Capítulo 5: Vocês estão namorando?
De volta a Pequim, sob as insistentes solicitações de Cheng Si, Lin Xi iniciou sem demora sua jornada na Feiyun Tecnologia. Sua principal função consistia em participar do desenvolvimento e design de chips.
Logo no primeiro dia de trabalho, ela teve a honra de chegar atrasada. Talvez o fuso horário ainda não estivesse ajustado; à noite, demorava a adormecer, e de manhã o despertador soava baixo demais para que ela o percebesse.
No centro de pesquisa, ao sair do elevador, inesperadamente ouviu seu próprio nome. Ergueu os olhos e, não muito distante, avistou alguns colegas reunidos em torno de uma estação de trabalho — entre eles, sua assistente.
— Primeiro dia e já chega atrasada, não podia ser diferente, uma doutora formada no exterior, tem mesmo confiança de sobra.
— Doutora? Hoje em dia, qualquer família com algum dinheiro manda o filho para fora, basta passar o tempo e o diploma vem. É tudo comprado, só fachada. Se eu tivesse essa chance, faria igual!
— Que relação vocês acham que ela tem com o Diretor Cheng? Ouvi na recepção que ontem ela desceu do carro dele, e foi ele mesmo quem a trouxe até aqui. Dizem que ele é especialmente atencioso com ela, parecem íntimos.
— Sério? Eu já desconfiava, por isso o RH nem se manifestou, foi uma nomeação direta. Então tem coisa aí...
— Ontem, dei uma espiada escondida: ela é realmente bonita, tem um jeito doce e inocente. Não admira o interesse do Diretor Cheng.
— Agora entendo como ela pôde substituir o Engenheiro Chen assim que chegou. Ele se formou em uma universidade de prestígio nacional, não é menos qualificado que ela. Soube que ontem ficou tão irritado que até perdeu o apetite.
— Pronto, ouvi dizer que uma grande empresa quer fechar parceria conosco. Com a competência dela, isso não vai muito longe.
Lin Xi se aproximou lentamente e indagou:
— Essa grande empresa de que falam é a Huasheng?
A assistente prontamente respondeu:
— Sim, é...
Mas não terminou a frase, pois uma colega ao lado se levantou abruptamente.
Surpresa, virou-se e deu de cara com o olhar sorridente de Lin Xi.
— ! — A assistente conteve a respiração, apressando-se em se pôr de pé — Bom... bom dia, Engenheira Lin...
— Já não é cedo. Bom dia. Peço desculpas, ainda não me adaptei ao fuso. Cheguei um pouco tarde hoje, atrapalhei o trabalho de vocês?
A assistente, voltando a si, balbuciou:
— Não, de modo algum! Precisa de um café para despertar? Eu posso preparar!
— Obrigada. — O semblante de Lin Xi, austero e sereno, impunha respeito quando não sorria.
Os presentes, sem compreender seu tom, mantiveram-se em silêncio, torcendo para que ela não tivesse ouvido as conversas anteriores.
Infelizmente, frustraram-se.
O olhar de Lin Xi percorreu o grupo com calma e sua voz ecoou, firme e sem submissão:
— Ontem foi tudo muito apressado, não tive tempo de me apresentar devidamente.
— Chamo-me Lin Xi, tenho vinte e quatro anos, formei-me em Engenharia Eletrônica pelo MIT. Durante todo o curso fui contemplada com bolsa integral e liderei equipes em diversas competições, conquistando alguns prêmios relevantes. Quem tiver curiosidade, pode pesquisar online.
— Quanto ao Diretor Cheng, de fato nos conhecemos fora da empresa. Sobre nossa relação, prefiro não discutir assuntos pessoais aqui. Se a curiosidade for grande, sugiro perguntarem diretamente a ele, poupa tempo e especulações.
Silêncio.
— Ah, e sobre o Engenheiro Chen: somos colegas, parceiros em igualdade, não houve substituição. Quanto ao boato de que ele se irritou, desconheço tal fato, porém...
Dizendo isso, diante de todos, pegou o celular e localizou o Engenheiro Chen no grupo do WeChat. Este demorou um pouco, mas logo saiu do escritório, aproximando-se com um sorriso nos lábios:
— Engenheira Lin, estava à minha procura?
O Engenheiro Chen, com mais de trinta anos e antigo na Feiyun, era bem quisto por todos graças ao seu constante bom humor.
Lin Xi acenou-lhe com a cabeça:
— Ouvi dizer que ontem o senhor passou o dia sem almoçar. Posso perguntar o motivo?
Direta e franca, Lin Xi jamais fazia rodeios.
— Ah! — Chen balançou a mão e, tirando um blister de comprimidos e um recibo do bolso, explicou — Ontem meu estômago estava ruim, não almocei. Assim que saí do trabalho, fui ao hospital pegar remédio. Está tudo muito caro ultimamente...
— Quer repousar mais um dia? Eu cuido das coisas por aqui.
— Não, não precisa, já estou melhor com o remédio.
— Que bom. — Ela lançou um olhar aos colegas, que, sob sua atenção, mal ousavam respirar, certos de que seriam reprimidos publicamente.
Desta vez, porém, Lin Xi limitou-se a brincar com Chen:
— E eu pensando que ficaste chateado porque ontem, no meu primeiro dia, não ofereci um jantar a todos.
— Imagina! Não sou desse tipo, hahaha. Mas, se a Engenheira quiser mesmo oferecer, só peço que espere meu estômago melhorar uns dias.
— Combinado, esperaremos você se recuperar.
— Ótimo! Combinado, então! Venha, vou lhe mostrar o projeto da Huasheng.
Lin Xi concordou, mas antes de sair lançou um olhar demorado à assistente. Sob os olhares aflitos dos colegas, seus lábios se entreabriram num tom levemente irônico:
— Por gentileza, leve meu café ao escritório depois. Agradeço.
— Sim, Engenheira Lin!
Só quando ela partiu, o grupo respirou aliviado.
— Ela ouviu tudo...
— Está irritada ou não?
— Será que vai contar ao Diretor Cheng?
— Liu, quando for levar o café, tenta sondar...
—
Como chegara tarde pela manhã, Lin Xi ficou até mais tarde no escritório.
Ao sair da empresa, já passava das nove da noite.
Tendo jantado cedo, sentia agora um leve apetite. Depois de tanto tempo longe de Pequim, não sabia ao certo onde comer nas redondezas.
Dividia-se entre o desejo de um hot pot ou um churrasco coreano, mas, sozinha, não teria como aproveitar nenhum dos dois.
Precisava urgentemente de companhia para o jantar.
Mas, a essa hora, a quem recorrer?
Cheng Si viajara a trabalho logo após deixá-la ontem. Os outros amigos que tinha na cidade, não via há anos. Colegas de trabalho? Nenhum com intimidade suficiente.
Do portão à calçada, percorreu, lentamente, trezentos metros em cerca de sete ou oito minutos.
À beira da rua, suspirou:
— Melhor não comer, aproveito para emagrecer.
— Não comer o quê?
A voz a surpreendeu. Lin Xi olhou, incrédula, para o lado.
Ali estava, imóvel, o familiar Ferrari Purosangue, que não sabia há quanto tempo a seguia.
Pela janela do passageiro, baixada, vislumbrou o condutor, sentado ereto: Qin Yu, que não via há quase uma semana.
— O que faz aqui?
Diferente do reencontro constrangido dias atrás, Lin Xi agora parecia imune à presença dele, esquecendo-se até de chamá-lo de “terceiro irmão”.
— Só de passagem.
— ?
Com os dedos longos, Qin Yu tamborilou levemente no volante:
— Entre logo, não pode parar aqui por muito tempo.
Lin Xi pensou: “Se não pode, por que não vai embora? Pra que me chamar?”
— Venha logo, preciso falar com você. — Sob sua insistência, Lin Xi embarcou novamente na “carroça do bandido”.
— Ainda está em contato com aquele tal de Lu?
— ? — Lin Xi hesitou. Não vinha conversando muito com Lu Bei nos últimos dias. Mas, afinal, como Qin Yu sabia disso?
Ele virou-se, o olhar insondável:
— O tal Lu comentou com a família que está muito satisfeito com você. Vocês estão namorando?