Capítulo 3: Esquivando-se de mim?
Sentindo a atmosfera pesada no banco de trás, o motorista só ousou perguntar depois de percorrer um trecho: “Senhor Qin, devemos voltar?”
“Vamos à casa de Yuan Dong.”
Yuan Dong era um antigo colega de Qin Yu; após a formatura, abriu um restaurante reservado, que ganhou certa fama.
Lin Xi não queria permanecer ao lado dele. Massageando o pulso avermelhado pela força de sua mão, recusou: “Vou voltar para o instituto, não é caminho. Posso chamar um táxi, não quero incomodar o terceiro irmão.”
“Não tenha pressa. Ainda não almoçou, não é?”
“Terceiro irmão, será que está ficando confuso pela idade? Eu e Lu Bei já comemos.”
“Será que consegue digerir a comida desse lugar? Ele nem se deu ao trabalho de descobrir o que você gosta, claramente não a tem em consideração. Homens assim não são confiáveis, não deve manter contato.”
Lin Xi: “…”
Ela parecia obediente, mas seu espírito ainda era rebelde. Não demorou para que, logo após Qin Yu sair para fazer uma ligação, Lin Xi desaparecesse.
No reservado, apenas Yuan Dong estava sentado. “Onde está?”
“Assim que você saiu, ela fugiu; ninguém conseguiu detê-la. Ainda fez questão de pagar a conta.” Yuan Dong ergueu, sorrindo, o maço de dinheiro em mãos. “Foge de você como se fugisse da peste. Será que ainda guarda rancor daquele episódio?”
“Terceiro irmão, a vejo bem mais extrovertida do que antes. Não fala mais com tanta hesitação, e o aparelho auditivo sumiu.”
Reassumindo o lugar, Qin Yu abaixou a cabeça, acendeu um cigarro e manteve-se em silêncio por longo tempo.
——
No fim, Lin Xi não voltou ao grande complexo residencial. Avisou a tia por mensagem e seguiu direto ao hotel.
Desde a adolescência, raramente ficava no complexo, preferindo a casa dos pais. Depois que houve um acidente familiar no ensino médio, mudou-se para a casa da avó em outra cidade, e nunca retornou à antiga morada.
Naquela noite, Lin Xi sofreu de insônia, só adormecendo muito tarde.
Sonhou novamente com o dia do acidente de carro: o sangue escorrendo pela testa, tingindo de vermelho o campo de visão. Sobreviveu por sorte, mas o ouvido ficou danificado, incapaz de ouvir qualquer coisa.
Ao despertar, soube que os pais haviam morrido na hora. No leito do hospital, abraçou o irmão e chorou até perder os sentidos. Depois disso, sua personalidade mudou, tornando-se silenciosa, a ponto de perder a fala.
O cenário mudou: era o dia em que decidiu confessar seus sentimentos a Qin Yu após o vestibular. Ele sempre aparecia pontualmente na porta da escola para levá-la à casa da avó. Mas naquele dia, não veio; mandou alguém buscá-la. No dia seguinte, ouviu dizer que ele tinha uma noiva.
Logo depois, foi para o exterior com o tio.
Era o primeiro inverno fora do país, o primeiro dia sem o aparelho auditivo.
O médico insistiu: “Senhorita Lin? Consegue ouvir minha voz?”
Desde o acidente, era a primeira vez que escutava sem auxílio. Surpresa, assentiu e, sob o olhar atento do médico e do tio, balbuciou: “Consigo ouvir!”
Ao sair do hospital naquele dia, sentou-se no carro e olhou pela janela. No canto da rua, a silhueta de Qin Yu passou rápido…
O alarme soou abruptamente, Lin Xi acordou ofegante e ansiosa. O quarto de hotel era familiar; à frente, a cortina mal fechada deixava o sol se derramar pela fresta.
Fitou a cortina por alguns segundos antes de desligar o alarme. Eram apenas oito da manhã; dormira pouco. Mas havia uma tarefa importante a cumprir.
Comprou flores e tomou um táxi até o cemitério nos arredores de Pequim. Chegou às dez horas.
Ao se curvar para depositar as flores, seus olhos depararam-se com outro ramalhete de crisântemos brancos, hesitou. Tocou as pétalas: ainda frescas, recém-colocadas, e as fotos dos pais estavam cuidadosamente limpas…
Alguém estivera ali pouco antes dela.
Naquele horário, quase ninguém visitava o cemitério. No caminho, não viu conhecidos.
Diversas figuras passaram por sua mente, mas descartou uma a uma; preferiu não pensar mais.
Só perto do meio-dia, Lin Xi se levantou para partir. O trajeto do cemitério ao complexo era longo; no carro, não resistiu e cochilou. Ao descer, sentiu a cabeça pesada, os passos leves, quase flutuantes.
“É você, Xi Xi, que voltou?” O tio, ao ouvir o movimento na porta, olhou e apressou-se a recebê-la.
“Tio?” Lin Xi estava surpresa. “Não estava no quartel?”
Ele pegou sua mochila. “Você também, não avisou antes. Precisei pedir licença às pressas, quase não cheguei a tempo de vê-la.”
“Pretende mesmo ficar no exterior?” Lin Xi assentiu, caminhando ao lado do tio.
“O avô não está?”
“Foi jogar xadrez, nem sabe que você voltou.”
O velho tinha as pernas debilitadas; escapara da morte, agora só se locomovia de cadeira de rodas.
No fim do verão em Pequim, o sol ainda ardia forte. Lin Xi, temendo o calor, apressou o passo. Já perto do quiosque, viu o avô na cadeira de rodas, e, atrás dele, Qin Yu.
Ele também a viu.
“…” Lin Xi esboçou um sorriso constrangido.
O avô, já idoso, não distinguia quem vinha. Por sorte, Qin Yu estava ao lado: “É Lin Xi, Xi Xi voltou.”
“Xi Xi?”
“Sim. Está logo ali.”
Ao ouvir, o avô, feliz, levantou a mão direita, tremendo, e acenou, chamando Lin Xi com voz rouca.
Ela correu até ele. “Ia buscá-lo agora mesmo.”
“Não precisa, o pequeno Qin está aqui.” O avô segurou sua mão. “Onde esteve ontem, por que não voltou?”
“Fui visitar meus pais cedo, então fiquei no hotel próximo.”
“Foi com o pequeno Qin, voltaram juntos? Ele me disse que você não estava em casa. Esse rapaz…” O avô deu um tapa no ombro de Qin Yu.
Ah? Lin Xi ficou surpresa, olhou para ele. Foi ele quem deixou as flores?
Olhares se cruzaram, ambos silenciosos, sem explicações.
O tio foi buscar o avô para dentro. No vestíbulo, Lin Xi chamou Qin Yu: “Terceiro irmão, foi ao cemitério hoje?”
“Sim, pretendia ficar mais, mas recebi uma ligação da família e tive que vir.”
Explicou por que estava no complexo, parecia realmente acaso, não uma visita planejada para encontrá-la.
“Por que não voltou ontem?”
A mesma pergunta do avô.
Antes que repetisse a resposta, Qin Yu deu um passo à frente e foi direto: “Está me evitando?”
Encurralada, Lin Xi encostou-se à parede, como quando era criança e o irmão a punia por alguma travessura. Qin Yu, ao passar, nunca intercedia por ela.
Desde pequeno, era assim: sério, poucas palavras, diferente da severidade do irmão, mais frio. Lin Xi o detestava na infância, depois passou a gostar genuinamente.
Teimou: “Não estou evitando, por que faria isso?”
Ao ouvir a tia chamá-la, Lin Xi respondeu prontamente e correu, fugindo. Qin Yu a observou por instantes, antes de segui-la em silêncio.
A tia, calorosa, convidou Qin Yu para almoçar. Durante a refeição, ela servia os dois jovens com generosidade. O tio, como se só então lembrasse, perguntou a Lin Xi: “Xi Xi, quando volta?”
“Segunda-feira.”
Do outro lado, Qin Yu a fitou, franzindo levemente as sobrancelhas: “Vai mesmo voltar?”
A tia respondeu: “Sim, Xi Xi conseguiu um bom emprego no exterior, precisa retornar.”
O ambiente tornou-se silencioso, carregado de uma estranha tensão.
“Entendo.” Só depois de muito tempo veio a resposta, voz sem inflexão, mas misteriosamente opressiva.
O olhar dele era intenso, impossível ignorar. Lin Xi manteve-se concentrada na comida, até não suportar mais, ergueu as sobrancelhas: “Há algum problema?”