Capítulo Três: Compras

Mari kita bertemu di dunia nyata. Mencium adik perempuan 2735kata 2026-03-11 14:52:53

À tarde, a chuva se intensificou e eu e Hu Shanshan fomos obrigados a retornar cedo ao hotel, só saindo ao entardecer para jantar e, de passagem, admirar o panorama noturno à beira do rio.

O vento vespertino era fresco e, sob as primeiras luzes da cidade, caminhamos pela ponte que atravessava o rio, diante de um cenário de prosperidade e harmonia.

— Amanhã vamos visitar a Universidade de Wuhan? — Hu Shanshan, fotografando a paisagem do rio, perguntou de repente, num tom distraído.

— Sim — concordei, embora não tivesse muita opinião sobre a sugestão. — Será que voltaremos aqui algum dia?

— O quê? — Hu Shanshan examinava as fotos, o rosto iluminado pelo brilho da tela do celular.

— Nada — balancei a cabeça levemente. — Apenas sinto um pouco de pesar.

— Pesar?

— Ouvi dizer que as cerejeiras da Universidade de Wuhan são especialmente belas. E amanhã não poderemos vê-las.

— Então voltamos na primavera — disse ela, largando o celular e inclinando a cabeça, como quem descobre algo novo. Em seu semblante havia uma expectativa, mas também parecia ter encontrado uma questão a ser ponderada, algo que exigia atenção.

— Combinado! Quando chegar a primavera, voltaremos juntas à Universidade de Wuhan.

Mal consegui conter a animação; minha mente já vislumbrava uma cena vívida de primavera exuberante.

Hu Shanshan pensou por um instante, virou-se e me fitou, perguntando:

— Você não quer ir à Universidade de Wuhan?

— Não é isso! É que...

— Se tem alguma opinião, diga logo. Ficar lamentando por não ver as cerejeiras, que sentimentalismo!

Eu queria me justificar, mas nesse momento um carro de propaganda passou atrás de nós, um alto falante lançou uma frase estridente. Desde pequena tenho problemas auditivos, além do sotaque local, por isso não compreendi bem.

— Estão nos dizendo para não sair por aí — Hu Shanshan observou o carro se afastar e falou com indiferença.

Olhei ao redor e percebi que só havia nós duas na ponte; achei estranho.

— Era para nós?

— Acho que sim! — disse ela, sem muita certeza, ligando o celular e deslizando o dedo pela tela. — Já está tarde, vamos voltar.

— Está bem.

Ao retornar ao hotel, notei que, não sei exatamente quando, havia muito mais pessoas usando máscaras ao nosso redor. No corredor, uma senhora da limpeza borrifava desinfetante, o cheiro desagradável despertava uma sensação de inquietação. Uma jovem de cerca de vinte anos me perguntou se eu havia conseguido comprar uma máscara. Ao negar, vi seu rosto se ensombrar.

— Ah! É verdade, não se consegue comprar máscaras.

Hu Shanshan apressou-se em explicar:

— Oh, nós só saímos para dar uma volta, não fomos comprar isso.

— É tão grave assim? — Senti-me também um pouco nervosa, lancei um olhar à noite escura lá fora e perguntei a Hu Shanshan se não deveríamos ir comprar.

— Acho que trouxe uma — Hu Shanshan respondeu. — Vou procurar na mala depois.

— E eu, como fico?

— Não se preocupe — disse ela, com seriedade. — Sua pele é grossa, à prova de qualquer veneno!

Nesse instante, um homem de meia-idade, bem vestido, se aproximou. Primeiro sorriu com gentileza, depois abraçou a jovem, dizendo-lhe com ternura:

— Querida, não se assuste à toa.

A menina ergueu o pescoço esguio e o fitou, toda a aflição no rosto dissipou-se de imediato.

O homem, após acalentar a garota, voltou-se para nós e reclamou:

— Essa era da informação é assim mesmo, qualquer coisinha, quando espalhada, ganha outra dimensão. É só uma gripe, não? Todo ano tem! Mas fazem parecer outra coisa...

A jovem se agitou no abraço, levantou o rosto.

No caminho de volta ao quarto, de repente me lembrei do “querida” que o homem pronunciara e senti arrepios.

— Ei, o que você acha que eles são?

— Namorados, ora! — Hu Shanshan respondeu sem pensar, o polegar apontando para trás. — Não ouviu ele chamá-la de “querida”?

Olhei para trás, sem opinar.

— Mas pode não ser. E se forem pai e filha?

— Então esse pai é bem jovem.

— Se um homem se cuida bem, é difícil perceber a idade, não acha? — Disse, colocando-me diante de Hu Shanshan e apontando para mim. — Poucos conseguem adivinhar minha idade.

Hu Shanshan parou abruptamente, afastou minha mão do ombro e perguntou:

— Então, tio, quantos anos o senhor tem?

A internet pode unir dois desconhecidos de lugares distantes, pode aproximar pessoas de idades diversas. Embora muitos rejeitem, inconscientemente, relações entre gerações, diante da pessoa além da tela, o conhecimento sobre ela é sempre superficial. Pode ser sincero, ou pode dissimular e enganar.

No terceiro dia, eu e Hu Shanshan fomos à Rua Han; pelo caminho, poucos transeuntes. O céu escuro deixava cair pingos de chuva de tempos em tempos, como se lançasse advertências provocativas, mas muitos não se abalavam.

Era um fenômeno estranho: quando você se assusta, o cheiro de desinfetante domina todos os lugares, ruas e becos carregando um ar de apocalipse; mas se não dá importância, percebe que a cidade permanece harmoniosa, multidões continuam suas rotinas, trabalhando, fazendo exercícios, comprando mantimentos, tudo em ordem.

A Rua Han é uma das mais movimentadas avenidas comerciais daqui, cheia de marcas e produtos reluzentes; só ali é possível sentir, de modo direto, a prosperidade e o vanguardismo desta cidade. Você pode trazer alguém especial para um café despreocupado, experimentar roupas e joias, apreciar a arquitetura com traços da era republicana, degustar pratos típicos e iguarias diversas.

— Em suma: vir aqui é gastar dinheiro!

Não possuo grandes economias, mas o que mais desejava era comprar roupas para Hu Shanshan. Dizem que toda mulher sente faltar uma peça de roupa; após minha persistente insistência, ela cedeu e permitiu que eu lhe comprasse um casaco.

Subestimei, porém, a exigência feminina na escolha de roupas e cores: ao ver um modelo cativante, ela pensava em qual bolsa combinaria, que sapatos e calças realçariam o estilo, até mesmo qual penteado e batom deveria usar...

— Acho que este está ótimo: moderno! Arrojado! Elegante!

Já não queria acompanhá-la em mais lojas, tentei influenciar sua decisão, falando ao reflexo de Hu Shanshan no espelho:

— E, veja, professora Hu fica ainda mais sofisticada com ele. Se subir ao púlpito usando esse casaco, a média da turma certamente sobe oito pontos!

— Não é muito chamativo? Hm... Não, não serve!

Hu Shanshan franziu o cenho, olhou outra vez e rejeitou ainda mais, apressando-se em tirar o casaco.

— E ainda tem capuz, é esquisito!

— Capuz é bom, protege do vento.

No fim, não conseguimos comprar um casaco satisfatório, nem almoçamos. Vi o segurança afixando um comunicado na vitrine e fui ler.

No corredor do hotel, a jovem de ontem chorava abraçada a uma mochila cor-de-rosa, o homem de meia-idade tentava acalmá-la, o rosto marcado de preocupação e impotência.

— O que houve? — Perguntei ao passar, vendo o rosto da garota banhado em lágrimas, lancei um olhar significativo ao homem.

Hu Shanshan discretamente balançou meu braço, pedindo que eu não me intrometesse.

— Perdemos o trem — a jovem ergueu o rosto, os olhos marejados.

— Ah! Não calculamos bem o horário, acordamos tarde — disse o homem, retirando dois bilhetes do bolso. Olhei atentamente: eram para o trem das 10h rumo à Anshi, e já passava das 13h.

Pensei, quase com satisfação: como conseguiram perder o horário? O que aconteceu na noite anterior para atrasar o descanso?

Não sei se Hu Shanshan percebeu meu devaneio, tossiu discretamente antes de consolar a garota.

— No fim do ano, é difícil encontrar bilhetes; quando viu que não conseguiria, ela se desesperou e chorou sem parar — o homem balançou a cabeça, resignado.

— E você ainda diz isso, tudo culpa sua... — a jovem quis falar mais, mas conteve-se, engoliu as palavras e voltou a chorar.

Olhei discretamente para minha passagem, pensando: que tal tragédia não aconteça conosco.

Voltando ao quarto, lavei as mãos e troquei de casaco; nos últimos dias, as ruas estavam repletas de anúncios, o que trazia uma certa urgência. Deitei na cama, brinquei um pouco no celular, mandei mensagens à família.