Capítulo 6: Você está fadado a um desastre sangrento
Temendo assustar Hua Xiaoman, Chu Huai decidiu não tocar mais no assunto da Montanha do Lamento dos Fantasmas, voltando-se para temas que ela talvez considerasse mais pertinentes:
— Você ainda está no ensino médio? Vai tentar prestar vestibular? Tem algum plano? Já pensou em qual curso gostaria de fazer?
— Universidade, essa eu vou prestar com certeza — respondeu Hua Xiaoman, com voz firme.
O maior arrependimento de sua vida passada fora não ter ingressado na universidade; já que teve a chance de viver de novo, de forma alguma deixaria de tentar. Caso contrário, teria vivido em vão.
— Sobre o curso, ainda não sei muito bem, vou decidir quando chegar a hora. Acho que ser como o senhor, Dr. Chu, é muito bom, poder curar e salvar pessoas.
— Sim, fazer faculdade é mesmo necessário. O conhecimento enriquece e torna as pessoas mais confiantes. Dizer que o saber muda o destino não é apenas uma brincadeira. Sua ideia é excelente. Medicina, de fato, é uma área admirável — salvar vidas, socorrer feridos, é algo realmente notável. Entretanto, as faculdades de medicina do nosso país variam muito em qualidade; se puder, recomendo que tente a Universidade de Medicina da Capital. Assim, será minha caloura, e eu poderei lhe dar suporte.
— Sim, vou me esforçar ao máximo — assentiu Hua Xiaoman, sem dizer mais nada. Ao estar diante de Chu Huai, sentia como se seus segredos pudessem ser desvendados a qualquer instante, o coração tomado por um nervosismo difícil de disfarçar.
A meta de entrar na Universidade de Medicina da Capital já criara raízes em seu coração. Desta vez, mesmo que precisasse abrir mão do sono, conquistaria a vaga! A nota de corte era altíssima; o único caminho era o esforço constante.
Hua Xiaoman baixou os olhos, não por timidez ou covardia, mas para ocultar as ondas que lhe agitavam o íntimo.
— Venha, estenda as mãos — disse Chu Huai repentinamente.
Estender as mãos? Hua Xiaoman hesitou por um instante, mas acabou colocando as duas mãos espalmadas à sua frente.
Chu Huai sorriu de leve e lembrou:
— O dorso das mãos.
Hua Xiaoman sentiu-se um pouco embaraçada, virou lentamente as mãos para cima e, mesmo querendo recuá-las, conteve o impulso.
No posto de saúde havia caixa de primeiros socorros à disposição; Chu Huai apanhou gaze, pinça, álcool, algodão — molhou um chumaço em solução de iodo e, com delicadeza, começou a limpar as frieiras nos dorsos das mãos de Hua Xiaoman.
Mal cuidadas, algumas feridas já haviam se aberto, exsudando líquido.
Momentos antes, mostrara as palmas, constrangida por não querer exibir o dorso das mãos — achava-os feios.
Chu Huai, percebendo seu embaraço, sorriu e a consolou:
— Não há motivo para vergonha. Se, no futuro, quiser ser médica, há algo que precisa compreender antes de tudo: para um médico, existem apenas pacientes, não há distinção de homem ou mulher. Por mais bela que seja, no fim, toda carne se converte em ossos.
— Ah? Então, para o Dr. Chu, eu sou apenas um esqueleto? — replicou Hua Xiaoman.
“…”
A conversa não podia mais prosseguir! Chu Huai sequer desconfiava que aquela garota, que parecia tão tímida e recatada, na verdade era provocadora de propósito!
Decidiu manter-se profissional:
— Suas mãos, pelo próximo mês, não devem entrar em contato com água fria. Leve este unguento, aplique nas mãos, manhã e noite. Logo ficará bem.
Observando o semblante sério de Chu Huai, Hua Xiaoman pensou que ele era realmente uma boa pessoa e não pôde conter-se:
— Dr. Chu, tenha cuidado ao sair, nestes dias pode lhe acontecer uma desgraça sangrenta.
— Eh… — Chu Huai hesitou, fitando Hua Xiaoman com curiosidade.
Ela evitou seu olhar, os cílios baixados, expressão indecifrável.
Que menina era aquela, de olhos tão belos e límpidos, sempre a querer se esconder? Ele não era nenhum vilão!
Chu Huai, sem jeito, respondeu:
— Está bem, entendi. Obrigado pelo aviso.
— Não tem de quê. E… falo sério, você realmente enfrentará um perigo sangrento, ainda nesta primavera, dentro de três meses. Cuide-se, especialmente com mulheres. E evite, sobretudo, subir a montanha acompanhado de mulher — Hua Xiaoman não resistiu e tornou a adverti-lo.
Se não se enganava, Liu Cuiying não era flor que se cheirasse — de aparência respeitável, mas na verdade envolvia-se com marginais da cidade. Justamente naquela primavera, disse que levaria um pretendente para casa e acabou atraindo-o para a colina dos fundos, onde um grupo de bandidos o atacou.
Dos detalhes, Hua Xiaoman não se recordava com clareza; afinal, em sua vida anterior, nutria um rancor inexplicável pelo vilarejo de Qiaotou, jamais voltara lá. Só ouvira falar do caso por uma colega do ginásio, que mencionou o nome de Chu Huai; sem isso, talvez não o reconhecesse agora.
Chu Huai fora seu último raio de esperança em vida passada; nesta existência, ainda eram estranhos, distanciados em posição social, e Hua Xiaoman não ousava alimentar outros sentimentos por ele.
Mas ele era um homem bom; não queria que lhe acontecesse nada. Impossibilitada de revelar seu segredo de reencarnação, só podia bancar a mística:
— Conto-lhe um segredo: abri o “olho celestial” e posso vislumbrar, ainda que vagamente, certos acontecimentos do futuro.
— Sério? Como é esse olho celestial? Fica na testa? Se não se importa, posso dar uma olhada? — Chu Huai, divertido, já preparava uma lupa para examinar.
Hua Xiaoman, desconcertada, o empurrou e fugiu:
— Mentira! Só estava brincando! Minha avó deve estar preocupada, vou embora!
Hua Xiaoman não sabia ao certo como deixara o posto de saúde; sentia-se meio atordoada, envolta numa estranha irrealidade, o rosto aquecido.
Ela realmente temia aquele psiquiatra, mas ao mesmo tempo o admirava — alguém capaz de decifrar corações a partir de indícios tão sutis, que tipo de pessoa extraordinária não seria?
Talvez esse fosse o real poder do saber. A aparição de Chu Huai somente solidificou seu desejo de estudar e tentar novamente a universidade. E, de preferência, a Universidade de Medicina da Capital, tão renomada.
…
Mal alcançara o portão de casa, já era calorosamente recebida por sua segunda tia, Liu Yuzhi, cuja voz trazia um tom dúbio:
— Xiaoman, que bom que voltou! Não se machucou, não é? Aquele tal de Chu, falso sacerdote, não lhe fez nada, fez?
— Não foi nada, ele só fez um curativo em minha mão, me fez algumas perguntas. Tia, o Dr. Chu é psiquiatra; ele mesmo disse que não estou possuída, pode ficar tranquila — respondeu Hua Xiaoman, com franqueza.
Vendo que a menina não se dava conta do que havia por trás, Liu Yuzhi insistiu, mais clara:
— Que bom que não foi nada. Eu só me preocupo porque você é tão bonita, tenho medo que ele se aproveite de você.
— Mas as janelas do posto de saúde não são todas visíveis? — replicou Hua Xiaoman, fitando Liu Yuzhi com seus grandes olhos redondos e inocentes. Sob aquele olhar, Liu Yuzhi acabou sem graça.
O atendente do posto também era homem; para evitar falatórios ao atender moças do vilarejo, sempre se posicionava junto à janela, à vista de todos que passavam.
Hua Xiaoman e Chu Huai conversaram junto à janela; depois, ele lhe fez um curativo com jaleco branco à vista de todos — o que haveria para se comentar? Muitas moças, ao procurar atendimento, mencionavam aquela janela para evitar boatos; Hua Xiaoman, mesmo não sendo afeita a discussões, sabia bem como eram as conversas.
Mas a que realmente demonstrava combatividade era a avó Cao: tendo acabado de discutir com a consogra, ao ouvir Liu Yuzhi falando demais e oprimindo sua neta, enfureceu-se e sentou-se à soleira, fazendo escândalo:
— Liu Yuzhi, por que você é tão mesquinha e não aceita nem uma criança? A família Liu inteira, de cima a baixo, só sabe perseguir minha netinha, querem mesmo é me matar de raiva, não é? Acha que não sei o que você está tramando? Está de olho no dinheirinho da minha neta, não é? Fique sabendo: o dinheiro dela está na conta dos Hua; mesmo que eu morra, não vai ser de vocês!
— Mãe, que maluquice é essa? Volte para casa comigo, não faça escândalo na rua, vai ser motivo de chacota! — Liu Yuzhi apressou-se em puxar a velha. Não se fala de dinheiro em público!