Capítulo Sete: O Motorista Sombrio

Mari kita bertemu di dunia nyata. Mencium adik perempuan 2750kata 2026-03-15 14:49:46

Um Santana velho e desgastado parou diante de nós. O motorista, antes mesmo de abrir a porta, ergueu a mão e fez um gesto, indicando um número com os dedos.

— Setecentos? — exclamou Zhao Ziwuw, os olhos quase saltando das órbitas.

— Vai ou não vai? Se for, paga quinhentos adiantado.

Olhei as ruas desertas e o céu encoberto; embora soubéssemos que o preço era um absurdo, não houve alternativa senão aceitar. Era o fim da linha — se não fosse, jamais teriam a ousadia de cobrar assim.

— Isso é extorsão! Quando eu voltar, também venho fazer negócio aqui.

Zhao Ziwuw entregou os quinhentos yuans a contragosto, recostando-se no banco do passageiro e lançando ironias amargas. O motorista, homem de mais de cinquenta anos, demonstrava muita experiência — não respondia a nenhuma provocação, limitando-se a conduzir o carro.

Hu Shanshan trocou um olhar comigo, depois bateu de leve no encosto do banco dianteiro e disse a Zhao Ziwuw:

— Gerente Zhao, deixe que paguemos essa quantia.

Zhao Ziwuw hesitou, mas logo fez um gesto magnânimo, recusando.

— Não é necessário, não é necessário.

— É o justo! — insistiu Hu Shanshan, cutucando-me. — Você tem dinheiro em espécie? Depois eu te transfiro pelo WeChat.

— Realmente, não precisa — Zhao Ziwuw ainda relutava, mas quando estendi a ele as notas de quinhentos, agarrou-as rapidamente.

— Bem... ah, deixa pra lá. Quando for levar vocês de volta, vou tentar deixá-los o mais perto possível do destino. Em pleno Ano Novo… ah!

— Muito obrigado, gerente Zhao, se puder nos deixar em Feishi, já será de grande valia — aproveitei para bajulá-lo, tentando extrair o máximo dos quinhentos yuans.

— Sinto-me até constrangido, mas ficar discutindo é ainda mais irritante! — Zhao Ziwuw suspirava enquanto guardava o dinheiro na carteira.

O motorista lançou um olhar furtivo para Zhao Ziwuw, certificando-se de que o dinheiro estava seguro, e não deixou de lembrar:

— Ao descer, faltam ainda duzentos. Não vá esquecer, hein.

Zhao Ziwuw enrijeceu-se, respondendo com indignação:

— Não vai faltar nenhum centavo para você.

Wang Yuqing ajeitou a máscara no rosto e sugeriu, dirigindo-se a Zhao Ziwuw:

— Querido, por que não entrega logo tudo para ele agora?

O chamado “querido” fez com que tanto eu quanto Hu Shanshan nos arrepiássemos; até o motorista, já experimentado, estremeceu e lançou um olhar furtivo pelo retrovisor.

Hu Shanshan cutucou-me de novo, e eu, finalmente, saquei mais duzentos reais, oferecendo ao motorista:

— Esses também são por nossa conta.

O motorista olhou pelo retrovisor, estendendo a mão para aceitar, mas Zhao Ziwuw interceptou o gesto:

— Não precisa ter pressa; entregamos ao chegar.

Vendo que eu ainda insistia, Zhao Ziwuw murmurou baixinho:

— Confie em mim! Quando você chegar à minha idade e posição social, vai perceber que muita coisa pode mudar até o último instante. Além do mais… cautela nunca é demais.

Talvez Zhao Ziwuw falasse a partir de experiências passadas. Afinal, era mais velho e já havia lidado com o mundo real antes de nós. Contudo, o motorista, ao ouvir tais palavras, franziu o cenho, e eu tive a nítida sensação de que o carro acelerou imediatamente.

***

Após um dia de perambulações, estávamos todos exaustos. Em pouco tempo, Hu Shanshan adormeceu apoiada em meu ombro; mesmo por trás da máscara, pude sentir o delicado aroma de seus cabelos, e um impulso involuntário de acariciá-los me percorreu. Mas contive-me, encostando-me ao assento, e aos poucos também fui tomado pelo sono.

Não sei quanto tempo dormimos, mas um freio brusco nos arrancou de nossos sonhos. Despertei, meio atordoado, e vi à frente uma fila de carros; agentes de trânsito faziam inspeção veicular.

— Já chegamos? — Wang Yuqing bocejou, esfregando os olhos.

— Droga! Fiscalização — resmungou o motorista, virando-se para nós: — Desçam aqui e sigam pela via auxiliar. Eu espero vocês mais adiante.

— Tem certeza de que vai dar certo? — hesitou Hu Shanshan.

— Não se preocupem! — explicou pacientemente o motorista. — Devem estar só fiscalizando álcool. Se pegarem transporte ilegal, apreendem o carro. Faço isso por vocês também! Espero vocês duzentos metros à frente.

Restava-nos apenas descer e caminhar. Hu Shanshan, porém, mostrou-se relutante:

— Acho melhor eu não descer. Digo que sou sua filha.

O motorista não sabia se ria ou chorava:

— Não brinque, moça! Isso é sério, posso mesmo perder o carro.

Intervim, apoiando o motorista:

— Não vamos complicar para ele. São só alguns passos.

Hu Shanshan lançou-me um olhar de reprovação, mas acabou descendo, contrariada.

O vento frio nos despertou por completo, e o cenário ao redor já não era o de uma cidade vibrante; fábricas e casas se amontoavam, hortas e postes de luz cresciam lado a lado. Por conta do tempo, o crepúsculo já parecia noite fechada, e os faróis longínquos dos carros varriam nossos corpos.

Wang Yuqing, encolhida de frio, aninhou-se ao lado de Zhao Ziwuw; eu e Hu Shanshan sopramos as mãos para aquecê-las, observando a inspeção à frente, tomados por uma inexplicável inquietação.

— Você acha mesmo que eu não pareço filha dele? — Hu Shanshan me cutucou, um ar de descontentamento no rosto.

— Talvez ele só não confie que poderia ter uma filha tão bonita — forcei um sorriso para ela, fitando o motorista que se preparava para seguir. — Mas você poderia fingir ser nora dele. Eu faço o papel de filho, mesmo em desvantagem.

— Uma desvantagem dessas! Não é pedir demais? — retrucou ela, zombeteira.

— Não é questão de pedir, mas duvido que ele pudesse gerar um filho como eu!

— De fato não poderia. Você é bem mais feio.

Nesse momento, Zhao Ziwuw parou abruptamente, intrigado:

— Ué? Ele não devia estar aqui na frente?

Nem eu nem Hu Shanshan tínhamos notado. Sacudimos a cabeça, olhando adiante: só se via o emaranhado de carros e uma fileira de lanternas vermelhas.

De repente, Wang Yuqing deu um salto, apontando para a frente, boquiaberta:

— Olhem! Ele realmente não está! Reconheço aquele caminhão, antes estava à nossa frente.

Eu e Hu Shanshan trocamos um olhar perplexo; ao olhar para trás, só havia escuridão, nenhuma luz de farol.

— Ele fugiu? — tentei rir, mas não consegui.

Zhao Ziwuw, temendo que Wang Yuqing chorasse, a envolveu nos ombros, consolando:

— Talvez nos enganamos. O carro já passou. Ou então pegou outro caminho, motoristas experientes são assim, astutos.

Assenti, sem muita convicção:

— É, e talvez o carro tenha algum problema, por isso evita a fiscalização.

— Se há outro caminho, por que nos fez descer? — Hu Shanshan, intolerante à nossa autoilusão, me chutou de leve, reclamando: — Eu disse que não queria descer!

— Pois é! Alguém devia ter ficado no carro. Fomos descuidadas! — Wang Yuqing já tinha lágrimas nos olhos, olhou ao redor e perguntou a Zhao Ziwuw, aflita: — O que fazemos agora? Não há vila nem comércio por perto.

— Não se preocupe, querida — Zhao Ziwuw esforçava-se ao máximo para ser o cavalheiro protetor, embalando os ombros frágeis de Wang Yuqing. — Vamos andando, talvez o motorista esteja esperando por nós adiante. Ainda temos duzentos para pagar.

Olhei ao redor, sentindo uma amargura surda. Faltava ainda dois terços do caminho até Xishui e, só pelo compromisso dos duzentos yuans, era pouco provável que o homem nos aguardasse.

Hu Shanshan, indisposta a seguir, olhou para baixo, fungou e disse amargamente:

— Lü Xia, se o motorista tiver fugido, eu mesma te estrangulo.

Zhao Ziwuw riu, satisfeito com a desgraça alheia:

— Grande Shanshan, eu e Yuqing te ajudamos a segurá-lo.

Só pude sentir um profundo agravo. Como poderia ser minha culpa?

Ao passarmos pela blitz, os policiais nos detiveram, passaram um termômetro infravermelho sobre nossas testas e perguntaram para onde íamos. Pensei: por que um policial rodoviário quer saber para onde pedestres vão a pé? Mas, respeitando a autoridade da farda, respondi sem protestar. Depois, vi que estavam distribuindo máscaras aos motoristas sem proteção. Fui lá e pedi umas também.

— Você é mesmo cara de pau — comentou Hu Shanshan, tirando a máscara antiga e colocando a nova.

— Não podia ao menos ser mais gentil? Fiz isso por nós todos, não foi?

— Mas eu estava elogiando você!

— E como devo responder? Dizer que é demais, que minha cara nem é tão dura assim?