Capítulo 006: Com Álcool

Menara Kegelapan Sunyi Bayangan Kecil Selenium dan Thorium 2342kata 2026-03-14 14:42:52

        Lan Tian conduziu os cavaleiros cruzados pela ponte de pedra, alcançando a outra margem do rio, onde parecia haver uma aldeia. Na caixa de correio junto à estrada encontrava-se a missão do próximo posto de controle.

        Se fosse durante o dia, Lan Tian talvez ainda examinasse cuidadosamente o cartão de missão na caixa de correio; mas agora não tinha tempo para essas minúcias e avançou diretamente para o pátio.

        Na caixa de correio repousava silenciosamente um cartão de missão, com a tarefa deste estágio: derrubar o pinheiro diante da Casa das Íris.

        Lan Tian não retirou o cartão, mas, com seus jovens cruzados, irrompeu diretamente na aldeia. Agora, tudo o que desejava era arrasar o vilarejo com seus seguidores.

        Era uma pequena povoação situada numa colina suave, cercada por bosques densos e pradarias verdejantes; diante da aldeia, um amplo campo de relva descia em declive até à margem do rio.

        As casas eram, na maioria, chalés de paredes brancas e telhados vermelhos; os bosques, em faixas, pareciam fitas verdes; o prado estava coalhado de flores de todas as cores, competindo em fulgor e beleza.

        Era um cenário originalmente sereno e idílico, de tal esplendor floral que enchia os olhos e o coração, uma paisagem campestre digna de poesia e pintura, onde cada recanto parecia uma tela.

        No entanto, com a chegada de Lan Tian e dos cruzados, a paz foi rompida; num instante, cacarejos, grasnidos de patos e gansos, misturados ao latido de cães, ecoaram por todo o vale.

        Um grupo de pessoas vestidas com mantos brancos e máscaras de bico de pássaro em prata, brandindo longos bastões de madeira, veio ao encontro deles!

        Lan Tian sentiu que aquelas figuras lhe eram familiares, mas não conseguia recordar de onde. Agora, porém, não desejava lembrar; apenas queria eliminá-las.

        Os cavaleiros cruzados não eram fracos em combate. Haviam imaginado formar um círculo de escudos ao redor de Lan Tian, protegendo-a durante toda a noite. Contudo, ela era ágil demais e saltou para fora do anel defensivo sem esforço.

        Os olhos de Lan Tian brilhavam em vermelho; ao ver aquelas figuras alvas, só pensava em destruí-las.

        Garras afiadas e dentes pontiagudos eram suas melhores armas; diante dos homens de bico de pássaro, não demonstrava a menor piedade.

        Quando algum deles se aproximava, Lan Tian o derrubava imediatamente e cravava os dentes no pescoço, rompendo-lhe as veias vitais.

        Por vezes, dilacerava com as garras a artéria no pescoço dos homens de bico branco, fazendo o sangue escarlate jorrar num instante; em alguns casos, os respingos atingiam-lhe os olhos.

        Lan Tian sentiu a visão turva, e a audição também parecia embotada; além do tilintar das moedas de cristal escuro depositadas pela notificação do sistema, nada mais lhe chegava aos ouvidos.

        Cada vez que ouvia o som das moedas, significava que um dos homens de bico branco tombara e desaparecera, para nunca mais retornar.

        No entanto, a cada vez que uma figura branca caía, ressoava em sua mente a voz acusadora de uma mulher.

        — Como pode uma criança desobediente sair para brincar? Você só pensa em se divertir o dia inteiro!
        — Nem um prato você consegue segurar direito, suas mãos servem para quê?
        — Como você é burra! Ter criado um porco teria sido mais útil!
        — Eu me mato de trabalhar dia e noite só por sua causa! É tudo para o seu bem!
        — Sua ingrata! Esta é a minha casa! Você gasta o meu dinheiro, mora no meu teto, e ainda ousa me contrariar?
        — Inútil! Eu não devia ter trazido você comigo. Além de me envergonhar, serve para quê?
        …

        Essas vozes ásperas ecoavam nos ouvidos de Lan Tian, como se dentro deles houvesse uma pequena caixa de som, prestes a ensurdecê-la.

        A consciência de Lan Tian tornava-se cada vez mais turva; sentia-se como uma medusa embebida num tanque de sangue, o corpo pesado e denso, inchado de tanto absorver aquele líquido.

        A mente era um caos, como se também estivesse encharcada de sangue, e o odor denso da carnificina a fazia perder-se de si mesma.

        Fragmentos de memória, que Lan Tian acreditava já esquecidos, emergiam novamente em sua cabeça.

        Era um pequeno armário de madeira, escuro por dentro, com apenas uma tênue fresta de luz atravessando as aberturas. Ali dentro, o ar era impregnado de sangue e um leve cheiro de álcool.

        A pequena Lan Tian estava trancada neste armário, encolhida, com um corte profundo no braço, cuja hemorragia mal cessara.

        Sempre que sua mãe trazia um homem para casa, Lan Tian era deixada sozinha, trancada naquele armário.

        Às vezes, o homem ia embora rapidamente, e nesses dias a mãe ficava de mau humor; Lan Tian sabia que, quando a mãe melhorasse, ela a libertaria.

        Às vezes, o homem demorava até o amanhecer; então a mãe ficava radiante e, com sorte, Lan Tian recebia uma recompensa.

        Mas desta vez, o homem partira logo; não houve o som habitual de matar mosquitos, nem os gritos histéricos da mãe.

        Na verdade, a mãe não costumava trancá-la no armário; isso só começara após trazer para casa um homem ruim, que a maltratou.

        Lan Tian, então, se escondera no banheiro, mas ao ouvir os gritos da mãe, saiu com o cabo de vassoura e atingiu o homem com força; o homem, furioso, deu-lhe um pontapé antes de sair praguejando.

        Daquele dia em diante, sempre que levava um homem para casa, a mãe trancava Lan Tian no armário.

        Desta vez, Lan Tian foi arrastada para fora e novamente espancada, pois a mãe não conseguira o que queria.

        A mãe sempre dizia que Lan Tian viera ao mundo para lhe cobrar dívidas, que arruinara sua vida; Lan Tian, durante as surras e insultos, mantinha-se em silêncio.

        Aprendera, após tantas experiências, que quanto mais chorasse, mais a mãe se excitava em espancá-la.

        Se ficasse quieta, como uma boneca de trapo, logo a mãe perdia o interesse em bater ou xingar; às vezes, até a abraçava e chorava junto, lamentando a própria estupidez, pedindo desculpas a Lan Tian.

        Lan Ling, de modo brusco, aplicava álcool sobre os ferimentos da filha; as feridas se abriam de novo, e a dor fazia Lan Tian querer escapar, mas estava presa com força e só lhe restava submeter-se aos cuidados da mãe.

        Todas as feridas de Lan Tian eram tratadas com álcool por Lan Ling. Depois, Lan Ling perguntava: “Tian Tian, você odeia a mamãe?”

        Ao ouvir a pergunta familiar, Lan Tian balançava a cabeça instintivamente e respondia com voz rouca: “Não odeio. Sei que tudo o que a mamãe faz é para o meu bem.”

        “Tian Tian, me perdoe… me perdoe…” Lan Ling, ouvindo as palavras da filha, abraçava-a como de costume, repetindo pedidos de desculpas.

        Desfiava palavras ao acaso, dizendo que amava Lan Tian, que lhe devia desculpas, que só tinha a filha como parente no mundo.

        Lan Tian sabia que, para a mãe, ela não passava de uma criança um pouco mais velha; tendo perdido o próprio pai, tudo o que a mãe fazia era por medo de ser abandonada.