Capítulo 6: Deliberando sobre o Casamento
Quando a voz de Qin Yu se extinguiu, o silêncio dentro do carro era tal que só se ouvia o sussurrar do ar-condicionado.
Ela não respondeu, o que, aos olhos do homem, parecia uma tácita concordância.
Recolhendo o olhar, os longos dedos de Qin Yu, pousados sobre o volante, cerraram-se silenciosamente. Seu pomo de Adão subiu e desceu duas vezes, e a voz que saiu era grave, rouca:
— Mal retornou ao país e já tem tanta pressa em tratar de casamento?
Havia uma leve acidez em seu tom. Lin Xi arqueou uma sobrancelha, presenteando-o com um sorriso lânguido:
— O terceiro irmão anda muito ocioso ultimamente?
Ela se recostou preguiçosamente no banco do carona, percebendo os lábios finos de Qin Yu se comprimindo numa linha tensa, e, por dentro, sentiu-se ainda mais satisfeita.
Anos atrás, não ousaria dirigir-lhe a palavra daquela maneira. Agora, porém, não tinha mais nada a temer.
— Eu e Lu Bei ainda não decidimos nada, não há motivo para pressa, terceiro irmão. Quando realmente chegar o dia de tratarmos de casamento, faremos questão de lhe entregar o convite pessoalmente.
As duas últimas palavras foram acentuadas com intenção.
A temperatura dentro do carro pareceu cair subitamente.
— Hmph. — Qin Yu soltou uma risada fria e, ao fitá-la de lado, o sorriso não chegou aos olhos. — Para isso, ele precisa ter competência.
Lin Xi franziu o cenho, a expressão tomada de desagrado. Detestava aquela postura de Qin Yu, como se tudo estivesse sob seu domínio.
— Já que terceiro irmão esclareceu suas dúvidas, se não houver mais nada, por gentileza, pare o carro adiante, à direita. Tenho um compromisso.
Lin Xi, na verdade, não tinha compromisso algum. Só não queria permanecer no mesmo espaço que ele, e mentiu por pura conveniência.
— Com quem? Lu Bei?
— Ora, com quem mais seria? Por acaso com você? — retrucou, hostil.
— Também pode ser. No momento estou desocupado. E, afinal, você faltou ao nosso último encontro; seria justo compensar.
— ... —
Lin Xi lançou-lhe um olhar surpreso, perscrutando-o de alto a baixo.
Será que ele tinha algum problema de audição? Por acaso aquilo fora um convite?
Parecia determinado a jantar com ela aquela noite, como se não fosse descansar enquanto não atingisse seu objetivo.
Lin Xi não podia se indispor abertamente com ele, e resolveu deixá-lo vencer aquela batalha.
Imaginava que ele a levaria até a casa de Ruan Dong, mas, ao descer do carro, percebeu que estavam diante de um restaurante de hot pot.
— Não quer comer aqui? — Notando que ela permanecia imóvel, Qin Yu não demonstrou pressa, apenas aguardou calado ao seu lado. — Ouvi dizer que esta casa é muito recomendada. Se não gostar, podemos ir a outra.
— Por mim tudo bem, mas... — Lin Xi lançou-lhe um olhar eloquente.
Ele ergueu o queixo, indicando que ela entrasse.
—
Enquanto aguardavam os pratos, Lin Xi apoiava o queixo na mão, olhando distraidamente para o caldo vermelho-vivo que fervia na panela. Do outro lado, Qin Yu ainda falava ao telefone.
Ela não queria escutar, mas, como o ambiente estava silencioso, acabou ouvindo-o mencionar a família Song.
Devia estar discutindo assuntos matrimoniais, pensou, sem conseguir evitar.
Curioso, tantos anos haviam se passado e Qin Yu ainda não se casara com aquela moça da família Song.
Não estavam para noivar há tempos?
— Não tive tempo de lhe perguntar: como foram esses anos no exterior?
Qin Yu já havia encerrado a ligação.
Ao ouvir sua voz, Lin Xi nem se deu ao trabalho de erguer as pálpebras, respondendo displicente:
— Comi e dormi bem, estudei com êxito, vivi feliz.
— Adaptação admirável — comentou Qin Yu.
— Graças ao terceiro irmão.
— ... —
Sua intenção de evitar uma conversa cordial era clara. O sarcasmo, invariavelmente, era o caminho mais certeiro.
—
Apesar do nome, o restaurante não era um simples hot pot, mas o tradicional “copper pot” de Pequim.
Ao experimentar a primeira fatia de carne, Lin Xi franziu levemente o cenho. Qin Yu notou sua reação.
— Não está bom?
Ela apressou-se em negar:
— Não é que esteja ruim...
— Acho que é o meu paladar — explicou-se. — Quando eu estudava, havia um restaurante igual em frente à universidade, muito autêntico. Acabei indo lá com frequência esses anos todos.
Durante o tempo no exterior, sentiu muita falta dos sabores de Pequim, mas nunca encontrou nada realmente fiel. Especialmente a qualidade da carne; a diferença entre o que encontrava fora e dentro do país era abissal. Por sorte, pouco depois de ingressar na universidade, abriu-se ali perto uma casa de “copper pot” e iguarias pequinesas.
Na época, não tinha grandes expectativas, mas os pratos surpreenderam-na pela semelhança ao sabor de casa.
— Hmm, na próxima vez escolhemos outro lugar.
Lin Xi não respondeu; tampouco desejava que houvesse uma próxima vez.
Jantar a sós com Qin Yu era o mesmo que sentar-se no banco dos réus.
Após a refeição, já sabendo que seria difícil conseguir um táxi ali, Lin Xi, antes mesmo que Qin Yu dissesse qualquer coisa, entrou no carro com naturalidade.
— Peço ao terceiro irmão que me deixe no hotel em frente à empresa.
— Não vai voltar para casa?
— Só no fim de semana.
— Então pretende continuar hospedada no hotel?
Desta vez, Lin Xi estava de bom humor e respondeu com menos hostilidade:
— Já estou procurando apartamento. Assim que tiver tempo, vou visitar alguns.
— Entendo — disse Qin Yu, nada mais acrescentando, mas naquela mesma noite ligou para Cheng Si, que estava em outra cidade.
— Um momento, terceiro irmão, não entendi. — Cheng Si, após ouvir o relato, vacilou. — Se você tem um apartamento vago, basta deixar a Xi Bao morar lá. Pra que me envolver?
Na rua diante do hotel, o Ferrari preto ainda permanecia estacionado.
A janela do motorista baixou-se alguns centímetros, e a mão que segurava o cigarro repousava languidamente, os dedos longos e bem delineados movendo-se levemente sob a luz fria da lua, batendo a cinza que caía em flocos.
Dentro do carro, o homem vestia uma camisa preta com alguns botões desabotoados, o olhar perdido nos andares do hotel, sem revelar para qual andar olhava. Ao lado, o telefone, com o viva-voz ativado, mantinha a ligação.
— Você acha que, se eu sugerisse, ela aceitaria?
Sua voz era inexpressiva, como águas paradas, sem a menor ondulação.
Cheng Si silenciou.
Era verdade.
Conhecendo Lin Xi como conheciam, era provável que ela não só recusasse, como passasse a evitá-los ainda mais.
Como no episódio recente na empresa, Qin Yu foi obrigado a recorrer a meios indiretos.
— Está bem, eu falo com ela.
—
No dia seguinte, ao chegar ao refeitório da empresa, Lin Xi recebeu um telefonema de Cheng Si.
— O quarto irmão quer falar comigo? — indagou.
— Soube por sua mãe que você não voltou para casa esses dias?
— Sim, estou num hotel próximo ao trabalho, fica mais prático.
— Falha minha, devia ter perguntado antes — Cheng Si iniciou seu teatrinho. — Tenho um apartamento vago perto da empresa, vá morar lá.
— Não precisa, já estou procurando um lugar.
— Que nada, temos imóveis sobrando na família! O que não falta para mim é apartamento vazio!
— Além disso, você me ajudou tanto, não precisa de tanta cerimônia. Vai continuar me tratando como estranho?
— Você... não vai aceitar?
— Não estou morando lá no momento. Comprei para facilitar, mas ficou vazio até agora.
— Então está resolvido. Já pedi para uma equipe de limpeza ir até lá, pode se mudar hoje mesmo. Morando no meu apartamento, sua família ficará mais tranquila.
Lembrou-se de como, nos últimos dias, a tia insistia em comprar-lhe um apartamento adequado. Lin Xi, para não dar trabalho à família, aceitou a sugestão de Cheng Si, assim resolveria a questão.
— Eu mando alguém ajudá-la com a mudança esta noite.
— Não precisa, quarto irmão, tenho poucas coisas.
— Não aceito recusa, obedeça ao irmão!
— ... Está bem. Obrigada, quarto irmão.
Ao sair do trabalho, Lin Xi, conforme combinado, aguardava com a bagagem na porta do hotel.
Não viu ninguém que viesse ajudá-la com a mudança, mas encontrou outro visitante inesperado — Qin Yu.