Capítulo 5 Vendendo o emprego, Ma Liu
Pouco depois, a família do Diretor Niu chegou.
O marido da Diretora Niu se chamava Gao, usava óculos de armação preta e cumprimentou Ming Dai com cordialidade.
Atrás dele vinha uma jovem de cerca de dezessete ou dezoito anos, com duas tranças grossas, que a observava com curiosidade.
Evitando a presença de outros, chegaram a um lugar isolado; após indagar a Ming Dai sobre o que ela necessitava, o Diretor Gao entrou primeiro, empurrando um carrinho.
Já a Diretora Niu conduziu Ming Dai e a filha até o edifício administrativo.
Dotada de amplas conexões, em pouco tempo ela percorreu todo o trâmite necessário, obteve o documento escrito e, só então, sentiu-se aliviada. A jovem de tranças não disfarçava a alegria, rindo satisfeita.
Pediu à filha que voltasse para casa primeiro, e a Diretora Niu arrastou Ming Dai até o escritório do Diretor Gao.
O Diretor Gao trouxera também os itens de que Ming Dai precisava e, além disso, encontrou-lhe uma pequena caixa de medicamentos, já descascada, porém ainda bastante funcional.
— Ming Dai, aqui estão setecentos e cinquenta yuans. Você ajudou muito a tia Niu. Aceite, por favor!
Não esperava tamanha generosidade da Diretora Niu, que lhe dera cinquenta yuans a mais.
Quando Ming Dai tentou recusar, o Diretor Gao também insistiu que ela aceitasse.
Diante disso, Ming Dai compreendeu as intenções dos dois e, ágil, guardou o dinheiro e a caixa de remédios, despedindo-se.
A Diretora Niu, ao contemplar a figura resoluta da jovem, sentiu um certo desalento. Se ao menos sua filha tivesse esse faro e essa astúcia, não precisaria se preocupar com sua ida ao campo — esses dias haviam sido, de fato, um tormento.
O Diretor Gao sorveu um gole de chá:
— Nossa filha tem pai e mãe, por que precisaria pensar em tudo isso?
A Diretora Niu levantou-se, sorrindo:
— Tem razão, preocupei-me demais. Pronto, está tudo resolvido. Eu também preciso descansar um pouco. Continue seu trabalho.
Saindo com a caixa de remédios, Ming Dai procurou um banheiro público; aproveitando-se da ausência de pessoas, colocou a caixa em seu espaço secreto.
Com a caderneta de poupança na mão, foi ao banco sacar todo o dinheiro e, protegida pela mochila, guardou tudo também no espaço.
O pequeno saco de tecido que seu pai lhe deixara ainda continha vários cupons, todos com restrições de localidade e validade. Como não voltaria por um bom tempo, decidiu usá-los todos.
Seu próximo destino era o entreposto de abastecimento.
Era hora do expediente, então havia pouca gente dentro do armazém.
Com os cupons em mãos, passou por cada balcão:
— Bacias de esmalte, quero duas;
— Canecas de esmalte, duas também;
— Balas de leite Da Bai Tu, três quilos!
— Algodão, nove pés!
Quando saiu, estava carregada de pacotes grandes e pequenos, tendo praticamente esgotado o estoque de algodão do local.
O lugar onde sua tia paterna a inscrevera era em sua cidade natal, onde a esperava um primo inepto, ansioso por casamento; evidentemente, ela não queria ir para lá.
Planejava rumar para a província negra — embora gélida, era distante da autoridade central, as políticas eram mais flexíveis e os recursos abundantes.
Contudo, antes de partir, precisava resolver a questão da casa, e já sabia a quem queria deixá-la.
Carregada de pacotes, ao retornar ao pátio, logo foi cercada por vizinhos desocupados, que conversavam sob a árvore e correram para ver o que ela trazia.
— Ming Dai, por que comprou tanto algodão?
Ming Dai abaixou a cabeça, fingindo pesar:
— Vou para a província negra. Tenho medo de morrer de frio, por isso comprei bastante algodão.
— Província negra? Tão longe assim! Sua tia é mesmo cruel!
— É isso mesmo, aquela gente da família Ming Changjiang não tem vergonha, querem mesmo cortar o sangue do parente.
— Ming Dai, quanto seu pai deixou para você? Ainda tem dinheiro depois dessas compras?
Ming Dai balançou a cabeça:
— Não foi muito. Depois de hoje, quase nada restou.
Os vizinhos tagarelavam, uma velha até tentou apalpar as suas compras.
Ming Dai ergueu tudo, fingindo-se ofendida, e correu para o quarto.
Essas pessoas, ao verem que seu pai morrera e que uma jovem estava desprotegida, não hesitaram em se aproveitar: ora levavam sua vassoura, ora despejavam carvão usado à sua porta — todos de olho em sua solidão, prontos para explorá-la ao máximo.
Aproximavam-se não por compaixão, mas para se entreter ou tirar proveito.
Ignorando os rumores lá fora, Ming Dai observou o quarto.
Era o maior do pátio, antigamente dividido em dois por uma cortina, que agora desaparecera.
O antigo proprietário fugira para o exterior, deixando a casa como pagamento ao governo.
O governo, então, retomara o imóvel, dividindo-o e revendendo-o.
O pai de Ming, recém-despedido do exército, descobrira que não tinha mais quarto em casa; encontrara uma menina órfã, e a família, cheia de ressentimentos, vivia em constantes brigas.
Desolado — afinal, alistara-se no lugar do irmão mais velho —, ele levou Ming Dai, comprou, com a indenização militar, o maior cômodo disponível e nunca mais voltou para casa.
Por ser o maior cômodo, muitos vizinhos com famílias numerosas quiseram trocá-lo, mas o pai de Ming, pensando na filha, recusou-se a abrir mão do espaço, o que esfriou as relações com os demais.
Agora que ela partiria, duvidava que os vizinhos não estivessem interessados.
Mas jamais lhes venderia a casa, pois não pagariam um bom preço.
Decidiu, então, organizar tudo: levaria consigo o que pudesse, guardando tudo em seu espaço secreto — só assim teria paz.
Primeiro, seus livros escolares: eram essenciais, pois, segundo sua compreensão do rumo histórico daquele mundo, o exame nacional seria restaurado em breve, e ela precisaria dos livros como álibi.
Depois, as roupas dela e do pai.
As dele, cuidadosamente guardadas em um baú de vime, não seriam mexidas.
As suas, mesmo de cores pouco atraentes, eram de boa qualidade, pois o pai não lhe negava nada.
Naqueles tempos, tudo era azul, cinza ou preto — até o verde-oliva era disputado —, mas o pai ainda assim lhe preparara dois fardos de tecido verde, como enxoval de casamento.
Guardou todo o carinho do pai, depois recolheu os objetos miúdos da casa, sem deixar nada para trás, movida pelo pensamento de que tudo o que carregasse seria lucro.
Por fim, o cômodo ficou nu, mais limpo que após uma invasão de salteadores.
Já era tarde; Ming Dai entrou em seu espaço secreto, retirou um bife, cozinhou macarrão e comeu com deleite, dormindo uma sesta tranquila.
Ao acordar, já eram sete da noite.
Espreguiçou-se, sentindo-se plenamente confortável.
Sem fome, decidiu resolver logo a questão da casa, pois partiria para o campo depois de amanhã; quanto antes resolvesse, melhor.
Organizou-se, saiu do espaço secreto, fechou a porta e, com a pequena mochila às costas, atravessou apressada o pátio.
Seguindo o beco por alguns minutos, dobrou numa viela ainda mais desordenada, com águas sujas pelo chão; à porta, homens de torso nu sorviam mingau ralo, encarando a estranha que se aproximava.
Ming Dai observou atentamente e encontrou a casa mais ao fundo.
Antes que batesse, ouviu gritos e discussões do lado de dentro.
Ao perceber passos apressados, desviou-se e, no instante seguinte, a porta foi arrombada com um coice: um rapaz de cabelo amarelado saiu furioso, praguejando.
Era ele quem ela procurava: Ma Liu.