Capítulo Sete: Pó e Rouges do Palácio (Segunda Parte)
Assim, já se haviam passado quase duas horas quando finalmente chegaram diante dos portões do palácio de Hui Zhai. Hui Zhai era desprovido de ostentação e de pessoas supérfluas; no recinto palaciano pairava uma atmosfera leve e refinada, perfumada pelo aroma das verdes bambus plantadas no jardim. O bambu, por natureza, é um símbolo de elegância; no ambiente do palácio, sua presença tornava-se ainda mais pura, transcendente.
“A rainha chegou!” Ainda sem adentrar o salão, o eunuco Yun Dao anunciou em voz alta.
“Majestade, cuidado com os degraus,” advertiu Tao Xin, apoiando delicadamente Xue Xue enquanto ela transpunha os altos degraus, avançando lentamente para o grande salão.
O interior parecia amplo; no instante em que ela entrou, as concubinas se levantaram e lhe prestaram reverência. “As súditas saúdam Vossa Majestade, a Rainha,” entoaram, seus tons não alinhados, mas extraordinariamente melodiosos, lembrando o murmúrio cristalino de um riacho entre montanhas. Seus olhares, embora disfarçados, eram intensos.
“Filha saúda a Mãe,” Xue Xue postou-se e inclinou-se, com uma serenidade que não era nem submissa nem arrogante, mas sim cortês e afável.
“Rainha, dispense as formalidades, não se prenda ao protocolo,”
A senhora no alto da tribuna irradiava benevolência; embora as rugas em seus olhos fossem perceptíveis, não diminuíam em nada o fulgor de sua presença. Vestia-se com roupas de tons profundos, os cabelos apenas levemente arranjados em um coque, ornado por um simples grampo de jade; nas orelhas, brincos de jade, ao pescoço, uma joia de pedras preciosas, e na mão direita, um rosário esverdeado.
Seu traje não era exuberante, mas a dignidade cultivada ao longo dos anos tornava-se ainda mais incomparável sob tal sobriedade.
“Grata, Mãe.” Ela endireitou o corpo, respondendo com destreza e calma.
Todos observavam, em silêncio, a jovem que se erguia com altivez no salão—sua postura serena, como a ameixeira que resiste ao inverno, exalava uma aura de delicadeza e frieza.
Vestida com um manto de gaze verde-escuro, imaculadamente limpo, transmitia frescor e pureza. A saia não era longa, apenas o suficiente para cobrir seus sapatos altos.
Seu rosto, sem pintura, era de uma brancura delicada, destacando-se com o manto verde, que realçava sua translucidez, como uma gota d’água prestes a se romper ao toque.
“Que criança admirável! Venha até mim, permita que eu lhe veja melhor,” disse a Imperatriz Viúva, visivelmente satisfeita, sua voz carregada de ternura e afeto.
Receber o apreço da Imperatriz Viúva deveria ser motivo de alegria, mas Tao Xin estava ao mesmo tempo ansiosa e apreensiva, incapaz de demonstrar tais sentimentos—restava-lhe apenas permanecer imóvel, buscando uma solução. A Imperatriz Viúva sempre fora considerada a mais amável, então por que agora parecia disposta a dificultar para sua senhora?
As concubinas, por sua vez, finalmente permitiram que um leve sorriso surgisse em seus rostos; uma jovem cega de origem obscura receber tamanha afeição do rei já lhes causava constrangimento. Com o favor real, não ousavam agir, mas se a Imperatriz Viúva tomasse a iniciativa, poderiam ao menos desfrutar de uma pequena satisfação.
Na manhã anterior, o rei promulgara um decreto, conferindo à filha adotiva da rainha—Yuan Xi—o título de Princesa Imperial do Reino Ji, com o nome Xi, alterando o sobrenome real. Assim, tornava-se a Primeira Princesa Imperial de Ji—Ji Xi. Embora por ora fosse apenas um título, e a cerimônia oficial dependesse de sua maioridade, tal honra era inalcançável para as demais.
Xue Xue, contudo, recebeu tudo com facilidade e naturalidade.
Para elas, Xue Xue não passava de uma jovem cega inútil, distante delas por mil léguas.
“Majestade, permita-me ajudá-la,” soou uma voz elegante, rompendo suas fantasias caóticas. Ao levantarem os olhos, viram um rosto de delicada beleza.
Figura graciosa, semblante refinado. Sobrancelhas finas, olhos líquidos, nariz erguido, lábios de cereja—uma beleza clássica. Vestida em seda, adornada de flores e pedras preciosas, o rosto corado com um rubor preciso, tudo de modo digno e rigoroso.
“Não, Concubina Yu, pode retirar-se.”
A Imperatriz Viúva apenas balançou levemente a cabeça, sem demonstrar desagrado, recusando a oferta. Yu, então, retornou ao seu lugar, ignorando os olhares hostis das demais.
O olhar da Imperatriz Viúva voltou-se para a jovem silenciosa no salão; Xue Xue permanecia imóvel, expressão serena. “Não sei se a Rainha tem algum outro desejo?” perguntou, com voz afável e cheia de admiração.
As concubinas ficaram surpresas ante a admiração da Imperatriz Viúva por Xue Xue. Todos sabiam que o rei e a Imperatriz Viúva eram mãe e filho ligados pelo coração, mas a Imperatriz Viúva, embora gentil, era de difícil acesso. Por mais que buscassem agradá-la, raramente era vista, e conquistar seu favor era quase impossível.
Entretanto, a Rainha conseguira facilmente tal apreço—se assim fosse, a posição de Xue Xue tornar-se-ia ainda mais inabalável.
“Filha obedece,” respondeu Xue Xue, com suavidade, sua voz tão leve quanto brisa e nuvem, mas de uma reverência impecável.
Ela moveu-se discretamente, passos leves e decididos, sem qualquer hesitação típica de uma jovem cega. Logo, parou diante da Imperatriz Viúva, a uma distância adequada, deixando todos atônitos.
Seria realmente cega, esta jovem?
“O olhar de Wu Qing é realmente singular, pois reconheceu em ti uma pessoa extraordinária,” disse a Imperatriz Viúva, levantando-se e aproximando-se, recolhendo o rosário e tomando-a pela mão, com ternura incomparável.
“Filha não ousa aceitar tal elogio,” respondeu Xue Xue, sem se perturbar com o gesto súbito da Imperatriz Viúva, mantendo a compostura.
Por fim, todos sentaram-se; Xue Xue ocupando o lugar à direita da Imperatriz Viúva, as concubinas em seus assentos na parte inferior do salão.
“Aliás, por que chegou tão tarde, Rainha? O caminho lhe atrasou?” perguntou a Imperatriz Viúva, como quem conversa sobre as trivialidades do lar.
“Tia, a razão do atraso da irmã Rainha é certamente justa; questões privadas… como poderíamos indagar?” Xue Xue ainda não respondera quando uma voz brincalhona irrompeu.
A voz era clara e melodiosa, como o canto de um pássaro, encantadora. O rosto delicado, expressão radiante, o cabelo adornado com joias verdes, tudo harmonioso. Apenas o manto de brocado roxo, exuberante, ofuscava os olhos, demasiado luxuoso.
“Questão privada? Isso…” Uma jovem de branco, oportunamente, arqueou as sobrancelhas, expressão de dúvida, seu rosto discreto e gracioso irradiando inocência.
Vestida de branco puro, parecia a noite lunar, suave e nebulosa, envolta numa aura delicada e misteriosa, atraente. Os cabelos negros, bem arranjados em um pequeno coque, o restante caía livremente até a cintura, encantador.
“Mãe, preparei-lhe um presente; não sei se agradará,” só quando o silêncio se instalou, Xue Xue falou calmamente, deixando todos ainda mais intrigados.
“De fato?” Até a Imperatriz Viúva, normalmente imperturbável, mostrou surpresa.
…………Palavras da autora…………
Queridos, o que acham? Xue Xue lhes agradou? (Depois da prova, mais um capítulo ^_^)