Capítulo 6: Resolvida a Moradia, Inscrevendo o Primo para o Trabalho Rural
Mingdai seguiu silenciosamente, só chamando por ele quando chegaram à esquina: “Irmão Ma Liu, irmão Ma Liu.”
Ao ouvir a voz de uma jovem chamando por si, Ma Liu parou, virou-se com surpresa, mas ao perceber que era Mingdai, pareceu um tanto decepcionado.
Uma garota magricela, de aparência rústica.
Ma Liu cruzou os braços, ainda com vestígios de raiva nos olhos, e sua voz já carregava hostilidade: “Quem é você? Por que está me chamando, hein?”
Mingdai se aproximou, de cabeça baixa: “Sou do grande pátio ao lado, irmão Ma Liu, o senhor está querendo comprar uma casa?”
Ao ouvir falar de casa, Ma Liu esqueceu da intenção de ir embora.
Olhou desconfiado para a menina magricela: “Você tem casa para vender?”
Mingdai contou de maneira sucinta sua história: uma órfã sendo maltratada pela família do tio, prestes a ser enviada para o interior, e sua casa à beira de ser tomada à força.
Ma Liu era, de fato, um sujeito complicado, mas prezava muito pela lealdade.
Aos vinte e seis anos, ainda não se casara, porque a família era grande demais: sete filhos homens, ele era o sexto, e realmente não havia casa para que se casasse.
Comprar uma casa era difícil: além do preço alto, ninguém queria vender. Todos desejavam se estabelecer na cidade e, mesmo que houvesse casas à venda, ele não conseguia competir com outros compradores.
Ouvindo agora a história daquela menina, era uma oportunidade perfeita!
Tendo uma casa, Fangfang com certeza aceitaria casar-se com ele!
“Seu tio é mesmo um canalha. E essa casa, como pretende vender?”
Naquele momento, uma boa casa não saía por menos de trezentos, e a de Mingdai poderia valer quinhentos yuan.
“Meu tio certamente não vai deixar barato, vai procurar encrenca, é melhor avisar desde já.”
Ma Liu fez um gesto despreocupado, riu com desprezo: “Que venha! Acha que eu tenho medo?”
Mingdai sorriu, satisfeita: “Quatrocentos yuan pela casa, não peço mais. Só preciso que o senhor dê uma lição naquela família.”
Os olhos de Ma Liu brilharam: quatrocentos! Era uma barganha!
“Fechado, irmãzinha, não se preocupe, vou dar um jeito bem dado na família do seu tio!”
Mingdai assentiu sorrindo: “Depois de amanhã parto bem cedo. Seria melhor fazermos a transferência amanhã mesmo, no departamento de habitação.”
Ma Liu também queria resolver logo. A amargura de um solteirão, quem entenderá?
Mingdai estava satisfeita: para lidar com gente ruim, só mesmo outro igual. Mal podia esperar para ver a expressão de seu tio ao saber da venda.
Assim, combinaram de se encontrar na manhã seguinte, em frente ao departamento de habitação.
Separando-se, Mingdai caminhou devagar ao longo do dique, contemplando aquela cidade ao mesmo tempo estranha e familiar, sentindo tudo como novidade.
De fato, uma nova vida estava prestes a começar.
“Ei, menina! Desce daí, não faça nenhuma besteira!”
Enquanto se perdia em pensamentos, Mingdai foi arrancada do dique por uma velha senhora de braçadeira vermelha.
“Vocês, jovens de hoje, tão novos, o que há de tão terrível assim? Mal acontece um problema já querem dar fim à vida... Eu, velha, ainda quero viver muito!”
Mingdai então percebeu que a haviam confundido com alguém prestes a se jogar no rio; resignada, ouviu o sermão e, no fim, foi escoltada até em casa pela velha.
Ao entrarem, os vizinhos logo se aglomeraram.
A velha contou, com orgulho, como salvara heroicamente uma jovem à beira do desespero.
Os vizinhos suspiraram, e alguém explicou a situação de Mingdai.
A velha senhora também suspirou em solidariedade.
No meio de tantos suspiros, Mingdai escapuliu para casa.
Teve mais uma noite de sono tranquilo.
Na manhã seguinte, saiu cedo.
Chegou à porta do departamento de habitação, antes de todos, e quando sequer haviam aberto o portão.
Procurou um canto abrigado do vento, tirou discretamente um pãozinho de coco e começou a comer; ao terminar, bebeu um leite que trazia escondido na manga.
Quando terminou de se arrumar, Ma Liu chegou.
Vendo-o espreitar do lado de fora, Mingdai o chamou.
Ma Liu aproximou-se tremendo. O vento da manhã estava frio, e seu casaco acolchoado era fino. Com as pernas trêmulas, disse: “Irmãzinha, chegou cedo!”
Mingdai sorriu. Ainda bem que estava usando roupa térmica e um casaco de penas por dentro, do contrário também estaria congelando.
Ma Liu fungou: “Logo vão abrir. Já tomou café da manhã? Se não, o irmão aqui paga!”
Mingdai sorriu e sacudiu a cabeça: “Já comi, irmão Ma Liu.”
Sem cerimônia, Ma Liu levantou a barra do casaco, tirou um saquinho de pano costurado na cintura, e dele puxou um maço de notas.
Mingdai: Graças a Deus não estava na cueca!
“Tome, irmãzinha, conte, são quatrocentos certinhos!”
Mingdai pegou o dinheiro, abrigou-se do vento e contou com atenção.
Ma Liu sorriu, sem pressa.
Quatrocentos exatos, nenhum centavo a menos. Mingdai guardou cuidadosamente no bolso, depois transferiu para seu espaço secreto, e então retirou uma chave da bolsa.
“Esta é a chave da minha casa, mas recomendo que troque a fechadura. Não sei se minha família tem cópia.”
Ma Liu recebeu a chave com um sorriso: “Pode deixar, irmãzinha.”
Vendo que ele entendia, Mingdai não insistiu mais. Esperaram um pouco e o departamento de habitação abriu.
Meia hora depois, saíram ambos, os rostos iluminados por sorrisos.
“Irmão Ma Liu, amanhã cedo eu parto. Pode ir buscar a casa, já deixei tudo embalado.”
Ma Liu assentiu, satisfeito. Já havia perguntado discretamente, e a situação era mesmo como a jovem dissera, sem receio de ser enganado.
Separaram-se. Mingdai foi resolver sua última pendência.
Seguindo as lembranças, encontrou o escritório dos Jovens Instrutores.
O trem para o interior partiria no dia seguinte, mas ainda faltava um nome na lista dos que seriam enviados.
O diretor Qi, responsável, estava tão aflito que espumava nos cantos da boca; se não resolvesse, teria de sair por aí arrastando alguém à força.
“Com licença, camarada.”
Uma voz feminina e delicada soou. O diretor Qi ergueu os olhos: uma garota, tímida, de cabelos claros, olhava para ele.
Animou-se: “Veio se inscrever para o interior?”
Mingdai sorriu: “Já me inscrevi. Queria saber se posso mudar o local para onde serei enviada.”
O diretor Qi se decepcionou, fechou o rosto: “Já está decidido, não pode mudar.”
Mingdai não se irritou, continuou calma: “Minha família me inscreveu para uma comuna próxima a Pequim, mas não gosto. Quero ir para a província negra, dar minha contribuição lá. O senhor acha possível?”
Perto de Pequim?
Os olhos do diretor Qi brilharam. Havia alguém da província negra querendo trocar por um lugar mais próximo.
“Não é impossível, só precisa haver alguém disposto a trocar com você.”
Mingdai sorriu: “Diretor, ainda dá tempo de inscrever alguém? Meu primo deveria ir, mas esqueceu de se inscrever. Vim fazer isso por ele.”
O diretor Qi arregalou os olhos: “É verdade?!”
Mingdai assentiu: “Se não acredita, pode conferir — família Ming, no beco Liuer, dois filhos, um de vinte, outro de dezoito, nenhum foi para o interior ainda.”
O diretor mergulhou numa pilha de documentos, remexendo até encontrar o registro: era isso mesmo.
Só que na lista de enviados já constava um nome — Mingdai.
Olhando para a jovem à sua frente, suspeitou de algum segredo.
Mas, afinal, o que lhe importava? Aquela família devia, de fato, enviar um filho para o interior.
Era como receber um travesseiro quando se está com sono; faltava-lhe exatamente uma pessoa!
Apesar da ausência do registro familiar, a situação era especial e demandava uma solução especial.
Cumprir a tarefa era o mais importante!
Assim, pigarreou e olhou para Mingdai com gentileza.
“Ming Yaozu, não é? Para onde será enviado?”
Mingdai pensou: “Para o Grande Noroeste, meu primo tem alto espírito revolucionário.”
O diretor Qi estremeceu nos lábios — a menina era mesmo ardilosa —, mas resolver um nome para o Grande Noroeste era perfeito, apoiava de bom grado.
“Está certo. O seu, Mingdai, vou transferir para a comuna Hongqi, na província negra. Justamente tem alguém querendo voltar.”
Mingdai sorriu, satisfeita.
Ao sair, ainda recomendou: “Diretor, se alguém vier perguntar quem inscreveu Ming Yaozu, por favor diga que foi Ming Yanhong.”
O diretor, grato por ter tido seu problema resolvido, concordou.
E decidiu não avisar ninguém naquele dia; no dia seguinte pegaria a pessoa de surpresa, evitando complicações.