Capítulo 7 Não Me Toques
Ao avistar Qin Yu, Lin Xi sentiu-se imediatamente desconcertada.
Sua inquietação era evidente em cada linha do rosto. “Vocês combinaram isso juntos?”
Naquele momento, seria impossível acreditar que Cheng Si não agira de caso pensado.
Qin Yu empurrou a porta e, com um passo longo, desceu do carro. “Ele perguntou no grupo quem tinha tempo. Eu, por acaso, estava livre.”
Talvez para facilitar sua mudança, hoje ele viera com outro carro e trazia junto o assistente. O assistente lhe lançou um sorriso cortês, aproximou-se e levou sua mala.
Lin Xi ainda não dissera nada quando, de repente, a silhueta de Qin Yu bloqueou sua visão, lançando-lhe uma sombra densa.
Ele se aproximou de súbito, fazendo com que, por instinto, ela prendesse a respiração. Ao se dar conta, sentiu uma leve fragrância de perfume invadir-lhe as narinas; não era um aroma masculino, mas sim o perfume de rosas, do tipo que agrada às mulheres.
Mas não era o seu...
Qin Yu, em sua vida privada, sempre fora reservado, jamais permitindo intimidades com o sexo oposto. E, pelo modo como se apresentava, era evidente que não viera de casa. Portanto, para que aquele perfume estivesse impregnado em sua pele...
Sem saber ao certo o que sentir, ela recuou, tentando aumentar a distância entre eles. Atrás dela havia um degrau; temendo que ela caísse, Qin Yu estendeu a mão para segurá-la.
A ponta dos dedos dele era levemente fria. Por entre as contas arredondadas do rosário, ele tentou segurar o delicado pulso alvo dela. Antes mesmo de apertar, Lin Xi, assustada, livrou-se de sua mão com um gesto brusco. “Não me toque!”
O movimento foi tão repentino que o rosário em seu pulso saiu voando, caindo pesadamente ao chão.
O semblante de Qin Yu endureceu de imediato. Ignorando a resistência dela, agarrou-a pelo braço, enquanto com a outra mão envolvia-lhe a cintura, puxando-a com força para si.
Lin Xi, que mal se mantivera de pé, acabou se lançando contra o peito dele.
“Você!”
Soltando-lhe a mão, ele deslizou os dedos para o rosto dela, prendendo-lhe o queixo entre o polegar e o indicador, obrigando-a a levantar o olhar e encará-lo.
A máscara de cordialidade dos últimos dias foi despida de seu rosto; a voz, agora ríspida, soou ameaçadora:
“Está querendo causar, é isso?”
Os olhos de Lin Xi, brilhantes como água, miravam-no com fúria, enquanto os lábios rubros se comprimiam num traço rígido.
“Depois de anos sem me ver, realmente ficou mais temperamental.” Tendo acabado de repreendê-la, a voz dele logo cedeu à indulgência: “Com Cheng Si e os outros, você sempre é dócil. Mas comigo, faz questão de se mostrar diferente, de me provocar?”
Lin Xi ficou sem palavras diante da audácia dele.
Como não percebera antes que Qin Yu era tão descarado? Anos atrás, ele pisou em seus sentimentos sinceros; agora, vinha invertendo os papéis.
Diante daquela situação, quem estava abusando de quem, afinal?
Sem vontade de lhe dar atenção, Lin Xi empurrou-lhe o ombro.
O homem não se moveu um centímetro. E a mão em sua cintura apertou-se, firme e silenciosa. “Fale.”
“Quem, em toda a cidade de Jing, teria coragem de afrontar o Terceiro Irmão?” Lin Xi forçou um sorriso, quase rosnando as palavras.
“Eu é que vejo que coragem não lhe falta.”
“É mesmo uma injustiça, Terceiro Irmão. Sempre que o vejo, só penso em fugir!” Era a pura verdade.
Provocada por essas palavras, um brilho gélido cruzou o olhar de Qin Yu, emanando uma perigosa aura cortante. O polegar, que pressionava o lábio inferior dela, apertou, deixando uma marca avermelhada.
“Qin Yu!” Ela, tomada de raiva, chamou-o pelo nome completo.
Diante do olhar furioso dela, a frieza nos olhos de Qin Yu dissipou-se; seus lábios desenharam um sorriso lento. “Não vai mais me chamar de Terceiro Irmão?”
Lin Xi ficou atônita.
Naquele tempo, quando ela perdera temporariamente a fala, foi Qin Yu quem sempre esteve ao seu lado, tentando fazê-la abrir a boca novamente.
No início, ele só lhe ensinara duas palavras — Qin Yu.
Sempre hesitante, ela repetia o nome junto com ele.
No cotidiano, os mais próximos, ao encontrarem Qin Yu, dirigiam-se a ele como Terceiro Irmão; os menos íntimos, formalmente, chamavam-no de Presidente Qin ou Jovem Qin. Afinal, com sua origem e posição, Qin Yu era, em Jing, uma espécie de príncipe herdeiro. Excetuando-se os mais velhos da família, ninguém ousava chamá-lo pelo nome.
Mas naquele tempo, ela parecia gozar de um privilégio, de uma predileção. Sempre que o chamava pelo nome, ele não se irritava, mas sorria, elogiava a doçura de sua voz, e, por vezes, ainda lhe dava um presente como recompensa.
Por que, ao lembrar-se disso, Lin Xi sentiu o nariz arder e a voz vacilar? “Solte-me, por favor!”
Com receio de fazê-la chorar, Qin Yu obedeceu e largou-a.
Livre daquelas amarras, Lin Xi afastou-se dele sem demora. Qin Yu, desta vez, não se ofendeu; virou-se e caminhou para o outro lado.
Seu corpo era esguio, a cintura magra e firme; só o contorno das costas bastava para despertar a cobiça de inúmeras mulheres. O olhar de Lin Xi não se desviou dele, sempre alerta. Até que o viu curvar-se lentamente, recolhendo o rosário no chão.
Lin Xi baixou a cabeça de repente.
Vestia, naquele dia, um vestido longo de mangas bufantes; seus pulsos eram tão finos que o punho da manga escorregava, ficando frouxamente pendurado no antebraço, deixando à mostra uma faixa de pele alva. Agora o pulso estava nu — o precioso rosário de sândalo sumira.
Ela não se dera conta de quando o perdera, pois toda a sua atenção estava voltada a Qin Yu. Ao levantar o olhar, viu que, no pulso esquerdo dele, pendia um rosário idêntico ao seu.
Aparentemente, não havia diferença entre os dois.
Ao deparar-se com aquela cena, Lin Xi sentiu a garganta apertar. Ninguém mais sabia, mas ela sabia que aquele que Qin Yu usava agora era apenas um substituto; o autêntico, aquele com verdadeira importância, era o que ela acabara de perder.
O rosário tinha uma história: desde a adolescência, Qin Yu o trazia consigo, jamais se separando dele. Diziam que, ao nascer, Qin Yu era frágil, e o avô da família Qin buscara especialmente aquele rosário, tendo-o até consagrado.
Por tradição, não deveria ser dado a ninguém. Até o ano em que—
No entardecer, à porta da escola, Qin Yu estava ao volante; inclinou-se para ajudá-la a ajustar o aparelho auditivo.
“O que está olhando?”
Ela fitava o rosário em seu pulso, distraída. De repente, sentiu a testa ser tocada por ele; ao erguer o olhar, viu-o balançar o pulso. “Isto aqui?”
Ele se aproximou mais, e o aroma de sândalo a envolveu. Sempre que sentia aquele perfume, uma calma profunda a invadia, e o ânimo se renovava.
Ela assentiu vigorosamente.
Percebendo o quanto ela gostava do rosário, Qin Yu inclinou-se até ficar na altura de seus olhos, guiando-a com doçura: “Esqueceu o que lhe ensinei?”
“Se Xi Xi quiser algo, tem de dizer em voz alta.”
“Basta pedir. O que você quiser, eu dou.”
Ela hesitou longamente, mas ele não tinha pressa, aguardando pacientemente.
Ninguém sabia quanto tempo passou até que, por fim, ela conseguiu. Qin Yu baixou o olhar, sorriu e retirou o rosário, segurou a mão dela e o colocou em seu pulso.
“Com ele junto de você, acredito que logo estará melhor.”
“Sim!”
Mais tarde, ao descobrir a origem do rosário, Lin Xi quis devolvê-lo, arrependida.
Naquele momento, o semblante dele escureceu. “Não é tão grave assim. Ainda é jovem, por que pensa tanto?”
“Se lhe dei, agora é seu. Guarde-o bem, não o perca.”
—
Do outro lado, Qin Yu já se ergueu e retornava, passos lentos. Baixou a cabeça, atento, limpando cuidadosamente o rosário recém-recolhido com um lenço.
Quando Lin Xi recobrou os sentidos, viu Qin Yu tomar-lhe a mão, devolvendo o rosário ao pulso dela, enquanto a voz dele, idêntica àquela gravada em sua memória, murmurava:
“Guarde-o bem. Não o perca outra vez.”