Capítulo 4: Chantagem Moral

Cinta yang Tertunda dalam Kehangatan Lu Fangzhi 2418kata 2026-03-12 14:33:38

Após o almoço, Lin Xi, para evitar Qin Yu, recolheu-se diretamente ao quarto para descansar.

Imaginava que à noite voltaria a “coincidentemente” encontrá-lo, mas, surpreendentemente, desde a tarde até a manhã do terceiro dia, Lin Xi não tornou a cruzar-se com Qin Yu.

Em Línshì, os avós maternos de Lin Xi eram ambos médicos de medicina tradicional chinesa e, após aposentarem-se, abriram uma pequena clínica por conta própria.

Depois de acompanhar os idosos à clínica, Lin Xi decidiu dar uma volta pelas redondezas. Enquanto aguardava o carro, o telefone tocou.

Era um número desconhecido de Beijing.

Hesitou por um longo instante antes de atender.

Ela não disse palavra, aguardando em silêncio que o interlocutor se pronunciasse.

Assim que a ligação foi completada, soou do outro lado uma voz masculina um tanto familiar, mas que não era Qin Yu.

— É a Lin Xi?

— Quem fala…?

— Sou eu, querida, Cheng Si. Não me diga que já não reconhece minha voz?

Lin Xi exclamou, a alegria transparecendo-lhe na voz:

— Quarto irmão!

O sotaque de Cheng Si era carregado, um autêntico dialeto de Beijing.

— Custou-me um bocado conseguir o teu número. Voltou ao país e nem deu notícia.

— É que ainda não tive tempo — desculpa já por ela tantas vezes utilizada.

Comparado a Qin Yu, desde pequena Lin Xi sempre preferira Cheng Si, cuja personalidade extrovertida e espirituosa lhe era especialmente cativante.

— Pois é, também estou em Línshì. Está na casa da avó? Vou ao seu encontro.

— Agora?

— Claro. Depois de tanto tempo, ao menos precisa reservar um jantar para mim, não acha?

Ao se encontrarem, Cheng Si passou-lhe o braço pelos ombros, despenteando-lhe o cabelo com vigor, e censurou, meio a brincar:

— Você também é de uma crueldade… Naquela época, eu nem estava em Beijing, não soube de nada. Romper laços com eles, vá lá, mas por que cortar relações comigo também? Todos estes anos, nem uma notícia sequer sua, não se preocupa nem um pouco com seu quarto irmão, é?

— E pensar que sempre cuidei de você, quem é que levava a culpa quando aprontava na infância, já esqueceu?

— …

Cheng Si arrastou-a para uma casa de chá do outro lado da rua. Sentados, tocou-lhe levemente a orelha e tratou logo de assuntos sérios:

— Está mesmo bem? Não ficou com nenhuma sequela?

Lin Xi abanou a cabeça:

— Já no início da faculdade estava curada.

Ao mencionar a universidade, Cheng Si aproveitou a deixa:

— A propósito, mesmo, o que foi que estudou?

— Engenharia eletrónica.

— Mas que coincidência! — exclamou Cheng Si, simulando surpresa.

Os lábios de Lin Xi se contraíram:

— Coincidência?

Lembrava-se bem que Cheng Si não cursara tal área.

— Abri uma empresa de tecnologia, mas não consigo contratar ninguém. Minha empresinha está à beira da falência.

— Em Beijing, e ainda não encontra funcionários? — Lin Xi não se convenceu.

Cheng Si gesticulou diante dela, teatral:

— O que falta é alguém com tua expertise. Talento raro, difícil de achar.

Lin Xi permaneceu em silêncio.

Ele riu, entrando logo no terreno da afetividade:

— Por isso, minha querida doutora regressada do exterior, em nome dos velhos tempos, não quer vir trabalhar na empresa do irmão? Dou-lhe participação.

— Mas já tenho emprego no exterior.

— Ainda não começou, e isso é fácil de resolver. Venha para minha empresa, dobro seu salário. Ou, se preferir, diga quanto quer, não pestanejo, assino o contrato na hora.

Afinal, não era ele quem pagaria, de qualquer modo.

— Não é uma questão de dinheiro — suspirou Lin Xi, sem saber como recusar.

Desde pequena, Cheng Si sempre fora assim — uma lábia irresistível, poucos conseguiam vencê-lo no verbo.

— Não seria melhor ficar em Beijing? Ou quer passar a vida inteira fora? — e, mudando de tática, apelou à moralidade: — Além disso, agora que adquiriu tanto saber, não deveria voltar para contribuir com o país?

Diante de sua ofensiva, Lin Xi foi inevitavelmente vencida e prometeu pensar melhor ao retornar.

— Nada disso — disse Cheng Si, fazendo um gesto. — Já não acredito em você, menina. Diz que vai pensar e, de repente, na calada da noite, compra passagem e desaparece.

— Se for embora, minha carreira, que mal começou, estará arruinada antes de brilhar. Sabe bem, minha família acha que só fico à toa. Se não mostrar algum resultado, serei arranjado num casamento, pronto.

— Vai ter coragem de ver seu irmão descer tão jovem à cova do matrimônio — e ainda com alguém que nem ama?

Enquanto encenava, levou a mão ao peito e suspirou, o ar de desalento quase digno de lágrimas.

Lin Xi, divertida, acabou cedendo:

— Está bem, está bem, até o fim do dia lhe respondo, serve?

— Para que esperar? Responda logo agora.

— Agora?! — os olhos de Lin Xi se arregalaram. — Mas…

— A situação é urgente. Dentre todos, só você transmite confiança ao velho lá de casa. Se você aceitar, ele ficará mais tranquilo. Você não sabe, mas ele anda adoentado… Considere que me deve este favor, salve primeiro a pele do irmão, depois conversamos.

— Somos irmãos, sangue do mesmo sangue!

Lin Xi levou a mão à testa, exasperada — no máximo, cresceram juntos no mesmo bairro, nada de laços sanguíneos.

Ainda assim, Cheng Si tinha razão em um ponto: ela não poderia permanecer para sempre no exterior.

Seu plano era trabalhar fora por dois anos antes de considerar o retorno, mas agora, aceitar uma vaga em casa… talvez não fosse tão má ideia.

Além do mais, não podia recusar tamanha cortesia de quem sempre fora próximo.

Após refletir, assentiu:

— Está bem, em dois dias, quando voltar a Beijing, conversamos pessoalmente na sua empresa.

— Digna irmã do quarto irmão! — Cheng Si, num passe de mágica, tirou um contrato do bolso. — Assine logo, depois acertamos os detalhes.

— ?

No fim, Lin Xi foi forçada a assinar o “contrato de servidão”.

Ao levá-la de volta, Cheng Si revisou o contrato minuciosamente; após confirmar que tudo estava em ordem, telefonou a Qin Yu.

— Terceiro irmão, missão cumprida, sucesso absoluto.

— Obrigado.

— Ora, entre nós não há disso. Além do mais, essa menina ficou tanto tempo fora do país, ninguém estava tranquilo.

No dia anterior, ele estava fora da cidade quando Qin Yu o convocou de volta.

Ao saber do regresso de Lin Xi, mal teve tempo de se alegrar, pois Qin Yu já lhe comunicava que ela pretendia partir de novo.

Os dois tramaram então esse estratagema para retê-la.

A empresa, na verdade, tinha Cheng Si como proprietário apenas de fachada; o verdadeiro patrão sempre fora Qin Yu, que o abordara anos atrás.

Fazendo as contas, Cheng Si se deu conta de que fundaram a empresa justamente no ano em que Lin Xi se formou na graduação.

Ora, veja só — estavam esperando por ela desde então? Lançando a rede para capturar o grande peixe?

Após resolver um assunto tão importante para o amigo, Cheng Si sentiu-se à vontade para provocá-lo:

— Terceiro irmão, você é mesmo paciente. Que rede de pesca mais longa!

Agora entendia por que Qin Yu mantinha aquela empresinha às moscas — tudo esperando por esse momento.

Quem diria, o grande Qin Yu de Beijing, reduzido a um apaixonado paciente, à espera de sua amada.