Capítulo 4: Por quê

Sistem Evolusi Tingkat Dewa di Akhir Zaman Badut 2460kata 2026-03-12 14:41:46

— O que houve com você? — indagou Xia Xi, percebendo, enfim, a frieza da atitude que Meng Fan agora lhe dirigia. Um instante de surpresa a assaltou, pois o Meng Fan de outrora jamais a tratara assim.

— Nada demais. Apenas andei vagando por aí tempo demais e sinto-me um pouco exausto — respondeu Meng Fan, sacudindo a cabeça, alheio ao olhar que Xia Xi lhe lançava.

Aos olhos dos demais, apenas se perdera do grupo durante a busca por mantimentos, desaparecendo por um dia inteiro. Só Meng Fan sabia, porém, que naquele breve intervalo de tempo experimentara o ciclo completo da vida e da morte, e novamente da morte à vida; sob a opressão do fim, tanto seu temperamento quanto seu caráter haviam sofrido transformações profundas.

— Pois bem, já que não quer conversar, deixemos assim. Convém que aprecemos em voltar ao esconderijo — disse Xia Xi, sem compreender a súbita frieza de Meng Fan. Contudo, a altivez da deusa que era lhe impedia de insistir na conversa.

Aos olhos de Xia Xi, Meng Fan sempre fora um homem absolutamente medíocre: nome vulgar, origem ordinária, aptidões comuns, aparência e estatura sem destaque, competência laboral prosaica — pertencentes a mundos distintos, enfim. Que mantinham alguma relação se devia apenas ao fato de Meng Fan ter, em outros tempos, cortejado-a incansavelmente, cedendo até mesmo sua dignidade para agradá-la e lhe conquistar o favor. Mas tudo aquilo se edificara sobre o papel de “cão lambe-botas” que ele aceitara desempenhar.

Agora, Meng Fan já não a bajulava; sua atitude era fria, e ele sequer parecia disposto a lhe dirigir palavra. Naturalmente, Xia Xi não fez questão de continuar o diálogo.

O ambiente tornou-se constrangedor, não fosse o grupo de sobreviventes patrulheiros que seguia Xia Xi. Ao verem Meng Fan, desaparecido por um dia, retornar vivo, apressaram-se em manifestar suas preocupações.

— Agradeço a todos pelo cuidado; estou bem — respondeu Meng Fan, sempre com frieza, apenas acenando a cabeça antes de se esquivar do grupo, dirigindo-se sozinho ao ponto de reunião no refeitório.

O Meng Fan de outrora jamais agiria assim; talvez a experiência do limiar entre vida e morte o tornara mais insensível. Havia, porém, algo ainda mais fundamental: ele enxergara com clareza o caráter desses “companheiros”. Em tempos tranquilos, ostentavam sorrisos e afeto, como se fossem uma família. Porém, quando Meng Fan foi traído e lançado ao cerco dos zumbis, nenhum estendeu-lhe a mão. Essa amizade feita de plástico, ele já não desejava.

Logo, Meng Fan se desvencilhou da multidão e adentrou novamente o ponto de reunião.

Após três meses de esconderijo, o espaço interno do refeitório já sofrera considerável adaptação. O salão do primeiro piso servia ao armazenamento de mantimentos e suprimentos diversos, sob a vigilância de vários sobreviventes.

No segundo andar, encontrava-se o setor residencial; com tábuas, haviam dividido o espaço em pequenos quartos, onde a maioria dormia. O terceiro piso, por sua vez, abrigava os “convidados de honra”, entre os quais se encontrava Wang Yu, o desafeto de Meng Fan.

No pós-apocalipse, os sobreviventes dividiram-se em dois grupos: aqueles que despertaram linhagem espiritual, dotados de talentos evolutivos — os “super-humanos” —, e os que, sem aptidão, não possuíam capacidade evolutiva, os descartáveis.

Os dotados de poderes desfrutavam de físico e força superiores, o que, em meio ao caos do fim, lhes garantia melhores condições de sobrevivência e respeito dentro do grupo. Quanto aos ordinários, sua única função era bajular os poderosos, na esperança de obter proteção quando a crise se abatesse.

Antes do incidente, o quarto de Meng Fan ficava no segundo andar; por hábito, ele se dirigiu à escada, tencionando retornar ao aposento e descansar um pouco.

Em duas horas, a maré de zumbis surgiria.

Meng Fan, embora já tivesse iniciado sua evolução, ainda não possuía capacidade para enfrentar sozinho a onda de mortos vivos; precisava urgentemente de um plano para garantir sua própria segurança e cumprir as duas tarefas que lhe cabiam.

Ao pisar o primeiro degrau, prestes a alcançar o segundo andar, eis que uma figura corpulenta e familiar bloqueia-lhe o caminho.

— Meng Fan, você ainda não morreu? — bradou o recém-chegado.

Meng Fan deteve-se, ergueu o olhar e fixou os olhos na figura postada acima dos degraus, esboçando um sorriso sutil, indiferente.

— Ora, se não é Zhou Lin.

Zhou Lin fora colega de Meng Fan, ainda que jamais tivessem mantido boa relação. Com a chegada do apocalipse, esse antigo rival na disputa por Xia Xi — um gordo que também a cortejara —, por medo de perecer, não hesitou em unir-se ao “adversário” Wang Yu, tornando-se seu mais fiel escudeiro.

Claro, não era só isso que fazia Meng Fan desprezá-lo.

No dia anterior, Zhou Lin acompanhara Meng Fan na busca por mantimentos. Contudo, no retorno, Meng Fan foi vítima de uma emboscada de Wang Yu, arremessado aos zumbis. Zhou Lin, o mais próximo, não apenas se recusou a ajudá-lo, mas deliberadamente o abandonou, fugindo em direção a Wang Yu...

Ao recordar tal episódio, Meng Fan deixou transparecer em seu olhar uma frieza cortante.

— Por que parece que todos desejam minha morte? Minha sobrevivência te incomoda, por acaso?

— E-eu... — Zhou Lin, surpreso ante a resposta, forçou um sorriso em sua face redonda. — Não é isso; apenas me intriga como conseguiu escapar da horda de zumbis...

— Sorte, apenas sorte — replicou Meng Fan, ignorando-o. Murmurou um “com licença” e seguiu adiante, mas mal avançara dois passos quando tornou a parar.

No corredor que levava ao seu quarto, avistou uma silhueta alta e familiar, que fez seus olhos se estreitarem como lâminas.

Era Wang Yu!

No momento, Wang Yu, rodeado por seus asseclas, descia sorridente até o patamar da escada. Ao deparar com Meng Fan, seu semblante se petrificou, surpreendido. Contudo, não o questionou de imediato; apenas hesitou, então exibiu seu característico sorriso insolente.

— Sua volta me surpreende, Meng Fan.

— Nem eu imaginava que teria sorte de regressar a este lugar — respondeu Meng Fan, sorrindo, embora de seus olhos semicerrados emanassem faíscas cortantes.

A fúria pulsava em seu peito, obrigando-o a cerrar os punhos. O ódio ardente quase devorava sua razão.

Faltava pouco para que Meng Fan se lançasse sobre Wang Yu, esmagando-lhe o rosto odiado com os punhos.

No entanto, conteve-se.

Ainda não era o momento de romper com Wang Yu. Afinal, Wang Yu era também um portador de poderes, tendo evoluído logo no primeiro mês do apocalipse, além de contar com seus seguidores. Um confronto direto era arriscado; Meng Fan, recém-evoluído, talvez não tivesse chance.

Por isso, preferiu aguardar, elevando o olhar e fitando Wang Yu com frieza, a voz rouca:

— Por quê?