; desejava ardentemente confrontar Wang Yu e obter uma explicação cabal.
Todavia, Wang Yu jamais lhe deu uma resposta direta. Ao contrário, manteve o sorriso insolente e zombeteiro de sempre e, fingindo ignorância, perguntou:
— Por quê? O que você quer dizer com isso?
Meng Fan respondeu, articulando cada palavra com firmeza:
— Ontem à tarde, você propôs que partíssemos juntos, seguindo-o para fora da fábrica em busca de comida. Porém, no caminho de volta, você...
— Foi apenas um descuido — interrompeu Wang Yu, dando de ombros, simulando arrependimento.
— Eu também gostaria de proteger todos, mas você sabe, embora seja um portador de habilidades, meus poderes são limitados. Não posso garantir a segurança de todos num ambiente daqueles. Em situações extremas, é inevitável sacrificar alguns para salvar a maioria.
Enquanto respondia, o sorriso permanecia pendurado nos lábios de Wang Yu, conferindo-lhe uma aparência de elegância e jovialidade, como se fosse um jovem distinto sob o sol.
Essa máscara, contudo, provocava em Meng Fan uma repulsa tão intensa que quase o fazia vomitar.
Meng Fan podia compreender a necessidade de retirada diante do perigo; afinal, não tinha o direito de exigir que alguém arriscasse a vida por ele.
Mas fugir é uma coisa; outra, bem diferente, é aproveitar o caos para desferir um golpe traiçoeiro pelas costas. Como explicar tal atitude?
Meng Fan não se satisfazia com a resposta de Wang Yu. O outro, por sua vez, claramente não se dignava a fornecer explicações mais precisas, limitando-se a lançar-lhe um olhar indiferente e, com uma generosa condescendência, declarou:
— O fato de você ter voltado vivo já é motivo de contentamento. Não se prenda a detalhes insignificantes, foi apenas um mal-entendido. Esclarecido, está tudo resolvido.
Hmph.
— Em resumo, parece que sou eu o mesquinho, não é? — Meng Fan riu amargamente por dentro, mas não deixou transparecer seus sentimentos; apenas desviou o olhar, impassível.
Ainda não compreendia por que Wang Yu o perseguia, mas sabia que não deixaria o assunto por isso mesmo.
Contudo, diante da iminente prova de sobrevivência, preferiu não criar conflitos naquele momento.
Wang Yu tampouco se dignou a prestar-lhe atenção. Após um sorriso falso, partiu com os demais, dirigindo-se ao terceiro andar do refeitório, reservado exclusivamente a ele.
Como um autêntico portador de habilidades, Wang Yu detinha posição privilegiada ali, não se incomodando — tampouco havendo necessidade — de lidar com um “inútil” incapaz de qualquer coisa.
Mesmo que demonstrasse abertamente hostilidade contra Meng Fan, que diferença faria?
Acostumara-se ao seu próprio despotismo, certo de que aquele sujeito de natureza tímida jamais ousaria enfrentá-lo.
E, de fato, era o que acontecia: ao vê-lo subir para o terceiro andar com toda arrogância, Meng Fan limitou-se a observá-lo friamente, sem pronunciar palavra ou intervir.
Em sua mente, porém, germinava outro propósito: como poderia utilizar as habilidades daquele homem para ajudá-lo a superar a primeira provação do fim do mundo?
— Wang Yu, não pense que ainda poderá continuar arrogante. Dentro de duas horas, farei você pagar por seus atos.
Depois de murmurar friamente consigo mesmo, Meng Fan virou-se e caminhou com firmeza para seu antigo quarto.
No segundo andar do refeitório, existiam cerca de vinte quartos improvisados com tábuas de madeira, onde os sobreviventes dormiam.
Meng Fan possuía um deles, muito bem localizado, junto à janela, permitindo-lhe observar sem obstáculos o exterior do refeitório.
Pretendia retornar rapidamente ao seu pequeno refúgio, monitorar os movimentos dos zumbis. Mas, ao chegar à porta, deparou-se com todos seus pertences pessoais lançados ao chão.
Em seu lugar, alguém se apoderara de sua cama; até mesmo os utensílios que conseguira juntar com tanto esforço mostravam sinais de uso alheio.
— Quem fez isso?
Diante da desordem das cobertas, Meng Fan apertou os olhos, mal contendo a raiva, quando, atrás de si, irrompeu uma risada desprezível:
— Meng Fan, desculpe, mas você não voltou ontem. Todos achamos que estava morto, então eu...
— Então você se apossou do meu leito, não é isso?
Meng Fan voltou-se friamente, encarando Zhou Lin, que aproximava-se, e, reprimindo a ira, respirou fundo:
— Sem permissão do dono, você ocupou meu lugar. Não lhe parece um comportamento inadequado?
Zhou Lin, com seu rosto gorduroso e inchado, não demonstrou o menor remorso. Ao contrário, apoiado pela proteção de outros, sorriu com desprezo:
— Quem sabia que você conseguiria voltar vivo? Além disso, tomei seu quarto com permissão de Wang Yu. Você vive aqui há três meses, deve saber quem é o chefe deste ponto de encontro.
Hmph, Wang Yu outra vez!
Meng Fan manteve-se em silêncio, fixando em Zhou Lin aquele rosto repulsivo, franzindo as sobrancelhas em desaprovação.
De fato, desde que Wang Yu fora o primeiro a evoluir e se tornara o único portador de habilidades do local, passou a deter autoridade absoluta.
Decidia sozinho a distribuição dos suprimentos, a ocupação dos quartos, tudo era ditado por sua palavra.
Naturalmente, no passado, alguns tentaram resistir.
O destino desses rebeldes era facilmente deduzido…
Na superfície, Wang Yu parecia um rapaz elegante, generoso, disposto a ouvir os outros.
Mas qualquer um que ousasse discordar era “eliminado” durante as expedições por suprimentos, desaparecendo sem explicação, tal como quase ocorrera ontem com Meng Fan.
As lembranças desfilavam diante de seus olhos; seu semblante tornou-se gélido. Lançou a Zhou Lin um olhar indiferente:
— Agora que estou de volta, peço que leve seus pertences e deixe meu quarto imediatamente!
Mas Zhou Lin persistiu no papel de canalha, pousando a mão sobre o ombro de Meng Fan, e, com um sorriso falso, disse:
— Isso não é correto. Só me mudei para cá por ordem de Wang Yu. Por que não vai negociar com ele? Se ele permitir que você volte, então eu…
— Este quarto é meu, não cabe a outro decidir. Tire sua mão imunda de mim!
Dessa vez, antes que Zhou Lin concluísse suas bravatas, Meng Fan perdeu a compostura, girou o pulso e agarrou com força o punho gordo do outro, torcendo-o abruptamente.
Crac!
Soou como o estalo de uma luxação. Zhou Lin, com seu rosto de porco oleoso, soltou um grito lancinante:
— Aaaaah…
A dor era insuportável. Aquele homem, corpulento como um suíno, sequer percebeu o movimento de Meng Fan, apenas sentiu o pulso explodir em sofrimento, urrando como um animal abatido.
Meng Fan soltou-o no momento oportuno, fitando-o de cima com frieza:
— Considere este castigo como o pagamento dos juros devidos.