Capítulo Cinco: Os Acontecimentos de Uma Noite de Sonho Ébrio (Favoritar e Recomendar)

Sang Jagal Agung dari Dinasti Song Putra sulung keluarga Zhu 2504kata 2026-03-15 14:40:55

Capítulo Cinco – Dos Sonhos Ébrios e dos Acontecimentos da Noite

Após ter organizado as coisas em casa, Zheng Zhi não ousou demorar-se mais, deixando o pai e a filha da família Jin em sua residência e, acompanhado de Shi Jin, saiu porta afora. Naturalmente, havia um motivo para sua saída: Zheng Zhi não esquecera que, à noite, tinha marcada uma bebedeira com o policial Lei Da.

A razão de sua pressa era, sobretudo, não querer envolver-se nas questões domésticas naquele momento. O encontro de duas mulheres sob o mesmo teto prometia inevitáveis tensões ocultas; Zheng Zhi, que sequer sabia o nome de sua própria esposa, sabia que permanecer ali apenas aumentaria as chances de ser desmascarado. Era, pois, preferível buscar logo a liberdade das ruas.

Primeiro, dirigiram-se à banca de carnes de Zheng Zhi, onde este incumbiu Li Er de, mais tarde, convidar Lei Da para cear com eles na Taverna da Família Pan. Após recolher algumas moedas de prata na banca, ele e Shi Jin foram diretamente à taverna.

Chegaram primeiro e, como de hábito, acomodaram-se no segundo andar. Shi Jin, jovem que era, falava pelos cotovelos; Zheng Zhi conversava com ele distraidamente, perdido em pensamentos.

A principal preocupação de Zheng Zhi era como lidar com o fato de não se recordar dos acontecimentos passados. Enganar estranhos podia ser tarefa simples, mas havia em sua casa uma esposa — iludir a própria mulher seria, sem dúvida, bem mais complicado.

Após meia hora, Lei Da chegou; trocaram cumprimentos e logo serviram vinho e iguarias à mesa.

Durante o banquete, Zheng Zhi manteve-se reservado, limitando-se a brindar ou felicitar. Dedicou-se mais a escutar as histórias de Lei Da sobre as curiosidades da delegacia e as novidades cotidianas do povoado.

Ainda que fossem meros causos banais, tais conversas permitiram que Zheng Zhi adquirisse uma compreensão mais profunda da era Song do Norte e do universo de “Á Margem da Água”.

O vinho corria solto, e Zheng Zhi, por vontade própria, embriagou-se cada vez mais.

Quando a ceia terminou, Zheng Zhi já mal conseguia firmar-se nos próprios pés; ele e Shi Jin retornaram juntos para casa.

— Senhor, como pôde beber a tal ponto? — Quem lhes abriu a porta foi a senhora Xu, que, sentindo o cheiro de vinho que exalava dos dois, ao ver Zheng Zhi apoiado nos braços de Shi Jin, não pôde evitar um lamento.

— Esposa, hoje Lei Da foi promovido, e, na alegria, acabei bebendo algumas taças a mais — respondeu Zheng Zhi. De fato, ele bebera muito naquela noite, sentia-se zonzo, mas não a ponto de não conseguir andar; fingia, contudo, maior embriaguez, pois não desejava voltar sóbrio para casa e se ver forçado a conversar longamente com a esposa, o que poderia, a qualquer momento, traí-lo.

— Ai, meu senhor, desta vez exagerou de verdade. Peço ao tio da família Shi que me ajude a levá-lo ao quarto — disse Xu, com rosto sombrio e voz ressentida.

— Não se preocupe, cunhada, eu ajudo o mano a repousar — disse Shi Jin, já também com a língua enrolada pelo álcool.

Shi Jin amparou Zheng Zhi até o aposento e logo saiu, indo descansar no quarto que lhe fora previamente preparado.

— Xiao Lian, onde estás? O senhor voltou, venha ajudar — chamou Xu, em tom ríspido, tratando já Jin Cui Lian como membro da casa, não hesitando em dar ordens.

— Senhora, não se irrite. Estava a me vestir, por isso demorei — respondeu Jin Cui Lian, obediente, sem ousar contestar a autoridade de Xu.

— Vá buscar água quente para o senhor se lavar — continuou Xu, hostil. Embora tivesse consentido a entrada de Jin Cui Lian na casa, não conseguia dissipar a amargura em seu coração.

— Sim, senhora, vou agora mesmo — apressou-se Jin Cui Lian, indo buscar a água. Já conhecia bem as tarefas do pátio, pois ali vivera alguns dias.

As duas mulheres, com jeitos desajeitados, tiraram a roupa, os sapatos e as meias de Zheng Zhi, enxugaram-no e o cobriram com o edredom, exaustas e suadas ao término.

Zheng Zhi, por sua vez, já dormia profundamente, roncando alto, ao passo que a pobre Xu, ao seu lado, demorou-se em sono inquieto.

Já Jin Cui Lian apenas pôde recolher-se ao seu quarto de solteira, não lhe sendo permitido permanecer no dormitório principal.

Zheng Zhi, embriagado, adormeceu; ao princípio, repousava tranquilo, apenas roncando. Logo, porém, começou a remexer-se, murmurando palavras ininteligíveis, ora batendo na própria cabeça, ora encolhendo-se.

Xu, que ainda não dormira, assustou-se e tentou, com toda a força, sacudi-lo, mas Zheng Zhi não dava sinais de despertar. Chamou então Jin Cui Lian; ambas julgaram que o desconforto vinha da embriaguez e trouxeram mais água quente para limpá-lo.

Não tardou para que Zheng Zhi sentisse uma dor lancinante na cabeça, como se ela fosse explodir, o corpo todo tomado de mal-estar. Em sua mente, cenas e mais cenas desfilavam incessantemente, em ritmo cada vez mais vertiginoso, aumentando-lhe a agonia.

Queria acordar, mas não conseguia; queria dormir, mas o sono lhe fugia. Sua mente era invadida pelas palavras, ações e sentimentos de outra pessoa.

A dor era insuportável, a náusea o consumia, o corpo inteiro sofria.

Ignora por quanto tempo esteve assim, até que, de repente, Zheng Zhi despertou. Abriu os olhos e percebeu, pelas frestas da janela, que a manhã já raiava.

— Senhor, não beba tanto assim da próxima vez; não consegui dormir a noite toda — disse Xu, de rosto exausto, olhos inquietos, pois, mesmo após Zheng Zhi aquietar-se, sua expressão permanecera tomada de sofrimento, impedindo-a de repousar em paz.

Zheng Zhi olhou para a esposa e depois para Jin Cui Lian, que estava de pé ao lado, e sentiu remorso:

— Estou bem, foi só uma bebedeira; despertei sentindo-me renovado — disse ele.

Ao ouvirem tais palavras, ambas se tranquilizaram e ajudaram-no a vestir-se.

Por que, então, Zheng Zhi, tendo passado tamanha aflição durante a noite, despertou sentindo-se revigorado?

A razão é que, naquela noite, Zheng Zhi recebera uma torrente de novas memórias — precisamente as lembranças de Zhen Guanxi, seu antecessor.

Zhen Guanxi, cujo nome de nascença também era Zheng Zhi, poupou-lhe, assim, muitos transtornos. O antigo Zheng Zhi era natural de Weizhou, filho de um açougueiro, que contratara um erudito para batizar o filho com o nome Zheng Zhi, esperando que a criança viesse a ser dotada de grande sabedoria.

Por volta dos dezesseis ou dezessete anos, perdeu ambos os pais. Zheng Zhi herdou o ofício paterno e passou a vender carne.

No início, foi alvo de maus-tratos dos delinquentes da rua. Órfão, Zheng Zhi revelou-se homem duro; embora não fosse versado em artes marciais, valia-se de sua compleição robusta para impor respeito, conquistando fama com as próprias mãos.

Com o tempo, atraiu a companhia de muitos vadios, principalmente porque era generoso. Assim, ganhou certo prestígio entre os marginais de Weizhou, recebendo o apelido de “Zhen Guanxi”.

De um jovem arruinado e órfão, ascendeu a chefe de família e de negócio, desposando uma bela mulher. Embora tivesse algum mérito, não era um homem de conduta ilibada, sendo, no máximo, um líder de malfeitores.

Não foram poucas as más ações cometidas sob seu comando. Embora não fossem crimes hediondos, chegou a explorar o povoado.

Mais tarde, ousou ainda mais, chegando a tomar mulheres à força.

Ao receber tais lembranças, Zheng Zhi não se sentiu particularmente perturbado. Afinal, Zhen Guanxi não era um verdadeiro vilão, nem sua má fama era extrema. Com essa bagagem de memórias, tudo se tornava mais fácil para si.

Além disso, ao olhar para a esposa Xu, sentiu-a ainda mais próxima; de fato, Xu mostrava-se uma companheira admirável. Zhen Guanxi tivera, ao fim, sorte.

Mas, no fim das contas, quem acabou lucrando foi ele mesmo — Zheng Zhi, solteirão de mais de trinta anos, não pôde deixar de sorrir ao pensar nisso.